O preço da Solana (SOL) inicia abril de 2026 sob pressão. Março se encerra com queda expressiva de -0,88%, ampliando uma sequência negativa que já dura seis meses consecutivos desde outubro de 2025.
O rompimento de um padrão de cabeça e ombros no gráfico diário, confirmado em 27 de março, projeta uma meta para o movimento em aproximadamente US$ 73. Com a sazonalidade, demanda on-chain e comportamento de investidores enviando sinais mistos, abril pode definir se a SOL encontrará um suporte ou seguirá recuando.
Histórico indica cautela, e o gráfico diário confirma
O gráfico de retornos mensais mostra que o preço da Solana não registra um mês positivo desde setembro de 2025. Janeiro de 2026 fechou com queda de 15,3%, fevereiro caiu 20% e março caminha para encerrar em baixa de aproximadamente 0,88%.
Com isso, já são seis meses consecutivos de desvalorização, contrariando tendências históricas. Março, por exemplo, costuma ter retorno mediano de 11,1%, porém, 2026, até agora, apresenta o oposto.
Abril não traz muito alívio sazonal. O retorno mediano histórico da SOL neste mês é de -0,82%, sendo um dos piores períodos no histórico. Considerando que 2026 já rompeu vários padrões sazonais para baixo, confiar apenas nas médias do passado representa um risco.
O gráfico diário reforça o cenário de queda para abril. O padrão de cabeça e ombros completou seu rompimento em 27 de março.
O movimento do topo até a linha de pescoço projeta um alvo próximo de US$ 73, representando mais uma queda de 15%.
A média móvel exponencial (EMA) de 20 dias, indicador de tendência que atribui maior peso às movimentações recentes do preço, está em US$ 86 (mais precisamente, US$ 86,80) e pode ser a única chance de recuperação para a SOL.
A última vez que a SOL recuperou esse patamar, no início de março, promoveu um rali de 13% que formou o topo do padrão. Para abril, se a altcoin conseguirá retomar a EMA de 20 dias ou continuará abaixo desse nível definirá o tom do mês.
É preciso analisar também os dados on-chain.
Procura por exchange diminui enquanto queda da SOL se intensifica
Os dados on-chain indicam que a pressão compradora que sustentou a SOL até meados de março se dissipou com a virada para abril. O indicador de mudança de posição líquida nas exchanges, que monitora fluxo de tokens para dentro e fora dessas plataformas, mostrou forte acumulação entre 17 e 22 de março, com pico de cerca de -2.180.253 SOL. Esse número negativo significa retirada de ativos das exchanges, típico de compras no mercado à vista.
No entanto, desde o rompimento do padrão de cabeça e ombros em 27 de março, o indicador despencou para aproximadamente -426.004 SOL em 29 de março, indicando queda de 80% na pressão compradora em apenas uma semana.
O lucro/prejuízo não realizado líquido dos investidores de curto prazo (NUPL STH), que indica a lucratividade desse grupo, adiciona um fator de risco para abril.
O NUPL dos investidores de curto prazo subiu de capitulação profunda em -0,95 em 5 de fevereiro para -0,27 em 25 de março. Atualmente, está em torno de -0,40. Apesar de seguir negativo, os investidores desse perfil agora apresentam perdas bem menores do que nas semanas anteriores.
Isso cria um impasse: se a procura no mercado à vista não retornar em abril, investidores de curto prazo podem optar por sair com prejuízos menores em vez de arriscar uma queda mais acentuada. Uma nova onda vendedora desse grupo pode impulsionar o movimento em direção ao alvo de US$ 73.
A combinação entre queda na demanda das exchanges e redução nas perdas de investidores de curto prazo ao entrar em abril enfraquece ainda mais o cenário comprador, enquanto a análise técnica já sugere viés negativo.
Investidores oferecem resistência, mas histórico limita confiança
O único indicador que contraria o cenário de baixa é a acumulação de investidores de longo prazo. O Hodler net position change subiu de 523.624 SOL em 8 de março para 2.327.302 SOL em 29 de março, aumento superior a quatro vezes. Esses participantes de prazos médios e longos reforçam agressivamente suas posições e podem estabelecer um piso psicológico aos holders de curto prazo que pensam em vender.
No entanto, a convicção dos investidores traz uma ressalva. Quando esse grupo voltou a acumular de forma expressiva entre 10 e 31 de janeiro, o preço da SOL caiu de US$ 135 para cerca de US$ 105 no mesmo período.
O padrão de compra desse grupo não apresentou, historicamente, alinhamento com recuperações de preços, o que limita a confiança de alta que este indicador pode oferecer para o início de abril.
Caso as saídas das exchanges retornem e a demanda à vista volte logo no início do mês, a acumulação feita pelos investidores pode sustentar uma recuperação. Sem essa confirmação, o movimento de compra isolado pode não ser suficiente para evitar que o padrão em curso se concretize.
Níveis de preço da Solana para acompanhar em abril
O nível mais importante do preço da Solana para o início de abril é US$ 80. Esse patamar atua como um suporte de curto prazo. Um fechamento diário abaixo de US$ 80 aumentaria as chances de o alvo em US$ 73, vinculado ao padrão de topo de cabeça e ombros, ser alcançado, abrindo caminho para uma queda de até 15% a partir do ponto de rompimento.
O nível de US$ 73 também corresponde à zona de retração de Fibonacci 1,618, o que reforça a confluência para esse alvo.
Pelo lado positivo, o primeiro patamar que a SOL precisa recuperar para demonstrar força é US$ 85, na retração de Fibonacci 0,618. Acima disso, a média móvel exponencial de 20 dias, situada em US$ 86, torna-se a principal referência.
Uma retomada consistente acima de US$ 86 pode estimular um impulso de alta de curto prazo e testar o topo do ombro direito, próximo de US$ 93. Uma movimentação sustentada acima de US$ 93 enfraqueceria de forma expressiva toda a estrutura de baixa.
No cenário atual, a prioridade para o início de abril é manter o suporte acima de US$ 80. A demanda reduzida nas exchanges, o posicionamento dos investidores de curto prazo, ainda instável apesar de alguma melhora, e a confirmação do rompimento do padrão de cabeça e ombros sugerem que o caminho mais provável segue apontando para baixo.
Manter-se acima de US$ 86 distingue uma possível recuperação em direção a US$ 93 da continuidade do movimento para o alvo de rompimento em US$ 73.