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Bitcoin pode despencar com risco de shutdown nos EUA nesta quinta-feira

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Escrito e editado por
Luís De Magalhães

27 janeiro 2026 08:00 BRT
  • Bitcoin caiu em três dos quatro últimos shutdowns do governo americano.
  • Mineradoras reduziram produção por tempestades de inverno e falta de energia.
  • Prejuízos realizados aumentam enquanto investidores saem de posições.
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O Bitcoin se aproxima de um evento macroeconômico relevante. Parlamentares dos Estados Unidos correm para evitar nova paralisação do governo federal antes do prazo de financiamento, que se encerra na quinta-feira (30). O mercado entra neste período sob pressão, após rali frustrado em janeiro e mudança expressiva de sentimento.

Historicamente, o Bitcoin não apresenta comportamento consistente como ativo de proteção durante paralisações do governo americano. Sua cotação tende a seguir o impulso predominante do mercado.

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Congresso trava negociações orçamentárias

O risco renovado de shutdown decorre do fracasso do Congresso em finalizar vários projetos orçamentários do ano fiscal de 2026. O financiamento temporário expira na quinta-feira (30). As negociações seguem travadas, sobretudo pelo orçamento do Departamento de Segurança Interna, conforme reportou a Al Jazeera.

Caso os parlamentares não aprovem nova resolução provisória ou o orçamento anual completo até o prazo, partes do governo federal começarão a ser paralisadas imediatamente. O mercado agora trata o dia 30 de janeiro como um evento macro binário.

A movimentação do preço do Bitcoin ao longo de janeiro já mostra maior fragilidade. Após tentar romper a faixa entre US$ 95 mil e US$ 98 mil no meio do mês, o BTC não conseguiu sustentar esses patamares e reverteu com força.

Gráfico do preço do Bitcoin em janeiro de 2026. Fonte: CoinGecko

Histórico mostra quedas em três dos quatro últimos shutdowns

O histórico de desempenho do Bitcoin durante paralisações do governo americano oferece pouco suporte a uma narrativa otimista.

Desempenho do Bitcoin nos quatro últimos shutdowns dos EUA
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Nos quatro shutdowns registrados na última década, o Bitcoin caiu ou manteve tendências de baixa já existentes em três deles. Apenas em um caso, uma breve falha de financiamento em fevereiro de 2018, houve valorização. O avanço ocorreu mais por reação técnica de sobrevenda do que como consequência direta do shutdown.

O padrão mais amplo permanece: shutdowns funcionam como catalisadores de volatilidade, não direcionadores de tendência. O Bitcoin costuma amplificar o movimento do momento, em vez de revertê-lo.

Mineradoras reduzem produção por tempestades de inverno

Dados recentes on-chain (informações registradas diretamente na blockchain) indicam necessidade de cautela adicional. Segundo a CryptoQuant, grandes empresas americanas de mineração reduziram drasticamente sua produção nos últimos dias. Tempestades de inverno e limitação de energia elétrica causaram as interrupções, conforme destacou o analista JJ Moreno.

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Além disso, a produção diária de Bitcoin caiu de forma substancial em operações como CleanSpark, Riot Platforms, Marathon Digital e IREN. Embora a redução momentânea da oferta possa limitar vendas no curto prazo, também evidencia estresse operacional no setor de mineração.

Historicamente, restrições de oferta por parte de mineradoras não compensam quedas impulsionadas pelo cenário macroeconômico caso a demanda não esteja fortalecida. Os sinais atuais de demanda seguem fracos.

Prejuízos realizados aumentam entre investidores

O indicador NRPL (Net Realized Profit/Loss, que mede lucro e prejuízo realizado líquido) também reforça perspectiva defensiva. Nas últimas semanas, observa-se aumento nos prejuízos realizados. Há menos movimentos expressivos de realização de lucro em comparação ao início de 2025.

Lucro e prejuízo realizado líquido do Bitcoin. Fonte: CryptoQuant

O dado indica que investidores estão saindo de suas posições em valores desfavoráveis, sem confiança para realocar capital. Esse comportamento costuma aparecer em fases finais de ciclo, marcadas por distribuição de ativos e redução de riscos, não por acumulação.

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Nesse cenário, manchetes negativas de macroeconomia tendem a acelerar a volatilidade negativa em vez de impulsionar altas sustentadas.

Cenário aponta para volatilidade com viés de baixa

Se os EUA entrarem em shutdown na quinta-feira (30), o Bitcoin tende a se comportar mais como ativo de risco do que como proteção.

O cenário mais provável é aumento da volatilidade no curto prazo, com tendência de baixa. Nova queda até os mínimos de janeiro estaria alinhada ao histórico de shutdowns e à estrutura atual do mercado. Qualquer recuperação deve ter caráter técnico e ser passageira, a menos que a liquidez global apresente melhora expressiva.

Portanto, um movimento de forte valorização do Bitcoin motivado exclusivamente por notícias de shutdown parece improvável. O ativo raramente avança nessas situações sem fluxo positivo e mudanças no sentimento. Esses fatores não se apresentam no momento.

O Bitcoin não se encontra em posição de força diante do risco de shutdown. Saídas líquidas de ETFs, aumento de prejuízos realizados, pressão sobre mineradoras e rejeição de resistências sinalizam quadro de cautela.

À medida que quinta-feira (30) se aproxima, o risco de shutdown pode servir de teste de estresse para uma confiança de mercado já fragilizada.

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