Durante o Smart Summit 2026, especialistas discutiram como stablecoins e infraestrutura DeFi podem transformar a estrutura global de pagamentos e câmbio, trazendo parte desse mercado trilionário para a blockchain.
Antonio Neto, Head Latam da Solana Foundation, afirmou que esses ativos digitais têm potencial para redesenhar a forma como o dinheiro circula globalmente. Segundo ele, a adoção de stablecoins crescerá de forma significativa nos próximos anos, impulsionando uma nova onda de inovação financeira on-chain.
Stablecoins são, essencialmente, uma forma de dinheiro. Estamos vendo cada vez mais pessoas construindo soluções financeiras na blockchain”, afirmou durante o painel “Pagamentos on-chain: construindo a nova estrutura financeira.
De acordo com Neto, a Solana já deu um passo importante ao levar liquidez para dentro da rede por meio das stablecoins.
Esses ativos podem ser aplicados em diversas frentes, incluindo pagamentos, varejo e estratégias financeiras como carry trade, conectando investidores internacionais a moedas locais — como o real brasileiro, complementou.
Stablecoins representam fração do mercado financeiro global
Apesar do avanço, o executivo destaca que o setor ainda está em estágio inicial. Hoje, apenas cerca de 0,5% do mercado financeiro global está em stablecoins, o que indica um grande espaço para crescimento.
Outro ponto central do debate foi a velocidade de circulação do capital nas redes blockchain. Para Neto, métricas como o Total Value Locked (TVL) não refletem apenas o volume travado em protocolos, mas também a rapidez com que esses recursos podem ser utilizados em pagamentos e transferências.
A questão é: quão rápido o mercado quer ser e quão programável ele pode se tornar?, questionou.
Stablecoins como ferramenta de eficiência financeira
Bruno Winik, Head of Sales da eNor Securities, destacou que as stablecoins já estão sendo utilizadas tanto por indivíduos quanto por empresas para proteger patrimônio contra inflação e melhorar a eficiência operacional. Segundo ele, a tecnologia permite transferências mais rápidas e gestão de liquidez mais eficiente em operações financeiras.
O dinheiro sempre encontra um caminho. As pessoas buscam alternativas para movimentá-lo e as stablecoins tendem a ganhar cada vez mais espaço, porque a demanda existe e a tecnologia já está disponível, afirmou Winik.
Regulamentação precisa ser adequada
A discussão também abordou a necessidade de regulação adequada para sustentar o crescimento desse mercado, uma vez que pagamentos e transferências de valor inevitavelmente exigem estruturas regulatórias claras. Israel Buzaym, Country Manager da Kast, ressaltou que o sucesso dessas soluções dependerá da capacidade de integração com o sistema financeiro tradicional.
A tecnologia precisa gerar economia real para o usuário final, independentemente do seu nível de conhecimento técnico, diz Buzaym.
Para Neto, a adoção em larga escala dependerá justamente dessa convergência entre cripto e infraestrutura financeira existente.
A adoção de stablecoins está ligada à integração com bancos e redes de pagamento tradicionais, permitindo que se tornem uma forma real de poder de compra.
Do varejo ao comércio global
Outro ponto levantado durante o painel foi a diferença entre soluções voltadas ao varejo e plataformas voltadas ao comércio internacional. Winik destacou que facilitar pequenos pagamentos do dia a dia é um desafio distinto de construir uma infraestrutura econômica global capaz de suportar transações de grande escala entre empresas e países.
Tokenização ganha espaço
No espaço Digital Assets do Blockchain Rio, dentro da programação do Smart Summit, a tokenização de ativos apareceu como outro tema central do setor.
Rodrigo Caggiano, fundador da Capitare e do RWA Monitor, destacou que o modelo pode reduzir significativamente os custos de emissão de ativos financeiros.
Em uma emissão tradicional você pode ter até nove agentes envolvidos. Em um modelo tokenizado, esse número pode cair para cerca de quatro, o que já representa uma redução importante de custos, explicou.
Para Paulo Braga, CEO da Amex Capital, outro diferencial da tokenização está na possibilidade de fracionar ativos. Ampliando, sobretudo, o acesso de investidores a produtos que antes eram restritos a grandes patrimônios.
Com a expansão de stablecoins, DeFi e tokenização, especialistas apontam que a infraestrutura financeira global pode passar por uma transformação profunda, com a blockchain se tornando uma camada cada vez mais relevante para pagamentos, câmbio e investimentos.
Educação financeira cripto ainda é incipiente
Joy Oda, sócio-diretor da Pivô Agência e responsável pela organização e produção do Smart Summit, afirmou ao BeInCrypto que a presença de empresas do setor cripto em eventos do mercado financeiro tradicional ainda é incipiente. Para ele, ampliar essa participação é fundamental para aproximar os dois universos.
É importante que a indústria cripto esteja presente nesses espaços. Só assim conseguimos promover uma verdadeira interseção entre os setores, destacou.
Para Joy, a educação financeira sobre produtos cripto é fundamental tanto para os investidores já estabelecidos no mercado tradicional quanto para os mais jovens.