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Cuba libera uso de criptomoedas por empresas privadas em pagamentos internacionais

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Escrito por
Luis Blanco

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Editado por
Lucas Espindola

24 março 2026 12:00 BRT
  • Cuba autoriza empresas privadas e mistas a usar criptomoedas para pagamentos internacionais.
  • A medida é uma resposta às limitações do sistema financeiro global e às atuais tensões com Donald Trump.
  • O uso de criptomoedas será limitado e supervisionado pelo Banco Central.
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O papel das criptomoedas em Cuba voltou a ser tema relevante após uma nova decisão do Banco Central (BCC). Pela primeira vez, o país autorizou empresas privadas a utilizarem ativos digitais para pagamentos internacionais, em um contexto marcado pelo acesso restrito ao sistema financeiro global.

A medida estabelece um modelo regulado para o uso de criptos. A seguir, analisamos o significado e como funcionará esse novo esquema.

O que permite a nova regulamentação em Cuba e como vão funcionar os pagamentos com cripto?

A nova regra concede autorização a um grupo restrito de empresas para usar criptomoedas exclusivamente em pagamentos fora de Cuba. A permissão é controlada, com exigências rigorosas e supervisão direta do Banco Central.

Dez entidades receberam aprovação inicial, abrangendo PMEs privadas e uma joint venture do setor de saúde. Essas operações devem ocorrer apenas por meio de prestadores de serviços autorizados.

Além disso, o uso das criptomoedas está limitado às atividades relacionadas ao objeto social de cada empresa. O uso livre ou ampliado não é permitido sem aprovação complementar. As empresas autorizadas pelo Banco Central de Cuba são:

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  • MIPYME INGENIUSTECNOLOGÍAS, com CNPJ nº 50004170924
  • EMPRESA MIXTA DE PRODUCTOS SANITARIOS S.A. PROSA, com CNPJ nº 32000422135
  • MIPYME DOFLEINI, com CNPJ nº 50004169216
  • MIPYME LA CALESA REAL, com CNPJ nº 50004173043
  • MIPYME LA MEKNICA, com CNPJ nº 50004299190
  • MIPYME CEMA SOLTEC, com CNPJ nº 50004306559
  • MIPYME EL ASADITO, com CNPJ nº 50004391651
  • MIPYME PASARELADIGITALSURL, com CNPJ nº 50004332146
  • MIPYME ARA, com CNPJ nº 50004298980
  • MIPYME DQ DASQOM, SURL, com CNPJ nº 50004245488

Essas empresas devem cumprir requisitos específicos para atuar. Entre eles estão informar periodicamente as operações realizadas e utilizar apenas moedas suportadas pelos respectivos provedores.

“[Cada empresa deve] informar ao Banco Central, a cada trimestre, um resumo das operações feitas com base nesta autorização, detalhando valores, ativos virtuais empregados e o PSAV por meio do qual foram realizadas”, aponta o comunicado do BCC.

A autorização tem vigência determinada, sendo necessário solicitar renovação antes do vencimento. Qualquer descumprimento pode gerar revogação imediata do direito concedido. O modelo cria rastreabilidade e controle estatal sobre o emprego das criptomoedas. Diferentemente de outras nações, Cuba adota um modelo centralizado e supervisionado.

A conjuntura econômica fundamenta a estratégia. O país enfrenta sanções e obstáculos no acesso ao sistema financeiro internacional. Ao mesmo tempo, a medida chega em um momento de tensão com o governo de Donald Trump.

As criptomoedas surgem como alternativa para facilitar pagamentos internacionais. Elas permitem operações sem a dependência de bancos tradicionais. O perfil das organizações autorizadas também oferece pistas. Estão presentes setores como tecnologia, comércio, mecânica e saúde, considerados estratégicos para importações essenciais.

A iniciativa lembra medidas de países como Venezuela ou Irã, mas há um diferencial: Cuba adota sistema regulado e restrito, em vez da abertura total.

Em resumo

Cuba avança ao permitir o uso de criptomoedas em pagamentos internacionais para empresas selecionadas. A ação combina abertura controlada com supervisão estadual rigorosa.

O êxito do modelo dependerá da execução e dos resultados. Caso seja bem-sucedido, poderá ser ampliado progressivamente a outros agentes do setor privado.

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