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Tokenização de ativos no Brasil cresce 1.134% em um ano e supera R$ 1,5 bilhão

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

19 fevereiro 2026 15:30 BRT
  • Mercado 12x maior em 12 meses.
  • VERT concentra 89% do volume em janeiro.
  • CVM 88 impulsiona diversificação de instrumentos.
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O mercado brasileiro de tokenização de ativos do mundo real — processo que transforma direitos sobre bens físicos ou financeiros em registros digitais em blockchain — encerrou janeiro de 2026 com volume total de emissões de R$ 1,506 bilhão. Em janeiro de 2025, o montante era de R$ 122 milhões. A expansão de 1.134,7% em doze meses coloca o setor em outro patamar, segundo dados do RWA Monitor, portal especializado em monitoramento de instrumentos de tokenização na América Latina.

O salto não é apenas numérico. Segundo Rodrigo Caggiano, analista e fundador do RWA Monitor, o que mudou foi a estrutura por trás dos números.

“A combinação entre plataformas mais maduras, originadores preparados e capital institucional criou um efeito de rede que acelerou a adoção em ritmo exponencial. Quando as captações diárias superam R$ 500 milhões, isso sinaliza que a tokenização deixou de ser um experimento e passou a integrar a infraestrutura financeira do país como um canal real de financiamento e alocação de capital”, afirmou.

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CVM 88: a base regulatória das emissões menores

A maior parte das operações do mês foi registrada sob a Resolução CVM 88 — norma criada para permitir ofertas públicas de valores mobiliários por plataformas eletrônicas, incluindo modelos baseados em blockchain. É o marco legal que viabilizou a tokenização de ativos para o público em geral no Brasil.

Em janeiro, nove tokenizadoras realizaram emissões nesse enquadramento. Os instrumentos incluíram CCBs (Cédulas de Crédito Bancário, um título de dívida entre credor e devedor), CPRs (Cédulas de Produto Rural, usadas no agronegócio), debêntures tokenizadas (títulos de dívida corporativa), duplicatas, notas comerciais, recebíveis de cartão e renda variável digital. O volume total foi de R$ 160,54 milhões.

“A CVM 88 cumpriu um papel decisivo ao transformar a tokenização de um nicho experimental em um mercado acessível e institucionalmente confiável. Os números mostram que a infraestrutura regulatória deixou de ser um freio e passou a atuar como motor de crescimento para as emissões tokenizadas no Brasil”, avaliou Caggiano.

CVM 160: o volume pesado vem do mercado institucional

A fatia mais expressiva do mês veio das emissões estruturadas sob a Resolução CVM 160 — norma voltada a ofertas de maior porte, direcionadas a investidores profissionais e institucionais. O enquadramento oferece maior flexibilidade operacional e segurança jurídica para operações de alto valor.

Em janeiro, apenas a VERT realizou emissões nesse segmento. O volume foi de R$ 1,344 bilhão — o equivalente a 89% de todo o mercado tokenizado no mês. O segmento conta com duas tokenizadoras ativas e 21 ativos registrados.

Emissões privadas: menor volume, maior flexibilidade

As emissões privadas — operações fora do regime de oferta pública, feitas diretamente entre emissores e compradores qualificados — somaram R$ 1,585 milhão em janeiro. São estruturas mais ágeis em prazos e negociação, mas ainda de escala reduzida. O segmento reúne quatro tokenizadoras ativas e 26 ativos tokenizados.

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