“Contas laranja” lideram fraudes financeiras no Brasil, aponta levantamento

  • Quase 50% das fraudes financeiras no Brasil envolvem contas laranja, usadas para ocultar transações ilícitas.
  • Entre 78 mil e 115 mil indícios de golpes desse tipo são registrados por mês, segundo a Quod.
  • Resolução 501 do BC e uso de IA ajudam a reduzir o número de fraudes em mais de 20% em 2025.
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As contas laranja — contas bancárias abertas em nome de terceiros ou com informações falsas, usadas para movimentar dinheiro de origem ilícita sem chamar atenção das autoridades — estão no centro das fraudes financeiras no Brasil.

Um levantamento da Quod, empresa de tecnologia especializada em dados, mostra que quase 50% dos indícios de fraude no país envolvem esse tipo de conta, associada a crimes como evasão fiscal, lavagem de dinheiro e golpes digitais.

Segundo a datatech, são registrados mensalmente entre 78 mil e 115 mil indícios de fraudes envolvendo contas laranja. No total, o Brasil registra cerca de 15 mil indícios de fraude por dia, sendo 45% concentrados na região Sudeste. Ainda conforme o estudo, 51% das vítimas estão relacionadas a esse tipo de golpe. Quase metade dos casos (45%) ocorre em horário comercial, e 87% em dias úteis, o que indica a atuação de criminosos em momentos de maior movimentação financeira.

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De acordo com Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, a transformação digital ampliou tanto o alcance quanto a complexidade desses esquemas.

“Esse golpe é caracterizado pelo uso de contas não oficiais para realizar transações financeiras, ocultando o verdadeiro beneficiário econômico. Hoje, com a facilidade para abertura de contas e transferências digitais, os criminosos aprimoram técnicas de engenharia social e conseguem enganar vítimas com mais facilidade”, explica.

Queda no número de golpes

Mesmo com a forte presença das contas laranja, o número total de fraudes vem caindo ao longo de 2025. A Quod registrou 466 mil indícios de fraude em janeiro, número que caiu para 360 mil em agosto, uma redução de 23%. Parte dessa melhora é atribuída à Resolução 501 do Banco Central, que entrou em vigor em outubro e impede transferências para contas sob suspeita, fortalecendo os mecanismos de rastreamento e bloqueio preventivo.

Assim, a tecnologia tem sido uma aliada importante no combate. Dados da empresa ainda mostram que 78% dos fraudadores tiveram apenas um registro de fraude, e, entre os 21,5% reincidentes, 44% cometeram novo golpe em até dez dias após o primeiro. Portanto, isso demonstra que a detecção automatizada com inteligência artificial tem ajudado a interromper rapidamente os esquemas.

Educação financeira e tecnologia são essenciais

Para Danilo Coelho, a redução sustentável das fraudes depende da combinação entre educação financeira e uso de tecnologias avançadas.

“A solução é complexa e envolve conscientizar a população sobre os tipos de golpes mais comuns. Ao mesmo tempo, técnicas de machine learning permitem prever comportamentos de fraudadores e combater irregularidades com mais agilidade”, afirma Coelho.


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