Câmara tenta derrubar regras do BC para stablecoins e eleva risco de lavagem

  • Deputado Rodrigo Valadares propõe suspender a Resolução nº 519 do Banco Central.
  • Reguladores alertam para aumento do risco de lavagem de dinheiro sem as normas.
  • BC afirma que regras mantêm o Brasil alinhado ao GAFI e ao FSB e protegem o sistema financeiro.
Promo

A discussão sobre as regras para stablecoins reacendeu preocupações sobre segurança financeira e alinhamento internacional no Brasil. Deputados federais estudam reverter regulamentações recém-publicadas pelo Banco Central, levantando temores de que a medida amplie os riscos de lavagem de dinheiro em transações com criptoativos.

O debate ganhou força após um golpe bilionário envolvendo criptos, o que aumentou a atenção sobre o papel dessas normas na proteção de consumidores, empresas e da credibilidade do sistema financeiro.

Proposta prevê suspensão de exigências recentes

Nesta semana, o deputado Rodrigo Valadares (União–SE) apresentou um projeto de decreto legislativo para suspender a Resolução nº 519 do Banco Central. A norma, publicada recentemente, classifica stablecoins atreladas a moedas estrangeiras como operações de câmbio e estabelece exigências como identificação de remetentes e rastreamento de transferências para prevenir ilícitos.

Patrocinado
Patrocinado

O parlamentar argumenta que as regras podem abrir espaço para a cobrança de impostos sobre operações financeiras, como o IOF, além de criar concorrência desigual entre empresas brasileiras e grupos internacionais. Autoridades financeiras, porém, afirmam que o objetivo não é tributar, mas reforçar mecanismos de segurança e manter o Brasil alinhado às obrigações internacionais.

Após consulta pública, o Banco Central publicou três resoluções hoje (13). Elas determinam que provedores de ativos virtuais mantenham capital mínimo entre 10,8 milhões e 17,2 milhões de reais, verifiquem a integridade dos sócios e utilizem apenas instituições estrangeiras devidamente reguladas.

Risco de lavagem de dinheiro domina o debate

O principal temor de reguladores é que a suspensão das normas coloque o país em desacordo com padrões exigidos por organismos como o GAFI e o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB). A preocupação ganhou novo impulso após a fraude registrada em maio, quando criminosos movimentaram R$ 1 bilhão pelo sistema de pagamentos e ocultaram parte dos recursos em transações internacionais com criptoativos, dificultando o rastreamento.

Em redes sociais, usuários destacaram a importância de regras rígidas para conter fraudes no mercado de stablecoins. O Banco Central reforça que normas claras facilitam a identificação de movimentações suspeitas e mantêm o Brasil em linha com as melhores práticas globais. Parte do setor privado, no entanto, critica o que considera excesso de exigências e alerta para possíveis prejuízos à competitividade frente a players internacionais menos restritos.

Impactos para o mercado e próximos passos

O debate ocorre em um momento de expansão do mercado cripto no Brasil e de maior uso de stablecoins em remessas e transações diárias. Especialistas alertam que a suspensão de normas focadas em prevenção à lavagem de dinheiro teria efeito imediato, deteriorando a percepção internacional sobre o país e aumentando a incerteza entre empresas locais.

Em discussões públicas, analistas ressaltam que, sem supervisão adequada, cresce o risco de uso de stablecoins para práticas ilícitas. O governo teme retrocessos no combate a crimes financeiros, enquanto críticos da regulamentação apontam custos adicionais e possíveis entraves à inovação. Para diversos especialistas, entretanto, uma regulação robusta é vista como essencial para a estabilidade e reputação do mercado no longo prazo.

A decisão do Congresso sobre o futuro das exigências para stablecoins pode redefinir a posição do Brasil no enfrentamento à lavagem de dinheiro e influenciar o desenvolvimento de normas semelhantes em toda a América Latina.


Para ler as análises mais recentes do mercado de criptomoedas da BeInCrypto, clique aqui.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.

Patrocinado
Patrocinado