Testes do Real Digital começam em 2023, diz coordenador

Atualizado por Júlia V. Kurtz
EM RESUMO
  • Fase de pilotos do Real Digital deve acontecer no segundo trimestre de 2023 e se estenderá até o segundo semestre de 2024.
  • Decisões sobre o início da implementação ou sobre a continuidade dos testes serão baseadas nos resultados.
  • BACEN selecionou oito projetos para desenvolver a CBDC brasileira.
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O coordenador dos trabalhos sobre o Real Digital do Banco Central, Fabio Araújo, disse que os testes da CBDC devem começar no segundo semestre de 2023. Lançamento está previsto para 2024.

A decisão surge após o anúncio dos projetos escolhidos pelo BACEN, através do Lift Challenge, para desenvolver a moeda digital brasileira.

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O Banco Itaú é um dos oito projetos escolhidos pelo Banco Central do Brasil para desenvolver o Real Digital, a CBDC brasileira. A plataforma do banco deverá permitir a custódia, troca de moedas e investimentos alternativos, por meio de blockchain e smart contracts.

O caso de uso criará um pool de liquidez, com tokens que emulam stablecoins, que podem ter paridade com real, dólar ou alguma outra moeda fiduciária, sendo seu funcionamento similar ao de finanças descentralizadas (DeFi) de liquidez que atuam no mercado de ativos digitais, segundo um comunicado publicado no site do Banco Central.

O Itaú também pretende estudar solução de Pix offline por QR-CODE, no qual a transação será realizada com base em saldos reservados de forma offline, de forma fluida preservando a segurança.  

A Lovecrypto LTDA foi selecionada para trabalhar com a Interoperabilidade entre o Real Digital e um Blockchain público com uma proposta de conversão de stablecoin no blockchain Celo em Real Digital, estudando a interoperabilidade entre o blockchain público que roda na EVM (Ethereum Virtual Machine) e a CBDC, além da possível interoperabilidade com o Pix. 

O início dos laboratórios dos projetos selecionados pela 5ª edição do LIFT está previsto para começar no dia 12 de setembro, com a entrega final do relatório técnico do projeto marcado para 15 de janeiro de 2023. A previsão é que o Real Digital esteja disponível para os brasileiros em 2024.

O Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT) desenvolve novos protótipos de produtos inovadores. “Todos os projetos são propostos pela sociedade, o que torna o LIFT um ambiente aberto de participação direta da sociedade na promoção de inovações para o Sistema Financeiro Nacional”, explica o chefe-adjunto do Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf), Aristides Cavalcante.

“Os projetos selecionados, antes de iniciarem, passam por uma etapa de engajamento de servidores do BC, especialistas do mercado e da academia para serem amadurecidos e tornarem-se um protótipo em 90 dias de trabalhos conjuntos”.

O coordenador dos trabalhos sobre o Real Digital do Banco Central, Fabio Araújo, conversou com o Be[in]Cripto sobre o início dos testes do piloto da CBDC brasileira.  

  • Por que a data para os testes do Real Digital mudou de novo? 

O LIFT Challenge, fase de testes iniciais do Real Digital, estava definido para realização no período de março a setembro de 2022. Na sequência do LIFT Challenge está planejada uma fase de testes com participação limitada do público, a fase de pilotos, que estava prevista para se iniciar no quarto trimestre de 2022.

Com a greve de servidores do BC todos os projetos sofreram atrasos. Desta forma, o LIFT Challenge foi deslocado para o período de setembro de 2022 a janeiro de 2023. Para o segundo trimestre de 2023 está planejado o início da fase de pilotos, que se estenderá até o segundo semestre de 2024.

  • O Real Digital começará a ser implementado em janeiro, após os testes?

Em sequência à conclusão do LIFT Challenge, fase inicial de testes, será iniciada a fase de pilotos, onde está prevista a participação limitada do público. Essa fase se iniciará no segundo trimestre de 2023 e se estenderá até o segundo semestre de 2024.

Decisões sobre o início da implementação ou sobre a continuidade dos testes serão baseadas nos resultados obtidos.

  • Quais são as expectativas após a implementação desses projetos?

A expectativa do BC é oferecer uma nova infraestrutura de mercado que promova a conexão entre serviços financeiros prestados nos sistemas convencionais e aqueles que fazem uso das novas tecnologias de DLT, facilitando e garantindo liquidez e integridade para transações com ativos tokenizados, para a adoção de smart contracts, para conexão com a internet das coisas e outras aplicações potenciais.

  • O BC pretende usar várias blockchains ou tem alguma de preferência?

Esse ponto ainda não está definido.

  • O Bacen pretende suportar operações com stablecoins e real digital, como por exemplo a troca de Real Digital por stablecoin e vice-versa?

O tema stablecoin depende ainda de regulamentação, que se seguirá à aprovação de lei sobre criptoativos atualmente em discussão no Congresso.

O Real Digital será uma fonte de liquidez para esses ativos e poderá dar suporte a transações desses e de quaisquer outros ativos regularmente negociados no Brasil.

  • Como você vê todo o ecossistema web3, incluindo usabilidade e interoperabilidade?

O ecossistema de web3 é interessante em vários aspectos, principalmente em sua flexibilidade tecnológica que promete redução de custos de transação com consequente potencial para a democratização de acesso a serviços financeiros.

Como ocorre com toda nova tecnologia, há ainda muito a se avançar, e a entrada da plataforma do Real Digital pode auxiliar na busca por soluções seguras de interoperabilidade e de governança das informações dos indivíduos e da integridade dos sistemas.

Assim, o BC pretende oferecer um ambiente onde as soluções oferecidas possam ser acessadas, de forma segura, por uma ampla parcela da população.

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