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Lula cita criptomoedas em fórum internacional e cobra regulação na América Latina

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

23 março 2026 12:30 BRT
  • Primeira vez que Lula cita criptomoedas publicamente em cúpula internacional.
  • Regulação ligada ao combate à lavagem de dinheiro e crime organizado.
  • Discurso também aborda minerais críticos e soberania tecnológica regional.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, pela primeira vez publicamente, a regulação das criptomoedas em um fórum internacional. A declaração ocorreu no sábado (21), durante a X Cúpula da CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, um bloco político regional formado por 33 países da América Latina e do Caribe), realizada em Bogotá, na Colômbia.

O discurso foi lido ao plenário de líderes pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Lula não esteve presente pessoalmente no evento.

O tema surgiu no contexto do combate ao crime organizado transnacional. O presidente argumentou que uma região politicamente desarticulada favorece o fortalecimento de facções criminosas. Para enfrentá-las, defendeu ações coordenadas que atinjam toda a cadeia de comando dessas organizações, incluindo sua estrutura financeira.

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“Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vêm de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Ações pontuais geram resultados momentâneos. Só o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras”, afirmou Lula, em discurso lido pelo chanceler Mauro Vieira.

A lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas é a prática de usar ativos digitais descentralizados para ocultar a origem ilícita de recursos, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

No plano interno, Lula citou o Projeto de Lei Antifacção como exemplo do endurecimento do Estado brasileiro. A proposta tem como objetivo criar novos instrumentos legais para acelerar investigações da Polícia Federal, asfixiar o braço financeiro das facções e punir com mais rigor grupos com atuação interestadual e internacional.

O discurso presidencial também abordou outros temas. Na área da soberania tecnológica, o texto alertou para os riscos da manipulação de algoritmos e da produção de conteúdos falsos por inteligência artificial como ameaça às democracias da região.

Na pauta econômica, Lula destacou que a América Latina possui a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo. Esses minérios são a matéria-prima para fabricação de chips (circuitos integrados utilizados em eletrônicos e computadores), baterias e placas solares. O presidente cobrou que a região deixe de exportar apenas matéria-prima bruta e passe a participar de todas as etapas da cadeia produtiva tecnológica, do beneficiamento ao produto final.

Na área comercial, o texto sinalizou que as exportações intrarregionais na América Latina e no Caribe representam apenas 14% do total do comércio da região e defendeu a internacionalização das empresas latino-americanas para reverter esse quadro.

A cúpula marcou também a passagem da presidência pro tempore da CELAC da Colômbia para o Uruguai.

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