A Cronos interrompeu toda a sua blockchain no domingo após um atacante drenar a Tectonic, o maior protocolo de empréstimos da rede. A Crypto.com afirmou que seu aplicativo e exchange não foram afetados.
A maior parte dos fundos não saiu da rede antes de os validadores interromperem as operações, o que provavelmente explica por que o preço do token CRO permaneceu estável e subiu cerca de 5%.
Como Cronos, Tectonic e Crypto.com estão relacionadas?
São nomes que representam itens distintos. A Crypto.com desenvolveu a Cronos, uma chain no estilo Ethereum, e emite o token CRO que a protege.
A Tectonic não utiliza o código da Crypto.com. Lançada em dezembro de 2021 por meio do incubador Cronos Labs, opera de forma independente.
Por isso, a afirmação da Crypto.com é correta, porém limitada. A exchange não foi exposta ao ataque. Já os investidores da Tectonic enfrentam uma situação diferente.
A Tectonic representava praticamente todo o mercado de empréstimos na Cronos. Ela detinha cerca de US$ 121,6 milhões, o que corresponde a 46% do valor total em DeFi na cadeia, segundo dados da DefiLlama. O segundo maior protocolo de empréstimo possui cerca de US$ 30 mil.
O que as empresas confirmaram?
A rede Cronos informou que identificou a exploração e suspendeu a produção de blocos. Já a Tectonic alertou usuários a ficarem afastados.
Kris Marszalek, CEO da Crypto.com, declarou que o app e a exchange funcionaram normalmente e que um relatório detalhado será divulgado posteriormente.
Nenhuma empresa afirmou se os investidores da Tectonic serão ressarcidos.
Por que este ataque à Tectonic pode ter um desfecho diferente?
O pesquisador Weilin Li estimou que cerca de US$ 75 milhões foram drenados. Apenas aproximadamente US$ 6 milhões chegaram ao Ethereum antes do congelamento, segundo Li informou. Cerca de US$ 60 milhões seguem bloqueados na Cronos, ou seja, 91% do valor não foi movimentado.
Esses números ainda são preliminares, pois nada está confirmado até a publicação do relatório final.
Como comparação, o ataque de US$ 8,7 milhões ao Moonwell ocorrido três dias antes permitiu a continuidade dos blocos pela Base. Os fundos foram movimentados.
A Cronos pôde ser interrompida devido à sua arquitetura. Ela utiliza o Tendermint, com um limite de 100 validadores, o que possibilita uma pausa coordenada.
Há precedentes. Em outubro de 2022, uma exploração em ponte emitiu US$ 570 milhões na BNB Chain. Em cinco horas, 26 validadores pausaram a rede e recuperaram cerca de US$ 470 milhões.
Esse cenário traz a questão abordada no debate sobre a paralisação da chain Linea. Uma chain que pode ser desligada por alguém também pode reverter fundos. É a mesma característica, analisada sob diferentes perspectivas.
Agora, os validadores precisam decidir: reverter operações, bloquear o atacante ou simplesmente restabelecer o sistema. Essa escolha definirá se os US$ 60 milhões ainda poderão ser recuperados.









