O preço do Bitcoin se recuperou mais de 4% desde 19 de fevereiro, ultrapassando novamente US$ 68.200. Esse movimento trouxe um alívio temporário após semanas de fragilidade. Contudo, novos sinais técnicos e de blockchain apontam que o Bitcoin pode estar perto de atingir seu nível mais arriscado de 2026.
Uma combinação de estrutura gráfica baixista, grupos significativos de oferta abaixo do preço e risco crescente de alavancagem indica que uma correção mais profunda pode começar em breve.
Padrão de baixa e maior concentração de oferta criam risco imediato
O gráfico de 8 horas do Bitcoin atualmente revela um padrão de topo triplo do tipo “cabeça e ombros”. Essa é uma configuração de reversão baixista formada quando o preço apresenta três picos, sendo o do meio mais alto que os outros dois. O desenho indica enfraquecimento da força compradora e aumento da pressão vendedora.
Ao mesmo tempo, o Bitcoin delineou uma divergência oculta de baixa entre 6 e 20 de fevereiro. Nesse período, o preço do Bitcoin registrou um topo menor, sinalizando que a recuperação não foi suficiente para retomar o patamar anterior.
Porém, o Índice de Força Relativa (RSI) estabeleceu um topo mais elevado.
O RSI avalia o impulso de compra e venda numa escala de 0 a 100. Quando o RSI sobe, mas o preço não acompanha, indica que a força compradora está diminuindo. Esse padrão costuma anteceder recuos ou quedas nos preços.
O principal risco agora parte dos níveis de custo sobre a blockchain do Bitcoin. Dados da Distribuição de Preço Realizado por UTXO (URPD) mostram que o maior agrupamento de oferta se concentra acima de US$ 66.800. Essa faixa detém 3,17% da oferta circulante total do Bitcoin.
Outro agrupamento expressivo aparece em US$ 65.636, concentrando mais 1,38% da oferta.
Esses patamares são relevantes pois representam preços em que muitos investidores adquiriram Bitcoin. Caso o ativo caia abaixo desses valores, investidores podem vender para evitar perdas, o que pode acelerar rapidamente o processo de queda.
Juntos, esses agrupamentos representam mais de 4,5% do suprimento do Bitcoin concentrado logo abaixo do preço vigente. Com isso, forma-se uma zona de alto risco imediatamente sob o suporte do ativo, reforçando o alerta sobre o preço de mercado.
Se o Bitcoin fechar abaixo dessa região, a concretização do padrão “cabeça e ombros” pode ganhar força.
Alavancagem em alta e saídas de ETF aumentam risco de liquidação
Dados de derivativos revelam aumento do risco de liquidação com a recente recuperação do Bitcoin. O open interest, que mede o valor total de posições futuras ativas, saltou de US$ 19,54 bilhões em 19 de fevereiro para cerca de US$ 20,71 bilhões agora, durante o movimento de alta.
Isso demonstra que mais operadores ativos optaram por posições alavancadas durante a recuperação.
Ao mesmo tempo, as taxas de financiamento (funding) ficaram positivas. Elas são pagamentos entre traders comprados e vendidos. O funding positivo indica prevalência de apostas em alta, ampliando o ambiente propenso a riscos.
Caso o preço do Bitcoin comece a cair, essas posições compradas alavancadas podem ser liquidadas à força. Isso provoca o chamado short squeeze, em que os traders otimistas são retirados de suas posições, ampliando o movimento de liquidação e pressionando ainda mais o preço do ativo.
O sentimento institucional segue enfraquecido. Os ETFs de Bitcoin à vista já registram cinco semanas consecutivas de saídas líquidas. Isso indica que investidores institucionais continuam retirando capital em vez de acumular.
Isso reduz o suporte durante as quedas de preço.
Preço do Bitcoin enfrenta teste crítico abaixo de resistência institucional
O Bitcoin também permanece abaixo de seu Preço Médio Ponderado por Volume (VWAP) mensal, que está próximo de US$ 70 mil. O VWAP representa o valor médio da moeda, ajustado pelo volume negociado. A referência mensal é amplamente utilizada pelo mercado financeiro como base de custo institucional.
Quando o Bitcoin é negociado abaixo do VWAP, a posição média das instituições está negativa. Isso frequentemente leva grandes investidores a reduzirem sua exposição ou evitarem novas compras, justificando a apatia nos ETFs.
Uma alta acima de US$ 70 mil indicaria nova força institucional. No entanto, enquanto permanecer abaixo desse patamar, as tentativas de recuperação podem ficar restritas e a estrutura geral segue baixista.
Pela análise técnica, o primeiro suporte do Bitcoin está próximo dos US$ 67.300. Se esse patamar for rompido, o próximo suporte é observado em US$ 66.500, seguido por US$ 65.300. Esses níveis coincidem com importantes zonas de oferta já relatadas. Caso essas regiões não sejam mantidas, pode ser acionada uma configuração mais ampla de topo, com rompimento da linha de pescoço em US$ 60.800.
Uma queda pode então acionar um alvo de desvalorização superior a 7,5%, apontando para um preço em torno de US$ 56 mil no curto e médio prazo.
Pela perspectiva de alta, o Bitcoin precisa recuperar US$ 68.200 para estabilizar sua estrutura de curto prazo. Porém, uma reversão completa depende da retomada do VWAP de US$ 70 mil.