Voltar

Sob pressão, Caixa avalia riscos da federalização do BRB

Prefira-nos no Google
sameAuthor avatar

Escrito e editado por
Lucas Espindola

23 fevereiro 2026 12:00 BRT
  • Caixa quer apenas carteiras saudáveis do BRB — sem ativos do Master.
  • Rombo pode superar o patrimônio líquido do banco e violar regras do BC.
  • Federalização é improvável agora, mas efeito dominó atinge 5 entes federativos.
Promo

A Caixa Econômica Federal estuda a compra de carteiras de crédito do Banco de Brasília (BRB) — banco controlado pelo governo do Distrito Federal que acumula um rombo estimado em até R$ 5 bilhões após comprar ativos fraudulentos do Banco Master.

A negociação está em fase inicial. O interesse da Caixa é restrito: apenas carteiras originadas pelo próprio BRB, sem nenhum ativo ligado ao Master.

O que é uma carteira de crédito? É um conjunto de empréstimos que um banco tem a receber. Vendê-la significa transferir esse direito de recebimento para outra instituição, em troca de liquidez imediata — ou seja, dinheiro no caixa agora.

Patrocinado
Patrocinado

A operação seria uma injeção de oxigênio para o BRB reorganizar o balanço sem que a Caixa assuma os riscos do rombo contábil.

O problema

O BRB comprou carteiras de crédito do Master que somam R$ 21,9 bilhões em ativos contestados. O Banco Central apurou que parte dessas operações não tinha lastro real — os chamados “títulos podres” — e determinou uma provisão de R$ 2,6 bilhões no balanço do banco.

Provisão contábil é o reconhecimento antecipado de uma perda provável. Quando o regulador exige isso, o patrimônio do banco cai.

O patrimônio líquido do BRB estava estimado em R$ 4 bilhões no segundo trimestre de 2025. Com a provisão exigida, o banco corre o risco de descumprir as regras prudenciais do Banco Central — os limites mínimos de capital que todo banco é obrigado a manter.

Patrocinado
Patrocinado

A pressão pela federalização

A federalização do BRB — ou seja, sua absorção por um banco público federal como Caixa ou Banco do Brasil — circula como hipótese nos bastidores desde que a crise se agravou.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a corte acompanhe o processo. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado alertou que a medida não é trivial: envolve transferência de ativos, passivos e responsabilidades para a União, com impacto no equilíbrio fiscal.

Pessoas com conhecimento interno do BRB avaliam que a federalização é improvável no cenário atual. Ela só ganharia força se o Banco Central colocasse o BRB sob regime especial de intervenção — o que ainda não ocorreu.

O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), minimizou as especulações. Lideranças políticas preferem manter o banco sob controle distrital. Para o mercado financeiro, a alternativa mais bem recebida seria a privatização.

O efeito dominó

A crise do BRB tem alcance além do DF. O banco venceu licitações para operar os depósitos judiciais dos tribunais de Justiça da Bahia, Maranhão, Alagoas e Paraíba — o chamado “pix judicial”, ferramenta que agiliza a liberação de verbas determinadas pela Justiça.

Depósito judicial é o dinheiro que fica retido em banco durante processos na Justiça e só é liberado após decisão judicial.

Sem um aporte significativo, o BRB pode ter dificuldade para honrar esses compromissos. Os quatro estados têm situação fiscal delicada e não conseguiriam resolver o problema sozinhos. O rombo potencial em cofres públicos de cinco entes federativos chega a R$ 30 bilhões, segundo pessoas que acompanham de perto o caso.

Onde está a Caixa nisso?

Banco do Brasil e Caixa não analisaram formalmente os ativos do BRB. Nenhum dos dois está autorizado pela União a avaliar apoio ao banco distrital de forma oficial.

A Caixa também não participou, até agora, da compra de carteiras de crédito do BRB — estratégia que alguns bancos privados já adotaram para injetar liquidez na instituição.

A sinalização de interesse em carteiras saudáveis do BRB é o primeiro movimento concreto do banco federal na crise. Mas as tratativas ainda são iniciais, sem acordo fechado.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.

Patrocinado
Patrocinado