Blockchain contribui para a redução das perdas de café e melhorias no transporte

5 outubro 2022, 21:00 -03
Atualizado por Aline Fernandes
5 outubro 2022, 21:00 -03
EM RESUMO
  • Maersk investe em tecnologia blockchain e logística melhora.
  • Uma em cada três xícaras de café consumidas no mundo vem do Brasil.
  • Documentação para o transporte das milhares toneladas do grão está sendo compartilhada via blockchain.
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O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café com mais de US$ 6 bilhões de receita gerada com a exportação do produto. Para garantir o transporte seguro, eficiente e sem desperdício para várias partes do globo, uma das empresas de transporte marítimo está usando tecnologia blockchain, já que uma em cada três xícaras de café consumidas no mundo vem do Brasil, segundo a Organização Internacional do Café.

Pensando nessa bela fatia do mercado a Maersk investiu na tecnologia blockchain para transportar grãos e já está colhendo bons frutos com a iniciativa.

As principais regiões produtoras do país são o sul de Minas Gerais e o norte do estado de São Paulo, enquanto o Porto de Santos é responsável por 70% das exportações nacionais. Os maiores compradores do café plantado/produzido no Brasil são EUA (7.8 milhões de sacas), Alemanha (6.5 milhões de sacas), Itália (2.9 milhões de sacas), Bélgica (2.8 milhões) e Japão (2.5 milhões). 

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A Europa é um dos maiores consumidores do café brasileiro, com uma média de 12.3 milhões de sacas exportadas para o continente. Em seguida, estão os Estados Unidos com quase 8 milhões de sacas. E, para garantir que o grão chegue às mais distantes localidades consumidoras da bebida no mundo, o transporte é um ponto essencial.

Para transportar o grão para extremos do globo é preciso lidar com uma mistura complexa de prestadores de serviços, lacunas de visibilidade em locais do interior e fluxo manual de documentos comerciais em papel – ou seja, situações que geram atrasos na entrega, comunicação inacessível e em casos mais extremos, prejuízos e perda da mercadoria.

“As exportações realizadas pelo grupo Maersk, nestes cinco maiores consumidores de café, contam com saídas regulares semanais. Com exceção do Japão que possui uma média de trânsito de 39 dias, o transporte para os demais países dura em média 23 dias e para trazer mais visibilidade no transporte do grão, a empresa tem investido em soluções tecnológicas, como o Blockchain”, destaca a gerente de Vendas – Head de FMCG da Hamburg Süd , Beatriz Soares.


Blockchain garante eficiência do transporte

O mercado geral de café continua crescendo devido a expansão das plantações, aumento da eficiência da mecanização e apoio logístico de ponta a ponta com tecnologia baseada em Blockchain, que facilita o acompanhamento dos contêineres e o compartilhamento de informações solucionando os problemas de falta de comunicação, integração e visibilidade.

“A Blockchain também tem sido uma grande ferramenta para reduzir perdas na pós-colheita, permitido que o processo de transporte seja mais seguro e eficiente com a garantia de um registro compartilhado e imutável de todas as transações que ocorrem em uma rede e permite que as partes autorizadas acessem dados protegidos em tempo real”, explica Beatriz.

Solução transparente 

Kay Lohse, gerente geral ICL Internationale Commodity Logistik GmbH da Neumann Kaffee Gruppe (NKG), uma das maiores exportadoras brasileiras de café, implementou a tecnologia baseada em blockchain, diz que revolucionou o transporte do grão.

“A solução permitiu a visibilidade de ponta a ponta e está melhorando a comunicação de todos os parceiros do ecossistema à medida que recebem dados de eventos que os ajudam a coordenar esforços, mitigar riscos e replanejar rapidamente após atrasos”, afirma Lohse 

Por meio da tecnologia a empresa ganhou visibilidade das atividades no interior de suas operações brasileiras pela primeira vez em sua longa história na região. A empresa conseguiu integrar rapidamente novos parceiros do ecossistema, incluindo transportadoras, caminhoneiros, terminais e exportadores, à plataforma que consegue verificar o status dos contêineres em tempo real.

Desafios


Kay Lohse conta que antes de implantar a solução baseada em blockchain, com tantos fornecedores e prestadores de serviços, muitas vezes em locais remotos, era quase impossível rastrear os contêineres o tempo todo.

“Os sites das transportadoras forneciam as melhores informações disponíveis, mas consolidá-las levava tempo e normalmente não forneciam detalhes de eventos no interior, como entrega de contêineres vazios, enchimento, vedação ou chegada ao terminal”. 

Outro desafio para o transporte era a dependência tradicional do importador de conhecimentos de embarque em papel (BL), que precisavam ser enviados internacionalmente, representava risco de perda de documentos e atraso na liberação da carga.

 “A solução permitiu que os parceiros do ecossistema mudassem de BLs originais para conhecimentos de embarque digital, compartilhadas de forma segura e instantânea pela plataforma, gerando mais segurança e agilidade em todo este processo”, afirma a gerente de Vendas – Head de FMCG da Hamburg Süd .

Atualmente, o sistema está integrado a mais de 220 organizações, com dados de mais de dez transportadoras marítimas e mais de 600 portos e terminais ao redor do mundo.

Consumo de Café

Segundo a Organização Internacional do Café, mais de 2 bilhões de xícaras da bebida são servidas diariamente nos seis continentes. Os europeus dominam o ranking dos países que mais consomem a bebida. Entre 25 países que mais bebem café, apenas Canadá, Líbano, Brasil e Estados Unidos não estão no velho continente.  

Nos EUA, o consumo de café atingiu a maior alta em 20 anos, de acordo com a National Coffee Association. O relatório de 2022  descobriu que 60% da população norte-americana bebe café todos os dias – um aumento de 14% desde janeiro de 2021. 

Por aqui, o consumo também cresceu, de acordo com a última pesquisa realizada em setembro de 2021, pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), pelo Instituto Axxus e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pandemia estimulou o consumo e 72% dos entrevistados declararam que a bebida ajudou a enfrentar os piores momentos do período. 

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