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Estrangeiros colocam R$ 10 bilhões na bolsa e mercado aguarda juros americanos

  • Estrangeiros aportaram R$ 10,06 bi na segunda (5), maior saldo diário de 2026.
  • Pessoas físicas venderam R$ 5,30 bi, maior venda líquida do grupo no ano.
  • Ata do Fed sai às 15h; 78% do mercado vê juros mantidos em 28 de outubro.
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Os investidores estrangeiros fizeram o maior aporte diário do ano na bolsa brasileira. Na segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno da eleição presidencial, eles compraram R$ 10,06 bilhões em ações a mais do que venderam. Os dados são da B3, a bolsa de valores do Brasil.

O fluxo chega em um momento delicado. Nesta quarta-feira (7), o mercado aguarda a ata do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O documento sai às 15h, no horário de Brasília. Ele pode indicar os próximos passos dos juros americanos, que influenciam o apetite por mercados emergentes como o Brasil.

Capital estrangeiro na bolsa bate recorde de 2026

O valor de R$ 10,06 bilhões é o saldo líquido. Ou seja, a diferença entre o que os estrangeiros compraram e o que venderam no dia.

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Até então, o maior saldo diário do ano era de R$ 8,40 bilhões, registrado em 9 de abril. O novo recorde supera essa marca em cerca de 20%. O terceiro colocado, 18 de setembro, teve saldo de R$ 3,63 bilhões.

A comparação com as saídas também impressiona. O pior dia do ano para o fluxo estrangeiro foi 11 de agosto, com retirada de R$ 4,72 bilhões. O aporte de segunda é mais que o dobro disso.

O volume acompanhou o movimento. O giro, que é o total financeiro negociado na bolsa, somou R$ 79,3 bilhões no dia. O valor equivale a cerca de três vezes a média.

Fluxo estrangeiro de um dia vale um quarto do ano

Com a entrada, o saldo estrangeiro acumulado em 2026 subiu de R$ 29,95 bilhões para R$ 40,01 bilhões. A alta é de 33,6%. Assim, um único pregão responde por cerca de um quarto de todo o dinheiro estrangeiro que entrou na bolsa no ano.

O aporte também supera todo o mês de setembro, que teve R$ 9,11 bilhões. Somado aos pregões de 1º e 2 de outubro, o mês já acumula R$ 12,61 bilhões em apenas três sessões. É o terceiro melhor resultado mensal de 2026.

O movimento marca a volta do investidor estrangeiro após meses de saída. Maio, junho e agosto fecharam no vermelho. Só agosto teve retirada de R$ 18,12 bilhões, o pior mês do ano. Desde o início de setembro, os estrangeiros já colocaram R$ 21,72 bilhões na bolsa.

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Quem vendeu enquanto o estrangeiro comprava?

Do outro lado, o investidor pessoa física vendeu R$ 5,30 bilhões em ações a mais do que comprou. É a maior venda líquida do grupo em 2026. O valor é mais que o dobro do recorde anterior, de R$ 2,51 bilhões, registrado em 20 de fevereiro.

Os investidores institucionais também ficaram na ponta vendedora. Esse grupo reúne, por exemplo, fundos de investimento e de previdência. O saldo negativo foi de R$ 3,96 bilhões, a segunda maior venda do ano.

Eleição deu a largada no rali do Ibovespa

O resultado das urnas foi o gatilho. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Na segunda, o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, subiu 7,70% e fechou aos 206.911 pontos. Foi a maior alta diária em mais de seis anos. O dólar caiu 4,12%, a R$ 5,00.

Segundo levantamento do Itaú BBA, cinco empresas concentraram 46% dos pontos ganhos pelo índice naquele dia. São elas Itaú Unibanco, B3, Petrobras, BTG Pactual e Bradesco. Todas têm alta liquidez, isto é, podem ser compradas e vendidas em grande volume com facilidade. Por isso, costumam ser a porta de entrada do estrangeiro no Brasil.

O mesmo relatório vê espaço para mais compras. Se estrangeiros e fundos locais voltassem aos níveis históricos de alocação, cerca de R$ 270,2 bilhões poderiam entrar na bolsa brasileira.

Ontem (6), o Ibovespa recuou 0,52%, aos 205.835 pontos, em movimento de realização de lucros. Isso acontece quando investidores vendem ações para embolsar ganhos recentes. Mesmo assim, o índice acumula alta de 10,46% em outubro. O dólar caiu 0,55%, a R$ 4,9745, menor fechamento desde 12 de maio.

Ata do Fed é o próximo teste para o rali

O cenário externo pode frear o ânimo. Na reunião de 15 e 16 de setembro, o Fed elevou os juros pela primeira vez desde 2023. A decisão foi unânime. O banco central americano é comandado por Kevin Warsh.

A ata é o resumo das discussões dessa reunião. Investidores vão buscar no texto sinais sobre novos movimentos dos juros nos próximos meses.

Juros mais altos nos Estados Unidos deixam mais atrativos os Treasuries, como são chamados os títulos do Tesouro americano. Isso tende a fortalecer o dólar e afastar recursos de ativos de maior risco.

Foi o que aconteceu em setembro. Segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), estrangeiros retiraram US$ 26,3 bilhões de ações e títulos de mercados emergentes no mês. Foi a primeira saída mensal desde junho. O relatório atribui o movimento à postura hawkish do Fed. O termo descreve uma política monetária mais dura no combate à inflação.

A pressão segue nos juros longos. Nesta quarta, o rendimento do título de 30 anos do Tesouro americano chegou a 5,7041%, a maior marca em 24 anos.

Para a próxima reunião do Fed, em 28 de outubro, 78% do mercado espera manutenção dos juros. O dado é da ferramenta CME FedWatch, que calcula probabilidades com base nos contratos futuros de juros americanos.

Ibovespa hoje abre de lado com petróleo acima de US$ 100

Na abertura desta quarta-feira (7), o Ibovespa ficou praticamente estável. O índice marcava queda de 0,01%, aos 205.825 pontos. Nas primeiras horas, chegou a subir 0,51%, aos 206.877 pontos.

O dólar comercial abriu em alta de 0,57%, a R$ 5,005 na venda. O DXY, índice que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,48%.

O petróleo também entrou no radar. O Brent, referência internacional, subia 1,37%, a US$ 101,96 o barril. A alta veio após ataques dos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita.

Na B3, o Bitcoin futuro abriu em queda de 1,75%, cotado a 420.800. O contrato acompanha o preço do Bitcoin e é negociado na bolsa brasileira. Ativos de risco, como a cripto, costumam reagir à expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos.

Até o fim do dia, o mercado divide a atenção entre a ata do Fed e as articulações políticas para o segundo turno.

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