O preço do ouro, prata e petróleo encerrou março sob intensa volatilidade, impulsionada pela escalada do conflito entre Irã, EUA e Israel iniciada em 28 de fevereiro. Após uma alta parabólica inicial, o sentimento migrou para uma fase de consolidação e realização expressiva de lucros. Investidores institucionais ajustam carteiras diante da persistência dos juros elevados e do agravamento da crise energética.
Hoje, o discurso de proteção enfrenta um teste relevante. Enquanto o petróleo mantém um prêmio estrutural de risco, os metais preciosos recuaram das máximas históricas registradas em janeiro e fevereiro. Esse comportamento indica que boa parte do choque geopolítico já foi incorporada aos preços, com o mercado buscando níveis reais de valor em um cenário de liquidez restrita e fluxos migrando para ativos de rendimento.
Ouro (XAUUSD)
O gráfico de 4 horas aponta uma estrutura de redistribuição após o ativo atingir a máxima próxima de US$ 5.400. A movimentação confirmou diversos topos descendentes (LH), refletindo a clara ausência de interesse comprador na recuperação pós-crise.
O preço rompeu a faixa superior de valor, buscando liquidez abaixo do POC situado em US$ 4.500.
O fluxo de ordens revela compressão no delta comprador, indicando exaustão na demanda agressiva. O ouro atualmente testa um suporte-chave em US$ 4.600, operando bem abaixo dos nós de alto volume registrados no começo do mês.
Um fechamento diário acima de US$ 4.850 invalidaria a sequência de topos descendentes, levando o preço a US$ 5 mil em até dez dias e retomando o viés de alta.
A perda do nível de US$ 4.550 acionaria uma forte pressão vendedora. Sem força compradora, o valor buscaria o próximo nó de liquidez em US$ 4.200 antes do fim de abril, impulsionado pelo fortalecimento do dólar e alta nos rendimentos dos títulos.
Prata (XAGUSD)
A prata apresenta possível estrutura de acumulação em torno de US$ 70, faixa que representa o principal Ponto de Controle (POC).
Após a queda de US$ 98, a movimentação exibe sinais de absorção por compressão do delta vendedor. O ativo parece concluir a Fase C (spring), eliminando posições de varejo antes de uma eventual reversão.
A análise da Dune Analytics sobre derivativos metálicos on-chain da EVM mostra alta no interesse aberto. Diferente do ouro, a prata mantém forte correlação com a demanda industrial tecnológica, segmento resistente mesmo diante do conflito.
A configuração atualmente sugere que o preço “aceita” valor na faixa dos US$ 73, preparando-se para expansão de volatilidade.
Um rompimento acima da máxima de US$ 78,50 confirmaria a fase de acumulação. O ativo pode mirar US$ 88 até meados de maio, superando as resistências dos antigos nós de volume.
Se romper o POC em US$ 70,10 com aumento de volume, a estrutura de alta no longo prazo seria invalidada. O objetivo baixista passa a ser US$ 62, faixa de demanda histórica, que pode ser atingida em menos de duas semanas caso a liquidez mundial continue em retração.
Petróleo (Brent)
O Brent apresenta volatilidade inédita, operando em faixa definida entre US$ 92 e US$ 114. A estrutura atual é classificada como região de equilíbrio após o choque de oferta.
O Order Flow sinaliza embate agressivo no POC de US$ 100, onde grandes participantes defendem posições compradas diante de qualquer escalada do conflito.
Atualmente, o Brent está em descoberta de preços, transacionando entre as extremidades da zona de valor. O volume se mantém elevado, porém errático, indicando distribuição de contratos de curto prazo. Apesar dos picos locais, não há tendência definida, mas sim reações constantes a manchetes sobre geopolítica e estoques.
Um fechamento sustentado acima de US$ 110 acionaria alta rumo a US$ 125. O gatilho pode ser um ataque direto à infraestrutura petrolífera crítica da região, reduzindo a oferta global em 15 dias e levando à recompra de posições vendidas.
O arrefecimento das tensões diplomáticas faria o Brent testar a base da faixa em US$ 92. Caso esse patamar seja perdido, o preço retornaria rapidamente a US$ 85 até o fim de abril, à medida que o prêmio de risco geopolítico se dissipa no mercado futuro.
Em resumo
- A probabilidade aponta para uma continuação da correção nos metais enquanto o petróleo mantiver seu movimento lateral agressivo.
- O ouro perdeu fôlego, indicando que atualmente a segurança se paga com rendimento, e não só com ativos físicos.
- A prata, por sua vez, apresenta uma relação risco-retorno mais favorável devido à absorção identificada em níveis importantes de suporte.
- O principal gatilho fundamental a ser observado é uma valorização do ouro acima de US$ 5 mil.
- Caso o XAUUSD não se mantenha acima deste patamar na primeira semana de abril, o mercado deverá confirmar uma rotação estrutural para ativos de risco ou dívida soberana.
- No petróleo, qualquer fraqueza abaixo de US$ 100 vai indicar o fim das compras motivadas por pânico.