Jensen Huang fez sua primeira publicação no X. O CEO da Nvidia utilizou o espaço para defender modelos abertos e alertar Washington sobre riscos em restringi-los.
Ele se refere à Inteligência artificial (IA) de peso aberto, não à empresa de nome parecido, a OpenAI. Esses são modelos que qualquer pessoa pode baixar e reutilizar sem custo.
Por que a Nvidia defende os modelos abertos?
Huang compartilhou a carta na sexta-feira. Microsoft, Meta e Hugging Face estão entre as 25 signatárias.
O grupo defende que os modelos abertos são essenciais para a liderança dos Estados Unidos em IA. Eles comparam esses modelos a softwares de código aberto, que atualmente sustentam boa parte da internet.
O momento chama atenção. Há cerca de um ano, o governo apoiou os modelos abertos em seu próprio Plano de Ação para IA, classificando-os até como ativos estratégicos para o país.
No entanto, autoridades avaliam agora restrições ao Kimi K3 e a outros modelos chineses. O Kimi K3 foi lançado em 16 de julho pela Moonshot AI da China. Com 2,8 trilhões de parâmetros, ele está entre os de melhor desempenho global, sendo aberto ou fechado.
A preocupação não é recente. Em janeiro de 2025, um modelo de baixo custo da DeepSeek, da China, provocou forte impacto na Nvidia. A gigante dos chips perdeu quase US$ 600 bilhões em um único dia, recorde na época.
A questão da segurança nos modelos abertos
A carta também apresenta argumentos de segurança. Modelos abertos permitem que múltiplas equipes avaliem o código, identifiquem falhas e proponham correções rápidas. Já modelos fechados ficam restritos a poucas empresas, o que o grupo considera um ponto fraco.
O texto faz ainda uma distinção: separa a destilação do roubo. A destilação consiste em treinar um modelo a partir dos resultados de outro, o que, segundo o grupo, é pesquisa normal, não apropriação indevida.
O debate segue ativo. O assessor da Casa Branca Michael Kratsios afirma que a Moonshot copiou um modelo dos Estados Unidos para criar o Kimi K3.
Duas grandes ausências chamam atenção: OpenAI e Anthropic não assinaram o documento. Em vez disso, alertaram Washington sobre os riscos de modelos abertos chineses de alto desempenho.
Assim, o setor está dividido sobre o quão aberta a IA deve ser. Enquanto isso, modelos chineses já superam concorrentes americanos no uso diário.
“Os formuladores de políticas têm uma oportunidade relevante de agir… mantendo a pluralidade na fronteira e evitando restrições prematuras a modelos abertos que sufocam a concorrência ou levam a inovação para fora do país”, argumentam os signatários na carta.
As próximas semanas vão mostrar se Washington vai atender ao apelo.









