Alessandro Cecere, gerente de negócios da Luxor, afirma que a Venezuela reúne condições favoráveis para reativar a mineração de Bitcoin, impulsionada pelo excedente energético e abertura ao investimento estrangeiro.
Esse novo cenário contrasta com as restrições anteriores e sugere uma mudança estrutural. A seguir, analisamos por que a Venezuela pode voltar a ser um player relevante na mineração de Bitcoin.
O que significa a reabertura da mineração de Bitcoin na Venezuela?
Segundo Cecere—também conhecido como Sultán Bitcoin—a Venezuela possui mais de 36 GW de capacidade instalada frente a uma demanda máxima histórica de 17 GW. Essa diferença representa energia ociosa que pode ser utilizada de forma produtiva.
Além disso, o país conta com grandes reservas de petróleo e queima gás associado que poderia ser convertido em eletricidade. Esse contexto coloca a mineração como alternativa eficiente para uso dos recursos subaproveitados.
O ambiente regulatório mudou expressivamente desde janeiro de 2026. Após acontecimentos geopolíticos recentes—como a captura de Nicolás Maduro, a reunião de Donald Trump com representantes da indústria petrolífera na Casa Branca, e a reforma da Lei de Hidrocarbonetos na Venezuela—a entrada de empresas internacionais de energia e a alteração de legislações importantes foram facilitadas.
Licenças recentes permitiram exportação de petróleo, fornecimento de tecnologia e novos contratos de investimento. Em especial, as autorizações emitidas em março permitem que empresas gerem, transmitam e distribuam energia elétrica no país.
Essa alteração permite que empresas de mineração fechem acordos energéticos diretamente. Além disso, viabiliza investimentos privados sem aumentar a dívida pública.
Nesse contexto, a mineração de Bitcoin surge como consumidora ideal para a energia excedente. O setor pode utilizar a capacidade extra de forma flexível e ajustar-se rapidamente à demanda da rede elétrica.
Ao contrário de outros setores, a mineração pode ser desligada sem comprometer processos críticos. Isso a torna uma ferramenta útil para estabilizar sistemas energéticos em desenvolvimento.
“… O que isso representa para a mineração de Bitcoin? A Venezuela tem energia ociosa, gás queimado e urgência de capital para reconstruir sua rede elétrica sem contrair mais dívidas. A mineração de Bitcoin é o comprador de última instância ideal: consome cada megawatt excedente, pode ser desligada imediatamente para equilibrar a rede (diferente da computação com IA) e atrai investimentos por meio de PPAs de longo prazo no lugar de endividamento”, destacou Sultán Bitcoin.
Além disso, os acordos de compra de energia possibilitam financiar a infraestrutura. Por exemplo, aumentar a produção de petróleo exigiria cerca de 2 GW adicionais de energia e investimentos relevantes. A participação de mineradores pode ajudar a cobrir esses custos.
Empresas internacionais podem contribuir com equipamentos, tecnologia e recursos financeiros. Esse modelo faz com que a mineração não apenas consuma energia, mas também impulsione sua expansão.
O cenário atual contrasta com os últimos anos. Em maio de 2024, a mineração foi restrita por motivos regulatórios e da crise energética. Isso levou ao fechamento de operações e à apreensão de equipamentos.
Agora, a perspectiva tende a ser outra. Com o alívio de sanções e reformas em andamento, a mineração é considerada uma ferramenta para reativação econômica. Ela também pode atrair capital estrangeiro e criar novas fontes de receita.
Nesse sentido, a Venezuela pode ser considerada um “gigante adormecido” com potencial significativo. O diferencial estará em quais empresas tomarão a dianteira nesse novo contexto.
Em resumo
A mineração de Bitcoin no país vive um momento crucial. Mudanças regulatórias, disponibilidade energética e abertura ao investimento formam um quadro favorável para a retomada do setor.
Esse processo envolve não só a reativação de uma indústria, como também a integração da mineração à estratégia nacional de energia. O desenvolvimento depende da execução e do interesse de investidores estrangeiros.