O Bitcoin registrou forte queda hoje (27), diante da intensificação das tensões geopolíticas, recuando para cerca de US$ 65.200 após vários dias de tentativas de recuperação em direção aos US$ 70 mil. O recuo ocorreu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu a possibilidade de uma “aquisição amigável” de Cuba, enquanto Washington reforçava sua postura militar em Israel.
Essas notícias trouxeram incertezas aos mercados globais. O setor de cripto, que mostrava sinais de estabilização, respondeu rapidamente.
Trump sobre Cuba: “Talvez façamos uma aquisição amigável”
Em declaração nesta terça-feira (24), Trump afirmou que o governo cubano está “com grandes problemas” e “conversando conosco”, acrescentando que os Estados Unidos poderiam adotar uma “aquisição amigável”. O ex-presidente descreveu Cuba como financeiramente vulnerável e aberta a negociações.
A fala ocorre após semanas de pressão crescente. Desde janeiro de 2025, ao retornar ao cargo, Trump restabeleceu e ampliou políticas de máxima pressão contra Havana.
No fim de janeiro de 2026, Trump assinou uma ordem executiva declarando estado de emergência nacional em relação a Cuba e ameaçando tarifar qualquer país que forneça petróleo à ilha.
A medida representou, efetivamente, um bloqueio ao fornecimento de petróleo. Cuba depende fortemente de combustível venezuelano e mexicano. Com a interrupção dos envios devido à pressão dos Estados Unidos, a ilha enfrentou apagões, escassez de combustível em aeroportos e agravamento da crise econômica.
Como a crise de Cuba se agravou
As tensões se acirraram nesta semana após um incidente marítimo fatal. Militares cubanos interceptaram uma lancha de bandeira americana próxima ao limite de suas águas territoriais. Quatro pessoas morreram na ação.
Havana classificou o grupo como infiltrados armados. Washington negou envolvimento, mas abriu investigações.
Enquanto isso, a gestão Trump autorizou, por um breve período, que fluxos humanitários limitados de petróleo chegassem à ilha por meio de canais privados.
Entretanto, as pressões econômicas em geral seguem mantidas.
Nesse contexto, a expressão “aquisição amigável” ganha relevância. Ela indica, provavelmente, a possibilidade de uma transição política negociada sob influência dos Estados Unidos, não uma intervenção militar.
Mesmo assim, a escolha das palavras é delicada. Cuba construiu sua identidade resistindo à influência norte-americana por mais de seis décadas.
Reforço militar dos Estados Unidos em Israel
Paralelamente, os Estados Unidos reforçaram a presença militar em Israel, em meio ao aumento das tensões com o Irã.
Jatos de combate avançados e outros recursos foram mobilizados para a região. O Departamento de Estado também autorizou a retirada de parte do corpo diplomático considerado não essencial.
Apesar de autoridades descreverem a estratégia como medida de dissuasão, o mercado interpreta como aumento do risco geopolítico. Oriente Médio e Caribe encontram-se agora sob campanhas simultâneas de pressão dos Estados Unidos.
Bitcoin reage a risco global
O Bitcoin vinha tentando recuperar os US$ 70 mil nas últimas sessões. No entanto, a moeda inverteu o movimento, caindo mais de 3% em 24 horas. A queda indica que operadores estão reduzindo exposição ao risco.
O setor de cripto geralmente responde à incerteza macroeconômica em duas etapas. Primeiro, ocorre restrição de liquidez e queda de preços. Posteriormente, caso a instabilidade persista, parte dos investidores migrará para o Bitcoin como proteção.
Por ora, o mercado sinaliza estar na primeira etapa deste movimento.
Com a ampliação das tensões em diferentes frentes, a volatilidade tende a se manter elevada. O próximo movimento do Bitcoin dependerá de uma possível distensão diplomática ou da continuidade do clima de instabilidade.