Especialista aponta sete tendências que devem moldar o cenário tecnológico regional, com destaque para segurança cibernética e regulação
A promessa de inovação tecnológica que dominou as discussões nos últimos anos começa a dar lugar a uma reflexão mais crítica sobre os desafios reais que empresas e governos enfrentarão nos próximos meses. A inteligência artificial se consolida nos ambientes corporativos enquanto os ataques cibernéticos se sofisticam, a regulação se intensifica e a sustentabilidade se torna inadiável. Esse cenário complexo está redefinindo as prioridades para a América Latina em 2026.
Segundo Sandro Tonholo, Territory Manager da Infoblox no Brasil, o momento exige das organizações menos deslumbramento e mais estratégia. “O foco está muito mais em repensar modelos de segurança, governança e responsabilidade digital do que na simples adoção de ferramentas”, afirma. Para ele, empresas que não estruturarem esse movimento correm o risco de exposição técnica, legal e reputacional.
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A primeira grande transformação está na natureza dos ataques. Grupos criminosos já utilizam inteligência artificial para criar campanhas de phishing mais convincentes e automatizar a exploração de vulnerabilidades. Os dados confirmam a tendência: no início de 2025, a América Latina registrou crescimento de quase 40% nos ataques cibernéticos, com média superior a 2.700 incidentes semanais, acima da média global.
Entre os ataques mais preocupantes estão malwares e ransomwares baseados em IA, além de campanhas de deepfake utilizadas em contextos eleitorais na Argentina, México e Colômbia. Diante dessa escalada, os modelos tradicionais de defesa se mostram insuficientes, exigindo estratégias baseadas em modelagem preditiva de ameaças e respostas automatizadas.
Resposta regional se organiza
A reação, porém, também avança. Programas como o Google for Startups selecionaram empresas do Brasil, Chile, Colômbia e México para desenvolver soluções de segurança baseadas em IA. A mensagem das autoridades e do setor privado converge: é preciso investir em estratégias locais e defesas preditivas para acompanhar a velocidade das ameaças.
Sponsored SponsoredNo Brasil, atualizações da Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber) e uma aplicação mais rigorosa da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) sinalizam o endurecimento regulatório. O Banco Central do México lançou um plano plurianual de cibersegurança, enquanto Chile e Colômbia avançam em políticas de resposta a incidentes. Panamá, Paraguai e Costa Rica seguem movimento semelhante.
“Para as empresas, compliance deixa de ser um complemento e passa a exigir governança em tempo real e modelos de confiança adaptativos”, destaca Tonholo.
DNS se torna trincheira estratégica
Um componente técnico antes negligenciado está ganhando protagonismo: o Sistema de Nomes de Domínio (DNS). Mais da metade dos ataques de phishing na América Latina exploram fragilidades relacionadas a essa infraestrutura, mas apenas cerca de 20% das empresas utilizam inteligência de DNS de forma efetiva.
Iniciativas regionais começam a preencher essa lacuna. CERTs de países como Chile e Peru estimulam o fortalecimento dessa camada de proteção. No Brasil, o NIC.br e o Centro de Defesa Cibernética (CDCiber) lideram esforços colaborativos. A expectativa é que visibilidade e bloqueio via DNS se tornem requisitos básicos em estratégias de segurança maduras.
Sponsored SponsoredEscassez de talentos impulsiona automação
A falta de profissionais qualificados em cibersegurança permanece como desafio estrutural, agravado por restrições orçamentárias. Para enfrentar o problema, iniciativas como o Latamforce e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) buscam capacitar milhares de profissionais, enquanto aceleradoras no México, Chile e Colômbia impulsionam o desenvolvimento de ferramentas baseadas em IA.
No ambiente corporativo, a saída passa pela automação: Centros de Operações de Segurança (SOCs) apoiados por inteligência artificial, sistemas inteligentes de alerta e respostas automatizadas permitirão manter operações eficientes mesmo com equipes mais enxutas.
SponsoredSustentabilidade entra na conta
A chamada Green IT deixa de ser opcional e entra definitivamente no centro das decisões corporativas. Países da América Latina avançam na criação de mercados de carbono e regras de divulgação, alinhados a frameworks globais como o ISSB.
O Brasil lidera com leis que exigem reporte de riscos climáticos e limites de emissões, enquanto Chile, Colômbia, México e Peru seguem na mesma direção. Empresas que investirem em data centers alimentados por energia renovável e em rastreamento transparente de emissões não apenas atenderão às exigências regulatórias, mas também se posicionarão como líderes em um mercado cada vez mais atento ao impacto ambiental da tecnologia.
Ética digital ganha urgência
À medida que a inteligência artificial se torna cotidiana nas organizações, o uso ético e o impacto humano dominam as discussões. Empresas precisarão estabelecer diretrizes claras sobre equidade, transparência e responsabilidade no uso de sistemas de IA.
“Para além do cumprimento regulatório, o foco será fazer com que a tecnologia sirva às pessoas, e não as substitua”, conclui Tonholo. Soluções que respeitem a privacidade, reduzam vieses e fortaleçam a confiança serão diferenciais competitivos, não apenas escolhas morais. A inovação centrada no ser humano se apresenta como caminho inevitável para empresas que desejam prosperar no novo cenário tecnológico latino-americano.