A subida de preço do Bitcoin tem uma ligação incomum atualmente com quem investe em títulos públicos no Brasil. O cenário de crise, a instabilidade política e a degradação das contas públicas são chave para entender a questão.
Com a economia em crise mesmo antes do coronavírus, o Brasil não vem conseguindo manter investidores estrangeiros. Um dos motivos é a falta do grau de investimento. Com seguidas crises, o país hoje está a três degraus abaixo, com nota BB-.
No entanto, o mercado segue negociando títulos ignorando essa realidade. Segundo a Bloomberg, o motivo está ligado às reservas cambiais brasileiras, hoje no patamar de US$ 340 bilhões. Investidores estariam apostando que o valor poderá ser usado em cenário crítico para honrar compromissos.
O valor corresponde a dois anos de importações e a 18% do PIB. Por exemplo, trata-se do dobro do que possuem países como Colômbia e México, mais bem avaliados por agências de risco. Apesar do rating baixo do Brasil, as reservas internacionais do Brasil reduzem o risco na visão dos investidores.
O que isso tem a ver com o Bitcoin
Ao negociar títulos baseando-se no colchão das reservas em dólar, investidores indicam confiar que o Banco Central irá parar de gastá-las. Na última quinta-feira (7), com a disparada da cotação da moeda americana após corte da Selic, o BACEN vendeu o equivalente a US$ 1 bilhão em contratos de swap cambiais. No entanto, para analistas como Evandro Buccini, diretor de renda fixa e multimercado da Rio Bravo, essas medidas têm prazo para terminar.Não dá para vender muito mais reservas do que já se vendeu. Estamos chegando perto do nível prudencial, que seria 1,5 vez o nível ótimo de reservas.Sem atuação do Banco Central, o ambiente de incertezas e os juros baixos têm tudo para fazer o dólar seguir trajetória de alta. Se isso acontecer, o preço do Bitcoin seguirá no mesmo caminho em corretoras brasileiras.
Preço do Bitcoin em nível do pico de 2017

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Paulo Alves
Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Colaborei entre 2013 e 2021 com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das...
Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Colaborei entre 2013 e 2021 com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das...
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