Petróleo amplia queda após alta nas exportações da Arábia Saudita

  • O Bitcoin subiu mais de 5% para US$ 61.500 enquanto o petróleo WTI caiu para menos de US$ 68.
  • Quatro superpetroleiros da Bahri transportaram 8 milhões de barris pelo estreito de Ormuz reaberto.
  • Ouro permanece acima de US$ 4 mil enquanto investidores mantêm proteção contra inflação e risco geopolítico.
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A queda do preço do petróleo se aprofundou nesta quinta-feira, com o WTI recuando para menos de US$ 68 pela primeira vez em 125 dias. Enquanto isso, o Bitcoin (BTC) subiu mais de 5% para níveis acima de US$ 61.500, e o ouro ampliou ganhos, superando US$ 4 mil.

O restabelecimento dos embarques sauditas pelo Estreito de Ormuz, reaberto, eliminou grande parte do prêmio de guerra do petróleo. Os preços haviam ultrapassado US$ 110 durante o auge do conflito.

Desempenho de preços do petróleo, ouro e Bitcoin. Fonte: TradingView
Desempenho de preços do petróleo, ouro e Bitcoin. Fonte: TradingView
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Por que a queda do preço do petróleo se intensificou

A Arábia Saudita está enviando seu maior volume de petróleo pelo Estreito de Ormuz desde que a trégua entre EUA e Irã reabriu a rota marítima. Quatro petroleiros da estatal Bahri teriam saído do Golfo com cerca de 8 milhões de barris.

A retomada é expressiva. As exportações haviam caído para cerca de 4 milhões de barris por dia durante os combates, ante mais de 7 milhões em fevereiro. O ritmo já se aproxima novamente do patamar anterior à guerra, de 6,3 milhões de barris por dia, conforme dados da Argus.

Durante o fechamento, Riade manteve aproximadamente metade de suas exportações ao desviar carregamentos para portos no Mar Vermelho. Depois de quase quatro meses parado, a Aramco retomou embarques em Ras Tanura, o maior terminal de petróleo do mundo.

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A consultoria de análise marítima Kpler estima que o tráfego pelo estreito já voltou a cerca de 40 travessias de navios por dia. Os fluxos da vizinha Emirados Árabes Unidos já atingiram os níveis anteriores ao conflito.

O impacto é global. O canal responde por cerca de 20% do comércio marítimo de petróleo, segundo a EIA. Consequentemente, o WTI agora é negociado abaixo do valor registrado quando ataques dos EUA ao Irã começaram no fim de fevereiro.

No entanto, o acordo provisório de trégua de 60 dias continua transitório e seguradoras permanecem cautelosas em relação à navegação no Golfo.

Bitcoin e ouro seguem direção oposta

O Bitcoin subiu mais de 5% nas últimas 24 horas e era negociado próximo de US$ 61.649 até o momento desta reportagem. Energia mais barata e a redução do temor geopolítico estimulam o apetite por ativos de risco. A queda do petróleo também arrefece expectativas inflacionárias, favorecendo movimentos mais arriscados.

Desempenho do preço do Bitcoin
Desempenho do preço do Bitcoin. Fonte: BeInCrypto

O movimento mostra que a pressão vendedora do Bitcoin já vinha diminuindo antes da trégua. O mercado de ações reforça o cenário: quase 60% dos papéis do S&P 500 têm avaliações de compra recordes com o arrefecimento das tensões.

As preocupações com a inflação persistem. Mary Daly, presidente do Federal Reserve de São Francisco, afirmou que o choque de investimentos em Inteligência artificial faz o mercado questionar se haverá impacto inflacionário.

Esse contexto explica a resiliência do ouro. O metal era negociado próximo de US$ 4.119, com avanço intradiário até US$ 4.140, mantendo-se bem abaixo do recorde de janeiro, acima de US$ 5.500.

Desempenho do preço do ouro (XAU)
Desempenho do preço do ouro (XAU). Fonte: TradingView

Ainda assim, a valorização do ouro já supera 22% em doze meses. Investidores seguem aplicando no metal para proteção contra inflação e riscos geopolíticos.

A diferença indica que os mercados precificam uma retomada sustentada da oferta, mas ainda mantêm proteção diante da instabilidade da trégua.


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