O preço do Ethereum (ETH) registrou uma divergência altista clássica, repetindo uma configuração que resultou em uma alta de cerca de 25% no início deste mês.
O ativo é negociado próximo de US$ 2.140 após uma queda de 48% em relação à máxima de janeiro, de US$ 3.400. No entanto, sinais opostos entre os mercados de derivativos e o à vista indicam que o caminho à frente pode não repetir o movimento de recuperação anterior.
Alavancagem indica uma base instável
Em 8 de março, quando o índice de força relativa (RSI), indicador de momento, apresentou divergência, o open interest (OI) total do ETH era de US$ 9,42 bilhões. A taxa de financiamento agregada estava profundamente negativa, em -0,017%.
Esse contexto indicava uma forte posição vendida. A liquidação desses contratos vendidos impulsionou a alta que se seguiu.
O cenário atual apresenta diferenças. Entre 25 de janeiro e 19 de março, o ETH registrou uma mínima inferior no gráfico diário. No mesmo período, o RSI formou uma mínima mais alta, próxima de 38, conforme destacado anteriormente. Essa divergência altista padrão reflete o contexto visto entre 25 de janeiro e 8 de março, que precedeu a valorização de aproximadamente 25%.
O OI subiu 17%, para US$ 11,04 bilhões, porém a taxa de financiamento está em apenas -0,005%. Há menos posições vendidas em relação ao contexto de 8 de março.
A elevação da alavancagem agora aponta para uma predominância de posições compradas. Se o preço recuar, esses contratos comprados podem sofrer liquidação, em vez de provocar um movimento de short squeeze.
No entanto, somente os dados de derivativos não capturam o cenário completo. O mercado à vista oferece um sinal oposto que merece atenção.
Compradores à vista apresentam outro cenário
Apesar do contexto de derivativos menos favorável, os dados on-chain de fluxos em exchanges trazem indicações mais otimistas.
Em 19 de março, o saldo líquido de ETH nas exchanges ficou em -533.218, segundo uma análise da Glassnode. Esse número representa a maior saída líquida diária em mais de duas semanas.
Valores negativos apontam que mais ETH está deixando as exchanges do que entrando nelas. Em geral, isso reflete acumulação no mercado à vista, já que investidores transferem os ativos para carteiras privadas visando manter no longo prazo.
Em comparação, no dia 8 de março, quando a divergência anterior foi registrada, a mudança líquida foi de -191.554 ETH. O fluxo atual de saída é quase três vezes maior.
Se esse movimento de compras se mantiver, cria uma base sólida de demanda no mercado à vista. Essa acumulação pode compensar a fragilidade observada nos derivativos.
Com esse suporte no mercado à vista, mas riscos de alavancagem ainda presentes, o gráfico de preços se torna decisivo. Os principais níveis de Fibonacci irão definir qual força prevalece.
Previsão de preço do Ethereum e o limite de US$ 2.380
Já o gráfico diário do ETH aponta a formação de um canal ascendente após a retração de 48% desde US$ 3.400 até a mínima de 6 de fevereiro, perto de US$ 1.740. O Ethereum tentou romper a linha de tendência superior do canal em 16 de março, mas não conseguiu. Essa rejeição fez o preço voltar ao meio do intervalo.
Observação: canais ascendentes que registram quedas expressivas não são automaticamente altistas e envolvem riscos de continuidade do movimento anterior.
Analisando os níveis técnicos, a resistência principal está agora em US$ 2.380. Qualquer retomada de preço sustentada do Ethereum precisa desse patamar para confirmar o rompimento do canal e consolidar um cenário altista.
Se US$ 2.380 não for retomado, US$ 1.990 será a próxima zona de suporte. Uma queda abaixo de US$ 1.990 abre caminho para US$ 1.750, valor alinhado ao nível de Fibonacci de 0,382 e à mínima de fevereiro. Por agora, a recuperação de US$ 2.380 separa um rompimento no canal de um novo recuo em direção às mínimas de fevereiro.