O preço do Bitcoin (BTC) inicia abril de 2026 em um ponto decisivo. Março termina com um ganho discreto de 0,19%, após ter sustentado uma alta superior a 5% no começo do mês.
Com histórico, fluxo de ETF e comportamento das baleias apontando sinais contraditórios, abril pode definir o rumo do Bitcoin para o restante de 2026.
Histórico favorece abril, mas o gráfico de 3 dias não
O gráfico de retornos mensais demonstra que o preço do Bitcoin enfrentou dificuldades em 2026. Janeiro fechou com recuo de 10,1%, enquanto fevereiro caiu de 14,8%, ambos contrariando suas médias históricas positivas de +8,52% e +12,5%, respectivamente. Março registra avanço de apenas 0,19%, bem abaixo da média histórica de 10,2%.
Abril historicamente é um dos meses mais fortes para o Bitcoin, com retorno médio de 33,4% e mediana de 7,57%. Porém, considerando que janeiro e fevereiro já contrariaram suas médias históricas, confiar apenas em padrões sazonais pode ser arriscado.
O gráfico de três dias sugere uma perspectiva preocupante para a cotação do Bitcoin nos próximos meses. Após atingir US$ 125 mil em 4 de outubro de 2025, o BTC caiu para US$ 60 mil em seu ponto mais baixo, uma queda acima de 52%. Desde os mínimos de janeiro, o movimento do ativo lembra uma bandeira de baixa, padrão de consolidação que geralmente resulta em nova queda semelhante ao tamanho do mastro.
No momento, o preço testa a linha de tendência inferior da bandeira. Caso haja confirmação do rompimento no gráfico de três dias, a expectativa é de queda ainda mais expressiva. Esse cenário indica como abril pode se desenrolar.
ETFs de Bitcoin apresentam fragilidades sob uma superfície positiva
Em um primeiro olhar, os fluxos de ETF de Bitcoin em março parecem positivos. Dados mensais apontam entrada líquida de US$ 1,13 bilhão, encerrando sequência de quatro meses de resgates. A reversão indica um possível retorno da confiança de investidores institucionais.
Entretanto, a análise semanal revela outra realidade. Na semana de 6 de março, houve influxo de US$ 568 milhões. Em 13 de março, o valor subiu para US$ 767 milhões. Já em 20 de março, caiu para US$ 95 milhões. Na semana encerrada em 27 de março, o saldo ficou negativo, com saída de US$ 296 milhões.
Março começou com força, mas termina enfraquecido. O ímpeto que sustentou entradas em ETFs no início do mês diminuiu, e o resgate da última semana pode influenciar o desempenho de abril.
O Exchange Whale Ratio, indicador da CryptoQuant que acompanha a proporção das dez maiores entradas em exchanges em relação ao total, reforça a preocupação. Em 10 de janeiro, o índice estava em 0,34, o ponto mais baixo do ano. Já em 28 de março, chegou a 0,79, com dois picos representativos nos dias 14 e 28 de março.
A elevação do índice indica que baleias do Bitcoin estão transferindo uma fatia maior das moedas para exchanges em comparação aos demais participantes. A tendência ao longo de 2026 mostra que grandes investidores seguiram distribuindo ativos, com março mantendo esse padrão.
A combinação entre queda do ímpeto nos ETFs e aumento da venda das baleias em abril enfraquece o quadro de demanda, justamente no momento em que a análise técnica se mostra negativa.
Níveis de preço do Bitcoin para acompanhar em abril
O nível mais importante para abril é US$ 67 mil. Esta faixa serviu de apoio para o Bitcoin ao longo de 2026, sendo rapidamente retomada a cada queda. Contudo, caso ocorra um fechamento claro abaixo de US$ 67 mil no gráfico de três dias, aliado à deterioração dos dados de ETFs e atividades das baleias, uma nova correção poderá ser desencadeada.
Abaixo de US$ 67 mil, o próximo suporte está em US$ 61,5 mil (nível 0,382 de Fibonacci), seguido por US$ 60 mil, considerado um piso psicológico e técnico. Abril deve ser determinado pela capacidade do Bitcoin de manter a faixa entre US$ 60 mil e US$ 61,5 mil. Se houver uma queda abaixo desse intervalo, o caminho se abre para US$ 57 mil e, posteriormente, US$ 52.600, em linha com o nível de retração de Fibonacci em 0,618.
Pela perspectiva de alta, o cenário se fortalece caso o BTC recupere e mantenha o patamar acima de US$ 75.900, topo local atingido em março. Um avanço acima desse nível enfraquecendo a estrutura do bear flag poderia alterar a projeção de preço do Bitcoin para abril, passando de defensiva para construtiva.
No momento, abril se resume à manutenção do Bitcoin acima de US$ 60 mil. ETF, grandes investidores e o gráfico de 3 dias seguem indicando que a tendência de menor resistência ainda aponta para baixo.