O Bitcoin mantém trajetória de alta, mas enfrenta dificuldades para consolidar a recuperação. Apesar de romper um suporte técnico importante, apresentar histórico favorável e registrar queda nas vendas de curto prazo, cada tentativa de avanço esbarra em resistência.
O problema não está apenas no movimento de preço. Um grupo de investidores continua realizando lucros nas altas, o que pode postergar a próxima etapa de valorização.
SponsoredEstrutura técnica permanece favorável
O Bitcoin opera em uma formação de “cup and handle” (xícara com alça) no gráfico diário. O preço chegou próximo do rompimento da alça, na região de US$ 92.400, antes de recuar. A estrutura técnica, porém, segue válida enquanto um suporte-chave for mantido.
O principal indicador é a média móvel exponencial de 20 dias (EMA-20). Esse indicador prioriza preços mais recentes e sinaliza a direção da tendência de curto prazo. No dia 10 de janeiro, o Bitcoin rompeu a EMA-20, seguido por dois candles diários de alta — uma sequência tecnicamente relevante.
Em dezembro, o Bitcoin recuperou a EMA de 20 dias duas vezes, em 3 e 9 de dezembro. Em ambas, o movimento perdeu força porque o candle seguinte virou negativo. Já em 1º de janeiro, a volta dessa média foi seguida por outro candle verde. Esse avanço resultou em uma alta de quase 7%.
Agora, uma configuração semelhante começa a se desenhar. Desde que o Bitcoin se mantenha acima da EMA de 20 dias, a tese de rompimento segue válida. No entanto, as sombras superiores extensas, próximas de US$ 92.400, indicam que há venda ativa. Isso levanta uma questão: quem está vendendo?
Sponsored SponsoredInvestidores de curto e longo prazo permanecem discretos
Os dados on-chain ajudam a responder a questão.
A pressão vendedora de curto prazo praticamente desapareceu. Os dados da Spent Coins Age Band, que destacam a movimentação dos grupos de moedas, mostram que a atividade dos investidores de 7 a 30 dias recuou expressivamente, de cerca de 24.800 BTC para apenas 1.328 BTC, uma diminuição de 95% desde 8 de janeiro. Isso sugere que os compradores recentes não estão ansiosos para vender na recuperação.
A variação líquida da posição dos investidores de perfil padrão também ficou positiva em 26 de dezembro. Esses participantes, normalmente vistos como investidores de longo prazo (com aplicações de 155 dias ou mais), estão acumulando desde então e continuaram comprando mesmo quando o Bitcoin atingiu o topo em 5 de janeiro.
A venda parte de um grupo diferente.
A variação líquida da posição dos investidores mais antigos, que acompanha detentores com moedas há mais de um ano, segue negativa. Em 1º de janeiro, esse grupo distribuiu cerca de 286.700 BTC. Até 11 de janeiro, esse volume caiu para aproximadamente 109.200 BTC, uma redução de mais de 60%. A pressão vendedora está diminuindo, porém ainda não houve mudança para compras.
Isso explica a hesitação próxima à resistência. Vendedores de curto prazo já saíram, investidores de longo prazo estão comprando, mas investidores antigos ainda ofertam quantidade suficiente para limitar a alta no momento.
SponsoredNíveis de preço do Bitcoin que são decisivos
O Bitcoin agora precisa de um fechamento diário claro acima de US$ 92.400 para abrir caminho até US$ 94.870. Superar essa região completaria o movimento de rompimento e ativaria a projeção de alta de 12%. Esse avanço aponta para a faixa de US$ 106.630.
Para isso ocorrer, o Bitcoin deve permanecer acima da EMA de 20 dias e evitar que a venda dos investidores mais antigos pressione o preço novamente para baixo.
Pelo lado negativo, US$ 89.230 serve como suporte essencial. Um fechamento diário abaixo desse patamar enfraqueceria a estrutura de rompimento. Uma queda maior em direção a US$ 84.330 anularia totalmente o cenário otimista.
Por enquanto, a trajetória de alta do Bitcoin segue em andamento. Falta apenas maior confiança por parte dos investidores mais antigos. Se esse grupo interromper as vendas, a valorização adiada pode ocorrer rapidamente.