O analista de cripto Alex Krüger afirma que a maioria dos tokens fracassou por concepção, argumentando que regulamentações ultrapassadas forçam projetos a lançarem ativos sem direitos executáveis.
Os comentários dele coincidem com um aumento expressivo nas falhas de tokens no mercado de cripto. Desde 2021, mais de 13,4 milhões de tokens “morreram”.
SponsoredPor que tantos altcoins fracassam no mercado atual
Segundo uma pesquisa da CoinGecko, 53,2% de todas as criptomoedas listadas na GeckoTerminal já tinham falhado até o final de 2025. 11,6 milhões de tokens colapsaram em 2025, o que representa 86,3% de todos os fracassos registrados desde 2021, indicando aceleração sem precedentes.
A quantidade de projetos de cripto listados subiu de cerca de 428 mil em 2021 para 20,2 milhões até 2025. Esse crescimento foi acompanhado por elevação nas falhas: apenas 2.584 moedas morreram em 2021, número que saltou para 213.075 em 2022, 245.049 em 2023 e 1,38 milhão em 2024. No entanto, o colapso de 2025 superou todos os anos anteriores.
Determinados segmentos apresentaram índices ainda maiores de fracasso. Tokens de música e vídeo tiveram taxas próximas de 75%. O analista Krüger defende que estruturas de tokens e normas antigas impulsionaram a crise.
“… A maior parte dos tokens já criados são inúteis por concepção devido a regulamentações ultrapassadas”, escreveu.
Em análise detalhada, Krüger apontou que o uso do Howey Test pela SEC e atuação regulatória reativa pressionaram projetos de cripto. O Howey Test é adotado por autoridades americanas para decidir se uma transação deve ser considerada “contrato de investimento” e, portanto, um valor mobiliário segundo a legislação dos EUA.
Uma transação é classificada como valor mobiliário se envolver:
Sponsored- um investimento de dinheiro,
- em empreendimento comum,
- com expectativa de lucro,
- baseada nos esforços de terceiros.
Se os quatro critérios forem atendidos, aplicam-se as leis de valores mobiliários dos EUA. Para fugir da classificação como valor mobiliário, equipes passaram a retirar sistematicamente todos os direitos dos tokens. Segundo Krüger, esse processo resultou em uma classe de ativos fundamentada em especulação, não em propriedade.
Essa escolha impactou profundamente o setor. Sem direitos contratuais, investidores de tokens ficam sem possibilidades legais. Paralelamente, fundadores não assumem obrigações fiduciárias perante quem aporta recursos.
Na prática, isso gerou um vácuo de responsabilidade. Equipes podem controlar grandes tesourarias ou abandonar projetos sem enfrentar repercussões legais ou financeiras.
“… Em qualquer outro mercado, um projeto que oferece zero direitos e opacidade total da tesouraria não levantaria sequer um centavo. No universo cripto, esse era o único caminho para adequação. O resultado é uma década de tokens projetados para soft rug”, acrescenta.
Ao se frustrarem com tokens utilitários bancados por fundos de risco, traders pessoas físicas optaram por memecoins, que oferecem ausência de utilidade de forma transparente. Krüger ressaltou que esse movimento ampliou a especulação e inflou dinâmicas intensas do mercado.
“… E isso só agravou o problema: memecoins são ainda mais especulativas e menos transparentes, acelerando a transição para negociações predatórias PVP e apostas de soma zero”, observou.
Krüger defende que a solução passa por uma nova geração de tokens sob regras regulatórias mais rigorosas.