A fintech britânica Revolut decidiu apostar alto no México. A empresa anunciou nesta terça-feira (27) o início das operações bancárias completas no país, encerrando a fase de testes. Trata-se do primeiro banco que a Revolut abre fora do continente europeu.
A escolha do México não é casual. O país tem 130 milhões de habitantes e um sistema bancário tradicional considerado caro e burocrático. A Revolut enxerga terreno fértil para seu modelo de banco 100% digital, com taxas reduzidas e operação via aplicativo.
SponsoredFintech injetou o dobro do capital mínimo exigido
Para conquistar a licença bancária mexicana, a Revolut seguiu caminho diferente das concorrentes. Foi o primeiro banco digital independente a obter autorização por solicitação direta ao regulador, sem comprar instituição existente ou fazer parceria local.
A empresa capitalizou a operação com mais de US$ 100 milhões, o dobro do mínimo regulatório. O Índice de Adequação de Capital ficou em 447,2% no lançamento, bem acima do exigido. A estratégia visa transmitir solidez em um mercado onde fintechs ainda enfrentam desconfiança.
As agências de rating responderam positivamente. A HR Ratings atribuiu nota máxima HR AAA de longo prazo. A S&P concedeu rating ‘mxA+’, também com perspectiva estável.
Conta rende juros e transferência internacional tem custo baixo
O pacote de produtos mira diretamente as dores do consumidor mexicano. A conta corrente oferece rendimento automático sobre o saldo, sem necessidade de aplicar em produto separado. Os primeiros MXN$ 25 mil rendem taxa maior.
Transferências entre usuários da Revolut são gratuitas e instantâneas. Envios para contas bancárias no exterior têm custo reduzido. O aplicativo permite manter saldo em mais de 30 moedas e converter a taxas competitivas.
Sponsored SponsoredA Revolut também aposta em nichos específicos. O plano Metal oferece cartão personalizado e acesso a salas VIP no aeroporto da Cidade do México. O Revolut Kids & Teens, para jovens de 6 a 17 anos, será lançado em breve.
CEO quer usar Revolut do México como modelo para 100 países
Nik Storonsky, cofundador e CEO da Revolut, deixou claro que o México é laboratório para mercados emergentes:
Sponsored Sponsored“A tecnologia da Revolut vai capacitar milhões de pessoas no México com ferramentas financeiras melhores. Este lançamento é um modelo para a expansão em outros mercados de alto crescimento, e estamos confiantes em replicar esse sucesso em nossa jornada para alcançar mais de 100 milhões de clientes ativos diariamente em 100 países”, afirmou.
Juan Guerra, CEO da operação mexicana, adotou tom mais agressivo:
“Chegamos para revolucionar o sistema bancário no México. Finalmente, existe uma alternativa digital elegante às instituições tradicionais, oferecendo desde contas de poupança com alto rendimento até transferências internacionais simples e ferramentas para toda a família”, aponta.
Avaliação de US$ 75 bilhões sustenta expansão agressiva
A aposta mexicana é bancada pelo caixa robusto da matriz. A Revolut reportou receitas de US$ 3,8 bilhões em 2024, quarto ano consecutivo de lucro. Em 2025, a avaliação da empresa chegou a US$ 75 bilhões após nova rodada de investimento.
A fintech foi fundada em 2015 e hoje opera em 40 países com mais de 70 milhões de clientes. O México marca a primeira incursão fora da Europa com licença bancária própria, sinalizando ambição de competir globalmente com bancos tradicionais.
SponsoredBrasil deve ganhar novos produtos em breve?
A Revolut também avança no Brasil, onde opera desde 2023. A fintech obteve licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD) junto ao Banco Central, o que permite ampliar o portfólio de serviços no mercado local.
Segundo Glauber Mota, CEO da operação brasileira, a empresa trabalha para lançar conta local e integração com o Pix. A Revolut recebeu recentemente permissão para emitir cartões no país, conforme reportou o NeoFeed.
A meta no Brasil é conquistar entre 10 milhões e 20 milhões de clientes no longo prazo. Por enquanto, a fintech foca em serviços voltados ao exterior, como conta global em múltiplas moedas e negociação de mais de 100 criptomoedas.
“Depois de um, dois anos, com todos os produtos lançados, espero estar competindo de igual para igual com qualquer um dos bancos e fintechs”, afirmou Mota em entrevista.