Agressões violentas envolvendo criptoativos resultaram no roubo estimado de US$ 30 milhões de investidores no primeiro semestre de 2026. O ritmo deste ano coloca 2026 prestes a ultrapassar o recorde de US$ 58 milhões registrado em 2025, segundo novo relatório da Chainalysis.
O levantamento considera apenas os furtos bem-sucedidos. A França é responsável pela maior parte desse aumento, concentrando 30 incidentes conhecidos em 2026 e se posicionando como o principal foco global dos chamados wrench attacks.
França se destaca como principal foco mundial de ataques violentos com criptoativos
Até 2025, a França registrava poucos casos de violência ligados a criptoativos. Esse volume aumentou para 19 no ano passado e chegou a 30 até metade de 2026.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou anteriormente que as autoridades já documentaram 77 desses episódios. Ele também anunciou a implantação de um sistema de alerta rápido para proteger figuras de destaque do setor.
Na análise dos investigadores, o salto está ligado a uma violação em 2024. Um funcionário francês da Receita teria furtado e comercializado dossiês de investidores de alto patrimônio, expondo nomes, endereços, valores investidos e contatos telefônicos.
O ritmo dos casos segue essa mudança. Em 2025, a média foi de aproximadamente 1,9 ataque por mês. No primeiro semestre de 2026, subiu para cerca de 4,6.
O relatório destacou dois fatores, ambos registrados em janeiro de 2026. Primeiro, autoridades francesas revelaram o caso da Receita. Isso chamou atenção para o problema, mas pode ter provocado uma reação criminosa, acelerando o uso dos dados vazados.
Além disso, a Waltio, empresa de declaração fiscal, revelou um vazamento que afetou cerca de 50 mil usuários, ampliando a base de alvos em potencial.
Eric Jardine, chefe de pesquisa na Chainalysis, afirmou ao BeInCrypto que bancos de dados com informações sensíveis de investidores seguem como alvo para criminosos.
“… Sempre que um repositório central reúne dados valiosos e exploráveis, agentes ilícitos tentarão violá-lo. Isso é ainda mais relevante quando se trata de informações como dados fiscais. Adotar controles rigorosos de acesso a esses dados é uma maneira eficaz de mitigar riscos”, afirmou Jardine.
Fora da França, os maiores volumes acumulados de episódios violentos desde 2023 estão nos EUA, Brasil e Tailândia.
“A Tailândia é um destino favorável à cripto, recebendo muitos expatriados e turistas. Parte desse público traz consigo seus ativos digitais. Uma consequência desse movimento é o aumento do número de vítimas em potencial de wrench attacks”, explicou Jardine.
Taxa de sucesso cai enquanto familiares viram alvo
Apesar do aumento nos casos, a Chainalysis identificou queda expressiva no êxito das ações criminosas. Apenas 26% das tentativas tiveram sucesso até o fim de junho, abaixo dos 49% em 2025 e dos 67% em 2024.
Segundo Jardine, a redução nas recompensas ainda não alterou o padrão dos criminosos. Vazamentos de dados de investidores em cripto continuam impulsionando episódios, mesmo que a taxa de sucesso caia.
O perfil dos crimes também mudou. Invasões domiciliares subiram para 37% dos registros em 2026, acima dos 14% do ano anterior, enquanto os sequestros seguem sendo a categoria mais comum, respondendo por 52% dos casos.
Cresce a estratégia de envolver parentes próximos como forma de pressão. Familiares ou conhecidos hoje representam entre 25% e 30% das ocorrências no mundo e mais de 40% dos casos na França.
Para os investidores, a principal lição é a segurança operacional. Expor patrimônio digital em redes sociais, conferências ou por atividades on-chain ligadas ao nome verdadeiro transforma usuários em alvos.









