A rede Ethereum vive sua fase mais ativa até o momento. No entanto, isso não necessariamente aponta para uma perspectiva otimista. Dados on-chain recentes revelam que Ethereum atingiu um marco importante, com a contagem de transferências alcançando um recorde histórico. No passado, sinais semelhantes nem sempre resultaram em desempenho positivo para os preços.
Além disso, um aumento expressivo nas entradas em exchanges levanta preocupações de que a pressão vendedora ainda não foi superada.
SponsoredComo a situação atual da Ethereum se compara a 2018 e 2021?
No início de fevereiro, dados da CryptoQuant mostram que a Contagem de Transferências do Ethereum — ou seja, o total de movimentações de tokens —, calculada por uma média móvel de 14 dias, chegou ao nível recorde de 1,1 milhão.
A princípio, esse número parece positivo. Ele indica crescimento consistente da rede e adoção mais ampla do Ethereum.
No entanto, uma análise detalhada sugere que esse dado pode não ser o indicativo de alta aguardado pelo mercado. O movimento pode sinalizar uma fase corretiva ou até marcar um topo cíclico nos preços, conforme acontecimentos anteriores.
O analista CryptoOnchain, da CryptoQuant, destaca dois momentos em que o aumento da atividade na rede Ethereum antecipou topos no mercado.
Sponsored- Em 18 de janeiro de 2018, durante o auge do boom das ICOs, as transações do Ethereum dispararam. Logo depois, o ETH caiu de cerca de US$ 1.400 para menos de US$ 100 ao final do ano. Essa queda arrastou todo o mercado de cripto para um “inverno cripto”, que durou dois anos.
- Em 19 de maio de 2021, em meio ao crescimento expressivo de DeFi e NFTs, a métrica alcançou novo patamar recorde. Na sequência, o mercado inverteu com força, com o ETH recuando de mais de US$ 4 mil para menos de US$ 2 mil.
O motivo é direto: maior movimentação de ETH geralmente indica que mais investidores estão retirando recursos das carteiras, em transações expressivas. Esse comportamento pode demonstrar tentativas de venda diante da piora nas expectativas futuras.
“O atual cenário apresenta semelhanças marcantes com estruturas observadas em 2018 e 2021. Embora o ambiente macroeconômico seja distinto, o comportamento on-chain dos participantes sugere que atravessamos uma zona de alto risco”, afirmou CryptoOnchain, analista da CryptoQuant.
Essa avaliação ganha reforço com a alta brusca no indicador Ethereum Exchange Inflow (Top 10), após o ETH recuar de US$ 2.300 no início de fevereiro.
O Ethereum Exchange Inflow (Top 10) mede o volume transferido nas dez maiores entradas de ETH nas exchanges. Dados elevados indicam um crescimento no número de investidores que depositam grandes quantias de uma só vez. Esse padrão costuma apontar para pressão vendedora e eventual continuidade das quedas.
No dia 3 de fevereiro, esse indicador saltou para 1,3 milhão, maior patamar em doze meses. Dois dias depois, o ETH caiu de US$ 2.230 para menos de US$ 2.100.
Segundo análise do BeInCrypto, uma reversão de tendência só seria confirmada caso Ethereum recupere o patamar de ao menos US$ 3 mil. No curto prazo, o ETH pode continuar em queda rumo ao suporte em US$ 2 mil, já que a pressão vendedora ainda persiste.