O mercado de trabalho dos Estados Unidos surpreendeu nesta sexta-feira (6), após novos dados mostrarem que a economia perdeu 92 mil empregos. Trata-se de uma das raras quedas mensais de empregos desde o período da pandemia.
O relatório fraco levanta dúvidas sobre a solidez da recuperação econômica. O Bitcoin caiu de US$ 70 mil para abaixo desse patamar enquanto os mercados financeiros seguem céticos de que autoridades promoverão cortes nos juros imediatamente.
Bitcoin reage ao payroll dos EUA, mas não como esperado
Dados divulgados pelo U.S. Bureau of Labor Statistics apontaram que a criação de vagas fora do setor agrícola (NFP) caiu em 92 mil postos em fevereiro,
O número ficou muito abaixo das projeções, que apontavam para 54 mil a 55 mil novos empregos. O resultado também reverteu o saldo revisado de 126 mil vagas de janeiro, indicando uma mudança repentina no ritmo de contratação.
O desaquecimento do emprego ficou ainda mais claro com o aumento do índice de desemprego. O índice subiu para 4,4%, superando as expectativas de 4,3% e indicando esfriamento gradual nas condições do trabalho.
Apesar do número negativo, o crescimento salarial seguiu expressivo. A média dos ganhos por hora avançou 0,4% no mês e 3,8% no ano, levemente acima das previsões dos analistas.
A resiliência dos salários sugere que pressões inflacionárias ligadas ao custo do trabalho ainda persistem, dificultando o cenário de política monetária do Federal Reserve.
O preço do Bitcoin caiu de US$ 70 mil para US$ 68.910 por volta das 18h desta sexta-feira.
Por que os mercados ainda não esperam que o Fed corte os juros?
Mesmo com o resultado negativo de emprego, o mercado ainda não projeta uma mudança imediata na política monetária.
Segundo o CME Group FedWatch Tool, investidores atribuem atualmente 95,6% de chance de que o Federal Reserve vá manter as taxas de juros inalteradas na reunião de março, preservando a faixa atual entre 3,50% e 3,75%.
A diferença entre o dado de emprego decepcionante e as expectativas estáveis para juros escancara o dilema central enfrentado pelas autoridades.
Enquanto a perda de vagas sinaliza desaceleração da economia, a elevação dos salários e preços altos de energia ainda ameaçam o avanço do Fed contra a inflação.
Tensões recentes no Oriente Médio também impulsionaram o valor do petróleo, ampliando ainda mais a incerteza com o cenário inflacionário.
O aumento nos custos de energia pode manter as pressões de preços elevadas, reduzindo a capacidade do banco central de promover, rapidamente, uma flexibilização na política monetária.
Mercados reagem com volatilidade
Os mercados financeiros reagiram de imediato à divulgação dos dados. Os contratos futuros de ações nos EUA registraram forte queda, refletindo a reavaliação das perspectivas para o crescimento econômico.
Principais índices, como Dow Jones Industrial Average, S&P 500 e Nasdaq Composite, recuaram após a publicação do relatório.
O movimento indica que o tão aguardado “pouso suave” da economia americana pode estar mais distante.
Caso o mercado de trabalho continue piorando nos próximos meses, a pressão sobre o Fed para considerar cortes nos juros pode aumentar ainda em 2026.
Enquanto isso, o relatório fraco amplia a incerteza nos mercados globais, levando investidores a lidar com uma combinação complexa de desaceleração do crescimento, inflação ainda resistente e riscos geopolíticos crescentes.