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Trump pode confiscar a reserva de Bitcoin de US$ 60 bilhões da Venezuela, se ela existir?

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

07 janeiro 2026 12:00 BRT
  • Alegações de que a Venezuela possui uma reserva de 60 bilhões de dólares em Bitcoin continuam sem comprovação e carecem de evidências on-chain.
  • EUA podem processar Maduro, mas não confiscar bitcoin sem provas, acesso e jurisdição
  • Mesmo participações verificadas só poderiam ser apreendidas se estivessem diretamente ligadas a crimes e fossem acessíveis aos tribunais dos EUA.
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Especulações sobre supostas reservas de Bitcoin da Venezuela intensificaram-se após forças dos Estados Unidos capturarem o presidente Nicolás Maduro e levarem-no para o território norte-americano.

Algumas alegações sugerem que os EUA poderiam agora confiscar uma expressiva reserva oculta de Bitcoin — frequentemente estimada em 600 mil BTC, equivalente a cerca de US$ 60 bilhões segundo valores atuais. No entanto, dados jurídicos e informações on-chain revelam um cenário muito mais contido.

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Reserva secreta de 600 mil Bitcoins da Venezuela: fato ou ficção?

O boato gira em torno da hipótese de que a Venezuela teria acumulado Bitcoin de forma sigilosa ao longo de anos para driblar sanções.

Defensores citam operações informais de petróleo, vendas de ouro e utilização de cripto no país como indícios da existência de uma grande “reserva paralela”.

No entanto, não há comprovação on-chain que sustente informações sobre centenas de milhares de Bitcoin sob posse do Estado venezuelano.

Até o momento, nenhuma carteira foi identificada e não há relato de custodiantes. Portanto, inexiste evidência on-chain verificável para essa afirmação.

Resumindo, o número de US$ 60 bilhões permanece mera especulação, sem respaldo em provas concretas.

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O que a Venezuela realmente possui

O único montante que aparece recorrentemente em rastreadores públicos e avaliações de analistas é de cerca de 240 BTC. Mesmo esse valor é alvo de debate e considerado modesto em escala global.

Além disso, esse volume reduzido não está claramente vinculado a carteiras acessíveis pelas autoridades dos Estados Unidos. Pode estar armazenado em cold storage, sob custódia de terceiros ou em estruturas fora da jurisdição norte-americana.

A titularidade também é relevante. Ativos controlados pelo Estado enfrentam barreiras legais bem mais elevadas do que bens pessoais.

Os Estados Unidos podem apreender legalmente a reserva de bitcoin de Maduro?

Pela legislação dos EUA, a resposta tende a ser afirmativa. Uma vez que Nicolás Maduro esteja fisicamente nos Estados Unidos e formalmente acusado, tribunais federais costumam reivindicar jurisdição.

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O tradicional princípio Ker–Frisbie permite processos judiciais mesmo se o réu for trazido por meios considerados irregulares.

Os EUA tampouco reconhecem Maduro como líder legítimo da Venezuela. Isso enfraquece eventuais argumentos favoráveis à imunidade de chefe de Estado nas cortes norte-americanas.

No entanto, a custódia pessoal difere do controle de patrimônio.

Confiscar Bitcoin exige dois pré-requisitos — autoridade legal e acesso físico.

Primeiramente, promotores precisam demonstrar que o Bitcoin está diretamente ligado a crimes formalmente apontados na Justiça. Estimativas, análises de inteligência ou narrativas geopolíticas não são suficientes.

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Em seguida, as autoridades precisam acessar os ativos. Isso envolve posse das chaves privadas, custodiantes que colaborem ou exchanges sob alcance dos EUA. Sem as chaves ou cooperação, não é possível apreender Bitcoin — independentemente de quem esteja detido.

Essa lógica se aplica tanto à suposta reserva quanto ao montante de 240 BTC.

O que é realista daqui para frente

Os Estados Unidos podem bloquear ativos se identificá-los, pressionar intermediários ou monitorar carteiras suspeitas. Também há possibilidade de usar ameaças de confisco como estratégia em processos judiciais.

No entanto, a apreensão direta de uma reserva de Bitcoin de US$ 60 bilhões permanece, na prática, inviável do ponto de vista legal e operacional.

A prisão do adversário mais conhecido de Donald Trump não garante, portanto, o desbloqueio do Bitcoin venezuelano — real ou hipotético.

Sem comprovação, jurisdição e chaves, mesmo as alegações mais ousadas permanecem fora de alcance.

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