Brasil tokenizou 10 bois na B3: isso é realmente um cripto token?

  • Dez vacas tokenizadas garantiram um empréstimo de US$ 20 mil registrado na B3.
  • O acordo é realizado com uma cédula rural de crédito criada há décadas, sem envolvimento de token em blockchain.
  • Coleiras inteligentes fazem o trabalho real e criam garantias que comprovam que está vivo.
Promo

Dez vacas leiteiras no Paraná foram usadas como garantia em um empréstimo registrado na B3, principal bolsa brasileira, em uma operação considerada um marco para as chamadas vacas tokenizadas. Um detalhe, porém, passou despercebido: não há cripto token envolvido.

A operação de R$ 100 mil (cerca de US$ 20 mil) utiliza um título de crédito tradicional brasileiro e uma identidade digital criptografada gerada a partir de dados de sensores. Nada disso é negociado em blockchain.

Vacas tokenizadas: nota de crédito tradicional, não um ativo em blockchain

O produtor da Fazenda Engenho Velho, em Imbituva, Paraná, assinou uma Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F), título de crédito rural usado pelo agronegócio brasileiro há décadas. O empréstimo foi concedido pela BMP Sociedade de Crédito Direto, segundo a Exame.

Patrocinado
Patrocinado

O Target FIDC, fundo de investimento em direitos creditórios, adquiriu posteriormente os direitos creditórios e registrou a operação na infraestrutura convencional da B3. Dez vacas da raça holandesa avaliadas em R$ 120 mil compõem a garantia do crédito como bens móveis.

Cada vaca possui uma identidade digital criptografada, criada pela empresa de agritech Cowmed a partir de dados de coleiras sobre saúde, localização e comportamento. Thiago Martins, executivo da Cowmed, afirmou à CNN Brasil que a digitalização permite o registro formal de cada vaca na B3 como bem móvel.

Entretanto, não há uso de blockchain pública, token negociável ou carteira digital.

A coleira faz o que o blockchain não consegue

As coleiras fornecem o que os financiadores rurais sempre buscaram: garantia viva. O monitoramento contínuo substitui vistorias presenciais e impede produtores de utilizar o mesmo animal como garantia mais de uma vez. O produtor pode, ainda, trocar um animal morto por um vivo.

Os planos de expansão são expressivos. A Cowmed monitora cerca de 100 mil vacas leiteiras em mais de mil propriedades, um rebanho avaliado em mais de R$ 2 bilhões. As parceiras projetam até R$ 400 milhões (cerca de US$ 77,6 milhões) em crédito garantido por rebanho caso 20% da rede adote o modelo.

Enquanto isso, o histórico mostra que a tecnologia blockchain nunca foi o maior desafio. A Mongólia utilizou um registro digital tradicional para registrar 670 mil garantias móveis até meados de 2023, sendo o rebanho responsável por cerca de um quarto desses registros.

A denominação “tokenização” continua atraente, mesmo que especialistas questionem se o boom de RWA é uma ilusão e o crescimento permaneça restrito a ativos tokenizados como ouro e ações.

O verdadeiro resultado do piloto é a geração de dados verificados, o que reduz o risco para financiadores. Se a promessa de R$ 5 milhões em operações até o fim do ano superar as condições tradicionais de crédito rural, será possível avaliar se a designação “token” se justifica.


Para ler as análises mais recentes do mercado de criptomoedas da BeInCrypto, clique aqui.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.

Patrocinado
Patrocinado