A Solana começa março sob forte pressão. A SOL acumula queda superior a 31% em relação ao mês anterior, com fevereiro registrando perda de 17%. Mas a desvalorização do preço do Solana é apenas parte da questão. Por trás do gráfico, o motor econômico que impulsionou a moeda até o fim de 2025, seu ecossistema de memecoins entrou em colapso. E os dados on-chain sobre investidores, movimentações em exchanges e atividade nas DEX confirmam o mesmo cenário: a venda é estrutural, não sazonal.
A dúvida para março não é mais se a Solana pode recuperar valor. Trata-se de saber se algo pode interromper o padrão atual antes que chegue ao seu alvo final.
Padrão de baixa encontra motor quebrado
O gráfico de três dias mostra um padrão de cabeça e ombros confirmado, com a linha de suporte próxima de US$ 107, que foi rompida por volta de 31 de janeiro, conforme análise disponível aqui. O movimento projetado a partir desse rompimento, cerca de 44% abaixo do suporte, estabelece o alvo técnico próximo a US$ 59.
A SOL é negociada atualmente em torno de US$ 87, indicando que o padrão foi apenas parcialmente cumprido. A partir deste ponto, resta aproximadamente 30% de potencial queda caso a projeção se concretize.
O que torna este cenário ainda mais significativo é que o rompimento da linha de suporte coincidiu com a derrocada do próprio ecossistema que movimentava a economia on-chain da Solana, o setor de memecoins.
Na semana encerrada em 2 de fevereiro, o volume total das DEX da Solana somava US$ 118,2 bilhões, sendo o Pump.fun responsável por US$ 61,4 bilhões e a Meteora por US$ 20,1 bilhões. Já na semana de 23 de fevereiro, o volume despencou para US$ 44,5 bilhões e queda de 62%, segundo dados exclusivos da Dune analisados pela equipe do BeInCrypto. A Pump.fun caiu para US$ 30,5 bilhões. A Meteora registrou recuo de 83%, chegando apenas a US$ 3,4 bilhões.
A perda no gráfico e a derrocada das memecoins não são eventos isolados. O padrão começou a se formar enquanto a confiança já estava em queda. Sem seu principal motor de receita, a Solana encara o restante da queda projetada com fundamentos fragilizados.
Histórico e investidores de SOL não oferecem alívio
Historicamente, dados sazonais costumavam fazer esse período parecer mais promissor. Março apresenta um ganho mediano de 22,8% para a Solana, enquanto a média histórica de fevereiro beira 28,9%. No entanto, fevereiro de 2026 trouxe queda de 17% e janeiro teve recuo de 15%, em vez da média positiva de 47%.
Dois meses seguidos de desvalorização já destoam do padrão sazonal. A ideia de um “mês negativo, mês positivo” não se sustenta quando o movimento falha por duas vezes consecutivas, e os fatores destas perdas são estruturais, não cíclicos.
Os dados sobre investidores reforçam esse cenário. No início de fevereiro, período em que o volume das DEX atingiu US$ 118,2 bilhões, o indicador de variação líquida de posição em exchanges, que mostra os fluxos líquidos, estava fortemente negativo, indicando saídas de tokens das exchanges, um sinal clássico de acumulação. Esse comportamento refletia o otimismo observado on-chain naquele momento.
Em 26 de fevereiro, o cenário mudou totalmente. Os fluxos líquidos positivos em exchanges saltaram para 1.561.859 SOL em base de 30 dias e alta de 40% em relação ao patamar de 1.106.796 registrado três dias antes, em 23 de fevereiro. Com o colapso da economia de memecoins e o recuo dos volumes nas DEX, investidores possivelmente transferiram ativos para as exchanges para venda.
Os investidores de longo prazo reforçam essa narrativa. O indicador de variação líquida de posição entre hodlers — uma métrica de acumulação por carteiras de longo prazo, atingiu pico no fim de janeiro (próximo à quebra do padrão) em cerca de 3,47 milhões de SOL em base de 30 dias. Em 26 de fevereiro, o valor despencou para apenas 266.744 SOL, queda de 92% e menor nível do mês.
Aqueles compradores que normalmente sustentariam uma recuperação estão se afastando, não aumentando posições.
Fluxo de ETF é o único suporte
Apesar desse cenário, um dado contrasta. Os ETFs de Solana registraram fluxo semanal positivo durante todo o mês de fevereiro, mesmo enquanto os ETFs de Bitcoin e Ethereum somaram saídas líquidas. Na semana encerrada em 20 de fevereiro, os ETFs de SOL receberam US$ 14,31 milhões. Já na semana encerrada em 26 de fevereiro, esse número triplicou para US$ 43,13 milhões, maior entrada semanal do mês.
As entradas líquidas acumuladas nos ETFs de SOL já superam US$ 900 milhões desde o lançamento, com mais de 12 dias consecutivos de fluxo positivo registrados em fevereiro.
A procura institucional via ETF é consistente. Esse movimento indica que uma base de preço pode se formar, com oscilações ocasionais sendo esperadas. Porém isso não impediu a queda do ativo. O SOL caiu 17% em fevereiro, mesmo com compras institucionais quase ininterruptas. O volume de vendas em blockchain, inclusive por parte dos investidores menos experientes, supera a demanda vinda dos ETFs.
Principais níveis de preço da Solana para março
A faixa de US$ 80 concentrou o maior número de negociações durante esta fase de venda, com múltiplos testes, estabelecendo-se como o principal suporte no curto prazo. No entanto, sucessivas tentativas de quebra tendem a enfraquecer esse patamar. Um rompimento claro abaixo de US$ 80 abre caminho para uma continuidade em direção aos US$ 64 e, depois, ao alvo do padrão de cabeça e ombros, próximo de US$ 59.
No cenário de recuperação, o ativo só demonstra força se superar US$ 96, seguido por US$ 116, faixa que servia como proteção em janeiro e agora representa o ponto de possível recuperação estrutural. Se US$ 59 for rompido, a próxima zona importante no gráfico de 3 dias está por volta de US$ 41.
Um fator pode interromper essa tendência negativa. A atualização Alpenglow, projeto de consenso mais ambicioso do Solana para atingir finalização em menos de um segundo, visa implantação na mainnet no primeiro trimestre de 2026.
Se detalhes sobre o desenvolvimento aparecerem em março, o foco do mercado pode migrar de rede de memecoin para infraestrutura de padrão institucional.
O comportamento da faixa dos US$ 80 deve definir março. Acima desse patamar, o cenário inclui consolidação instável com movimentos impulsionados pelos ETFs. Se romper, a tendência predominante é de queda para a região dos US$ 59 a US$ 64, caso base do momento. Até que o padrão dos investidores mude, a atividade das DEX se estabilize e a Alpenglow seja entregue, o caminho mais provável segue sendo de baixa.