O movimento de preço da Solana no último mês pareceu tranquilo. A SOL recuou apenas 1,4% nos últimos 30 dias, sugerindo estabilidade. No entanto, uma análise mais ampla mostra o cenário real: a Solana acumula uma queda superior a 30% em 2024, sem conseguir romper topos desde janeiro. O viés predominante segue negativo.
Apesar disso, abaixo da superfície, um sinal nos derivativos retorna e foi visto pela última vez antes de um expressivo rali da SOL. Porém, tanto dados on-chain quanto a estrutura gráfica sugerem que deve haver queda adicional antes desse sinal se confirmar.
Sequência de taxa de financiamento negativa da Solana aumenta, mas falta impulso para short squeeze
A taxa de financiamento semanal reflete o posicionamento do mercado em cada período. Quando o índice permanece negativo por longos intervalos, significa que vendedores a descoberto dominam, pagando posições compradas para manterem suas apostas.
Entre 14 de fevereiro de 2022 e 20 de fevereiro de 2023, a Solana registrou sua sequência mais longa de taxa de financiamento semanal negativa, com cerca de 53 semanas. Durante este período, investidores continuaram abrindo shorts enquanto a SOL despencou até atingir US$ 7 em dezembro de 2022. No final dessa sequência, mesmo com o financiamento negativo, o preço iniciou recuperação discretamente.
O resultado foi um forte rali (impulsionado, possivelmente, por um short squeeze) que levou a Solana de US$ 7 para US$ 209 até março de 2024, um salto de quase 2.500%. Uma segunda sequência negativa, de 20 de março até 16 de outubro de 2023, trouxe mais combustível, já que vendidos descrentes reabriram posições, sendo potencialmente forçados a recomprar.
Desde o fim de outubro de 2025, uma nova sequência de financiamento negativo se desenvolve, já em torno de 21 semanas. O padrão é semelhante ao registrado em 2022, em que a taxa negativa se intensificava conforme o preço caía.
Mas há uma diferença relevante. O volume total em aberto em contratos futuros de Solana em dólar atingiu o pico de US$ 7,58 bilhões por volta de 17 de setembro de 2025, cerca de duas semanas antes de o Bitcoin atingir sua máxima histórica. Agora, está próximo de US$ 1,9 bilhão, menor nível desde o início de março de 2025.
Isso indica que, embora a taxa de financiamento seja negativa, o volume real de operações vendidas é pequeno. Falta capital posicionado suficiente para provocar um squeeze capaz de impulsionar alta consistente. As tentativas de alta perdem força porque falta alavancagem, que foi o combustível do rali anterior. A sequência se mantém, mas sem a pressão que caracterizou o ciclo passado.
Um canal ascendente que pode ser uma armadilha
Enquanto o potencial de short squeeze segue fraco, outros sinais negativos surgem. Muitos deles podem parecer positivos à primeira vista.
No gráfico diário, a trajetória da SOL desde o início de fevereiro mostra um canal ascendente. Isoladamente, este formato lembraria tendência de alta. Contudo, o canal surge após uma expressiva queda vertical de cerca de US$ 148 para US$ 68. A consolidação dura mais do que a queda, descaracterizando padrão de bandeira. Agora, trata-se de uma configuração corretiva que sinaliza possibilidade de mais perda.
Portanto, trata-se de um canal corretivo avançado dentro de uma tendência de baixa maior. A queda de mais de 30% no ano indica que não há acumulação, mas sim um movimento lento de alta em meio à fragilidade persistente.
Dados on-chain corroboram essa avaliação. O saldo líquido das exchanges indica se tokens estão sendo depositados ou retirados diariamente. No caso da SOL, este indicador permanece verde desde 10 de fevereiro. Nessa data, os ingressos líquidos somavam 245.691 SOL. Em 10 de março, o número saltou para 2.204.783 SOL, alta de cerca de 800% em apenas um mês.
A sequência de entradas sugere que investidores seguem movimentando a SOL para exchanges, provavelmente para liquidar posições. Para uma recuperação consistente, seria preciso observar sequência prolongada de saídas, indicando que a pressão vendedora se esgotou e investidores buscam armazenamento a frio. O esgotamento das vendas é fundamental para formação de fundo, e tal sinal ainda não apareceu. Onde estaria o fundo?
Principais níveis de preço da Solana: US$ 65 antes de uma alta?
Uma quebra do canal de alta projeta uma queda superior a 20% a partir dos níveis inferiores da linha de tendência. A base inferior do canal está próxima de US$ 82 e, caso haja um fechamento diário confirmado abaixo desse patamar, abre-se espaço para um movimento até a região dos US$ 65.
Os suportes técnicos apoiam esse cenário. A SOL atualmente é negociada próxima do nível 0,618 em US$ 85. Abaixo desse valor, o retraçamento 0,786 aparece em US$ 82, seguido de outro suporte provável em US$ 79. Já a extensão 1,618, um alvo tradicional para movimentos de continuação, aponta para US$ 70, ligeiramente acima do suporte horizontal em US$ 67. O alvo mais profundo, perto de US$ 65, coincide com a projeção do canal.
Pelo lado positivo, a SOL precisaria encerrar o dia acima de US$ 94, máxima do canal, para invalidar a estrutura de baixa. Ainda assim, só um avanço para além dos US$ 118 confirmaria uma reversão bullish consistente.
A sequência de 21 semanas de taxas de financiamento indica que, quando esse posicionamento for desfeito, a pressão poderá ser relevante. Contudo, a redução do interesse em aberto e a contínua entrada de SOL nas exchanges mostram que as condições para uma reversão ainda não estão presentes. O movimento de queda deve ser completo primeiro.