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Quão segura é a blockchain?

7 mins
Atualizado por Airí Chaves

A tecnologia blockchain está transformando a maneira como fazemos negócios, permitindo que os consumidores eliminem os intermediários em vários serviços vitais, reduzindo custos e aumentando a eficiência. Desde que começou a ser adotada por pessoas e empresas, a blockchain trouxe uma infinidade de benefícios para seus usuários. Além disso, a blockchain é considerada uma tecnologia descentralizada e segura.

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Mas quão segura? Mais especificamente, as tecnologias baseadas em blockchain podem oferecer simultaneamente confiança e privacidade para garantir registros privados e invioláveis? Neste artigo, vamos entender quão segura é a tecnologia blockchain.

Neste artigo:

O que é a blockchain?

blockchain

Uma blockchain é um livro-razão distribuído que não pode ser adulterado e é usado para validar e armazenar registros transacionais digitais. Pense na blockchain como um livro de contabilidade comum, com uma única diferença, os dados inseridos no livro de contabilidade não podem ser adulterados e perdidos. A manutenção de uma blockchain não é responsabilidade de uma única autoridade. Em vez disso, em uma rede ponto a ponto (P2P), cada computador armazena uma cópia do livro razão e as transações são confirmadas por um método de consenso descentralizado.

As transações são salvas em blocos permanentes, unidades com carimbo de data/hora. Cada bloco é vinculado (encadeado) ao bloco anterior por um hash criptográfico gerado a partir do conteúdo do bloco anterior. Não entendeu? Pense em uma corrente, onde cada elo é conectado ao anterior.

Por causa das ligações de hash, é difícil atualizar os dados em um bloco sem afetar todos os outros blocos da cadeia simultaneamente. Na prática, isso implica que qualquer esforço para alterar ou excluir dados fará com que a cadeia criptográfica seja quebrada, alertando todos os nós da rede sobre o problema.

Além disso, as blockchains são divididas em duas categorias: públicas e privadas. Qualquer pessoa pode acessar o registro e participar do mecanismo de consenso em uma blockchain pública. No entanto, o mecanismo de consenso em uma blockchain privada é limitada a nós específicos na rede, e as visualizações do registro privado também podem ser restritas. Ou seja, qualquer pessoa pode acessar uma blockchain pública, mas para acessar uma blockchain privada o usuário precisa de uma permissão.

Usos da blockchain

A blockchain foi inicialmente utilizada para suportar uma moeda digital. Ainda assim, atualmente está sendo utilizada por uma ampla gama de empresas como um sistema de banco de dados descentralizado para permitir contratos inteligentes, gerenciamento de registros de saúde e gerenciamento de identidade e acesso (IAM).

O que torna a blockchain segura?

Vários processos tornam a blockchain segura, incluindo algoritmos criptográficos avançados e modelos matemáticos de comportamento e tomada de decisão, são usados ​​para proteger as blockchains. A estrutura básica da maioria dos sistemas de criptomoeda é a tecnologia blockchain, que proíbe que o dinheiro digital seja duplicado ou destruído.

O uso da tecnologia blockchain em outros contextos onde a imutabilidade e a segurança dos dados são altamente valorizadas também está sendo investigado. O ato de registrar e rastrear doações de caridade, bancos de dados médicos e gerenciamento da cadeia de suprimentos são apenas alguns exemplos.

A segurança da blockchain, por outro lado, está longe de ser simples. Como resultado, é fundamental compreender os princípios e métodos fundamentais que garantem que esses sistemas de ponta estejam bem protegidos.

Segurança x privacidade

A tecnologia blockchain promete ser segura e proporcionar privacidade. Embora possa ser difícil obter segurança e privacidade simultâneas em um sistema de informação convencional, a blockchain pode fazê-lo permitindo a confidencialidade por meio de uma “infraestrutura de chave pública” que protege contra tentativas maliciosas de alterar dados e mantendo o tamanho de um livro-razão. Quanto maior e mais distribuída a rede, mais segura ela é considerada.

Além disso, outras preocupações percebidas sobre a blockchain incluem escalabilidade limitada, privacidade de dados insuficiente e falta de padrões harmonizados do setor.

Por exemplo, mesmo com tecnologias de aprimoramento da privacidade, como criptografia e gerenciamento de identidade, as transações de blockchain podem ser vistas em todos os nós da rede. Os nós produzem metadados e a análise estatística pode revelar informações até mesmo de dados criptografados, permitindo o reconhecimento de padrões. Por exemplo, é possível saber de qual carteira um bitcoin foi transferido e qual carteira recebeu esse bitcoin, como se fosse uma transação bancária, onde você pode ver as contas que enviaram e receberam a transação. No entanto, você não sabe quem é o dono dessas contas.

Escalabilidade

blockchain privada x blockchain pública

Vitalik Buterin, co-fundador do Ethereum, disse que existe um “trilema da blockchain” no qual apenas duas das três propriedades da blockchain – descentralização, segurança ou escalabilidade – podem ser alcançadas.

Nos protocolos de contabilidade distribuídos, cada nó armazena e processa todas as transações e mantém uma cópia de todo o “estado” dos saldos das contas, contratos, armazenamento e assim por diante. A execução de um nó completo permite que os usuários tenham privacidade e segurança, mas é complicado, pois o número de transações aumenta constantemente, dificultando a escalabilidade.

Se os desenvolvedores aumentam o tamanho de um bloco para acomodar mais transações, o volume de dados que precisam ser armazenados também cresce. Assim, à medida que cada nó atingir a capacidade, apenas algumas grandes empresas terão os recursos para executá-los, colocando descentralização e escalabilidade em desacordo. Os desenvolvedores estão procurando maneiras de contornar o trilema. O trilema da blockchain é um problema que atinge as blockchains públicas.

No entanto, vale a pena notar que as blockchains privadas não enfrentam tais problemas de escalabilidade e podem lidar com significativamente mais transações por segundo.

Imutabilidade

Embora muitos elementos contribuam para a segurança da blockchain, as ideias de consenso e imutabilidade são duas das mais significativas. A capacidade dos nós em uma rede blockchain de concordar com o verdadeiro estado da rede e a autenticidade das transações é chamada de consenso. Os chamados algoritmos de consenso são normalmente usados ​​no processo de obtenção de consenso.

Por outro lado, a imutabilidade se refere à capacidade de uma blockchain de proibir que as transações sejam alteradas após serem confirmadas. Embora essas transações sejam frequentemente associadas à transferência de criptomoedas, elas também podem se referir ao armazenamento de dados digitais não monetários.

Consenso e imutabilidade, quando combinados, formam a base para a segurança de dados em redes blockchain. Depois que cada novo bloco de dados é comprovado como genuíno, a imutabilidade garante a integridade dos dados e registros de transações. Em contraste, as técnicas de consenso fornecem que as regras do sistema sejam obedecidas e que todas as partes envolvidas concordem com o estado atual da rede.

Não entendeu? Pense que o consenso é a equipe do trabalho, que precisam trabalhar em consenso entre si para garantir que o trabalho seja concluído. Imagine que um nó (colega de trabalho) insira uma informação no livro razão (livro contável) e que todos os outros colegas de trabalho validem a informação como verdadeira.

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Criptografia

Para alcançar a segurança dos dados, as blockchains dependem significativamente da criptografia. As funções de hash criptográfico são essenciais nesse cenário. Hashing é um procedimento no qual um algoritmo (função hash) consome qualquer tamanho de entrada de dados e retorna uma saída previsível e de tamanho fixo (hash) (ou comprimento). Simplificando, o hashing pode ser entendido como uma operação que gera um identificador (como um número) único e que não se repete. Esse identificador é gerado a partir de informações.

Além disso, a saída terá o mesmo comprimento, independentemente do tamanho da entrada. No entanto, se a entrada variar, o resultado mudará drasticamente. No entanto, não importa quantas vezes você execute a função hash, e o hash final sempre será o mesmo se a entrada não mudar.

Esses números de saída, conhecidos como hashes, são utilizados como identificadores exclusivos para blocos de dados em blockchains. Além disso, o hash de cada bloco é calculado com o hash do bloco anterior, resultando em uma cadeia de blocos conectados. Como o hash do bloco é determinado pelos dados contidos nesse bloco, toda alteração exige uma alteração no hash do bloco. Para facilitar o entendimento sobre hashes, continue pensando na blockchain como uma corrente e nos blocos como os elos das correntes.

Como resultado, o hash de cada bloco é calculado usando os dados desse bloco e o hash do bloco anterior. Esses identificadores de hash são essenciais para a segurança e a imutabilidade dos blockchains.

A criptografia desempenha um papel na garantia da segurança das carteiras usadas para manter as unidades de criptomoeda e na proteção dos registros de transações nos livros contábeis. 

O potencial da blockchain

Apesar de ser um assunto complexo, a blockchain vem provando que é segura, ainda que os desenvolvedores precisem trabalhar o problema do trilema da blockchain. Várias empresas e organizações já enxergaram os benefícios da blockchain e já utilizam a tecnologia no seu dia-a-dia. Por exemplo, dois grandes bancos australianos usaram com sucesso a blockchain para garantias bancárias relacionadas ao arrendamento de propriedades comerciais de uma operadora de shopping center. A garantia digitalizada criou uma única fonte de informação com menor potencial de fraude e maior eficiência.

Os blocos de dados “irreversíveis” e criptografados da blockchain também ajudam a combater o cibercrime, pois as tentativas de um hacker de alterar os dados serão sinalizadas imediatamente.

Além disso, a adoção da blockchain por empresas brasileiras não é nenhuma novidade. Empresas da área do agronegócio utilizam a blockchain na venda de gado e commodities, como a soja. O próprio governo brasileiro utiliza a blockchain para certificar a existência de documentos. No início de 2022, o governo brasileiro lançou a rede blockchain Brasil, para aprimorar os serviços públicos.

Resumindo, a tecnologia blockchain pode ser robusta, segura, confiável e privada. A sua segurança é garantida por uma arquitetura sólida, práticas de design seguras e políticas de fluxo de trabalho eficazes.

Então, os benefícios potenciais da blockchain superam os riscos? Sim, desde que sejam executados corretamente.

Perguntas frequentes

Por que o blockchain é seguro?

Quais os riscos da blockchain?

Qual a segurança do blockchain?

É impossível fraudar uma rede de blockchain?

Quem controla a blockchain?

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Airí Chaves
Com formação em marketing pela Universidade Estácio de Sá e um mestrado em liderança estratégica pela Unini, escreve para diversos meios do mercado de criptomoedas desde 2017. Como parte da equipe do BeInCrypto, contribuiu com quase 500 artigos, oferecendo análises profundas sobre criptomoedas, exchanges e ferramentas do setor. Sua missão é educar e informar, simplificando temas complexos para que sejam acessíveis a todos. Com um histórico de escrita para renomadas exchanges brasileiras,...
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