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Senador crítica governo na Blockchain Conference Brasil

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Escrito por
Aline Fernandes

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Editado por
Lucas Espindola

30 novembro 2025 09:14 BRT
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  • Truther anuncia expansão internacional e integração ao sistema brasileiro durante o BCB.
  • Parlamentares defendem ajustes na regulação cripto e criticam excesso de taxação.
  • Stablecoins ganham protagonismo global e Kast mira operação no Brasil.
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Blockchain Brasil Conference começou sexta-feira (28) em São Paulo. A abertura oficial do evento, no palco Bitcoin, ficou a cargo de Rocelo Lopes, CEO da Truther. O executivo, presente na indústria cripto desde 2013, destacou que a carteira digital já representa uma alternativa ao sistema bancário tradicional.

Lopes afirmou no palco do BCB que a Truther está em conformidade regulatória e integrada ao sistema brasileiro, em testes na Argentina e prestes a expandir para México, Colômbia, Bolívia e Rússia.

A tecnologia elimina barreiras como dificuldade de abertura de contas e restrições por nacionalidade, permitindo que até estrangeiros recebam pix instantaneamente. “Isso é integração real”, disse no palco Bitcoin.

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Regulação no Congresso Nacional

Ainda no palco Bitcoin, Rodrigo Saraiva Marinho, da Frente Parlamentar de Livre Mercado, o senador Jorge Seif Júnior, o deputado federal Aureo Ribeiro (SD-RJ), Bernardo Srur, presidente da ABCripto, e Sandra Faraj, subsecretária de Transformação Tecnológica e Inovação da Secretaria da Mulher, discutiram os desafios para o avanço da regulamentação no setor cripto.

Aureo afirmou que o Brasil é um país singular. “É o melhor país do mundo para viver e empreender”, disse, acrescentando que a regulamentação ainda impõe obstáculos desnecessários. O parlamentar ressaltou que o Congresso precisa reduzir fricções e permitir que a indústria se desenvolva com mais liberdade e responsabilidade.

Queremos liberdade, mas não podemos permitir que golpistas usem essa liberdade para destruir famílias, por isso a regulamentação é importante, afirmou.

O deputado também destacou a importância de parcerias para combater crimes envolvendo cripto, como as iniciativas em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas.

Precisamos aparelhar nossas forças de segurança.

Para o parlamentar, o Brasil deve incentivar com urgência empresas interessadas em se estabelecer no país.

Precisamos que as empresas estejam aqui, pagando impostos e criando oportunidades, finalizou.

Da esquerda para a direita: Rodrigo Saraiva (ILM), Aureo Ribeiro, Jorge Seif e Bernardo Srur. Imagem: Blockchain Conference Brasil.

Brasil pode ficar para trás, diz senador

Não acreditar no Bitcoin como ouro digital e não adotar uma reserva de BTC pode deixar o Brasil para trás, afirmou o senador Jorge Seif no mesmo palco.

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Seif destacou que a resistência ao Bitcoin e a taxação excessiva ameaçam a inovação e empurram investidores brasileiros para o exterior. Para ele, caso o país “não avance na criação de uma reserva soberana, ficaremos (Brasil) para trás”, citando os Estados Unidos (EUA) como referência.

Segundo o senador, a postura atual do governo federal pode atrasar a consolidação da indústria cripto no país.

Nós queremos finanças descentralizadas, não queremos regulação, não queremos taxação. Queremos comprar e vender Bitcoin sem interferência. A verdade é essa, disse.

Apesar do discurso, Seif alertou para a atuação pouco favorável do Estado em relação aos ativos digitais.

“O Brasil já perdeu posições importantes no cenário global devido a muita taxa e muita regulação.” Segundo ele, a MP 3303 “quase fulminou o mercado cripto” ao propor um modelo tributário considerado prejudicial para investidores de diferentes perfis.

Como exemplo, o senador afirmou que a MP eliminaria a isenção para operações de até R$ 35 mil e criaria uma alíquota única de 17,5% para todas as transações, tratando pequenos e grandes investidores de forma igual.

Enquanto outras nações protegem quem investe no longo prazo, o Brasil queria taxar todo mundo sem exceção, afirmou.

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Seif também mencionou os mais de 40 tributos criados ou ampliados nos últimos três anos e reforçou que manterá posição contrária a qualquer aumento de carga sobre investidores cripto.

O Brasil tem criatividade, tem empreendedorismo, o potencial é enorme, mas pode morrer sob o peso de um governo perdulário, declarou.

Stablecoins no centro do mundo

Bruno Winik, cofundador e CSO da eNor Securities, lembrou no BCB que as stablecoins já fazem parte do sistema financeiro global.

Em 2025, movimentaram US$ 46 trilhões, segundo o relatório State of Crypto 2025, da Andreessen Horowitz (a16z). “Isso é mais do que muitas redes tradicionais”, disse Winik.

O executivo destacou que o movimento vai além do mercado cripto: a Visa continuou a liquidar transações em USDC (Ethereum e Solana), a Mastercard ampliou pilotos de pagamentos internacionais com stablecoins e a PayPal expandiu globalmente a PYUSD.

Segundo o CSO da eNor Securities, dados da Circle e da Chainalysis mostram que a adoção cresce mais rápido onde o sistema bancário é caro ou lento, especialmente na América Latina e na África. Para envio internacional de recursos, stablecoins se mostram mais rápidas, mais baratas e mais previsíveis do que alternativas bancárias em vários países.

Hoje, a discussão já não é ‘por que usar stablecoins?’, mas como escalar o uso com segurança e clareza regulatória para pagamentos internacionais, finalizou Winik.

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Kast vai pedir autorização para operar no Brasil

Raagulan Pathy, CEO e fundador da Kast e conhecido como “o cara das stablecoins”, afirmou durante o Blockchain Conference Brasil que observa com atenção o mercado brasileiro.

Pathy disse que o país é “particularmente interessante, sendo o quarto mais populoso do mundo”, e que nações como China e Índia, apesar do tamanho, têm realidades distintas da brasileira.

O Brasil, por outro lado, é o país mais populoso com forte interesse em criptoativos. Acredito, portanto, que foi estabelecido um ambiente propício para observar, em tempo real e em escala, o potencial dos criptoativos.

Segundo o executivo, os Estados Unidos também se destacam, com uma população expressiva.

Considero que o governo americano tem conduzido de forma positiva, permitindo a inovação antes da regulamentação.

Pathy afirmou estar pronto para operar no Brasil e que agora buscará a regulamentação junto ao Banco Central.

De modo geral, considero que o ecossistema de criptoativos na América Latina é expressivo. A adoção aqui (Brasil) é impressionante. Acredito que as pessoas têm diversas aplicações para criptoativos, não apenas para especulação ou ‘memecoins’.

Ele também citou usos práticos, como câmbio e acesso a serviços financeiros necessários no dia a dia. “Além disso, a capacidade de transferir recursos para o exterior é importante no Brasil. É um momento singular para os criptoativos e para o mundo.”

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