O preço do Bitcoin está sendo negociado acima de US$ 73.700 no momento desta reportagem, após subir cerca de 11% nos últimos sete dias, impulsionado por um rompimento de um padrão clássico de xícara com alça.
O movimento levou o maior ativo do mercado cripto a uma importante zona de resistência. Enquanto o momento técnico e a forte pressão compradora sustentam a alta, diversos indicadores sinalizam que uma nova perna rumo a US$ 78 mil é possível, embora possa encontrar resistência.
Rompeu do padrão de xícara com alça no preço do Bitcoin projeta US$ 78 mil
A recente valorização do Bitcoin acelerou depois que o preço superou a resistência da alça do padrão xícara com alça em 13 de março, conforme antecipado em nossa análise anterior do BTC.
Quando o preço rompe a linha de resistência da alça, o movimento esperado costuma ser projetado pela profundidade da xícara a partir do ponto do rompimento. No caso do Bitcoin, essa projeção indica uma possível movimentação até a região de US$ 78 mil.
Após o rompimento, o Bitcoin avançou rapidamente em direção a US$ 74.300 antes de recuar levemente. Os candles desde 13 de março também mostram pavios superiores recorrentes, indicando que vendedores estão tentando defender a zona de resistência.
Esse comportamento não invalida o rompimento altista, porém sugere que a alta pode enfrentar obstáculos de curto prazo antes de tentar novo impulso. Para avaliar se o movimento ainda tem força, é importante examinar como o capital flui para o mercado.
Entrada de capital desacelera mesmo com alta do preço do Bitcoin?
Um dos primeiros sinais de possível desaceleração aparece no indicador Chaikin Money Flow (CMF).
CMF é um indicador ponderado por volume utilizado para medir se há entrada ou saída de grandes aportes em um ativo. Quando o CMF permanece acima de zero, geralmente aponta pressão compradora. CMF em alta indica fluxos mais intensos, enquanto queda no CMF sinaliza enfraquecimento dos aportes.
Entre 4 e 16 de março, o preço do Bitcoin subiu levemente. No mesmo período, contudo, o CMF apresentou forte queda. Isso configura uma divergência bajista: o preço avança, mas a pressão compradora diminui. Isso pode indicar realização de lucros por parte de grandes investidores, conforme sugerem os pavios superiores dos candles.
O CMF segue positivo, o que indica que ainda há entrada de capital no Bitcoin. No entanto, o indicador não ultrapassou a marca de 0,15, patamar que anteriormente sinalizou influxos de maior intensidade. Enquanto o CMF não superar essa região, a divergência sugere que a valorização pode enfrentar recuos temporários ou períodos de consolidação.
Ainda assim, os indicadores de fluxo de capital mostram apenas parte do cenário. Observar o comportamento nas exchanges contribui para entender como investidores tradicionais estão se posicionando.
Saídas de Bitcoin das exchanges aumentam enquanto alavancagem cai
Um dos principais sinais favoráveis à alta vem do indicador Exchange Net Position Change, que monitora quantas moedas entram ou saem das exchanges.
No dia 9 de março, esse indicador apontava aproximadamente –38.412 BTC, mostrando que esse volume já estava deixando as exchanges. Em 15 de março, a métrica caiu ainda mais, para cerca de –65.393 BTC.
Essa movimentação representa aumento de cerca de 40% nos saques das exchanges, demonstrando que investidores seguem acumulando Bitcoin.
Com menos moedas disponíveis nas exchanges, a oferta imediata para venda diminui. Esse cenário pode sustentar altas de preço, principalmente quando há rompimento técnico expressivo. Entretanto, a acumulação à vista não garante um rali contínuo. O mercado de derivativos também precisa endossar esse movimento.
Dados de derivativos mostram que a alavancagem diminuiu mesmo com o preço do Bitcoin avançando. Em 5 de março, quando o Bitcoin era negociado perto de US$ 72.600, o interesse aberto em futuros da moeda girava em torno de US$ 26,14 bilhões.
Em 16 de março, enquanto o valor do Bitcoin subiu para aproximadamente US$ 73.700, o interesse aberto caiu para perto de US$ 22,78 bilhões, uma redução de quase 13%.
As taxas de financiamento dão suporte a essa interpretação.
No início de março, as taxas de financiamento estavam prestes a ficar positivas, à medida que operadores buscavam aproveitar a valorização. Agora, apresentam leve sinal negativo (-0,005), refletindo alavancagem ainda moderada e cautela entre os participantes. E a cautela é importante em períodos de alta, já que a alavancagem excessiva pode causar correções intensas.
Alavancagem mais baixa reduz o risco de liquidações em cascata e costuma tornar as variações de preço mais estáveis. Além disso, o mercado não está excessivamente otimista, como indica a taxa de financiamento negativa. Com o aumento da demanda à vista e a redução na alavancagem, a estrutura do rali parece mais sólida do que no início do mês.
Níveis de preço do Bitcoin que agora apontam para cima
Apesar de apresentar estrutura de mercado construtiva, o Bitcoin ainda precisa superar vários pontos de resistência antes que o rali consiga avançar até o alvo de US$ 78 mil projetado.
A primeira grande resistência está próxima de US$ 74.300, onde recentemente houve pressão de venda. Caso o Bitcoin ultrapasse essa faixa, o próximo nível relevante fica acima de US$ 75.100.
Um fechamento diário acima de US$ 75.100 pode confirmar a continuidade da alta e abrir caminho para a região de US$ 78 mil a US$ 79 mil, em linha com o movimento esperado do padrão de xícara com alça.
No cenário de queda, o primeiro suporte significativo está por volta de US$ 72 mil. Se o Bitcoin recuar para menos desse patamar, as próximas áreas de proteção estão em US$ 70.400 e US$ 68.900.
Uma queda para menos de US$ 68.900 enfraqueceria a estrutura de rompimento de alta e indicaria que o rali pode demandar mais tempo de consolidação antes de buscar novo avanço.
Por enquanto, o preço do Bitcoin conta com forte acumulação à vista e menor alavancagem, contudo, o mercado ainda precisa romper resistências decisivas para que o alvo de US$ 78 mil fique realmente próximo.