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Instituições estão sincronizando ETFs de Bitcoin com ações de tecnologia?

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

20 março 2026 10:30 BRT
  • Entradas em ETF de bitcoin acompanham a correlação BTC-NASDAQ com precisão consistente
  • Junho de 2024 teve um dos meses mais fracos de entrada de ETF, enquanto correlação caiu para -0,89
  • Uma queda fractal abaixo de US$ 65.700 pode levar o BTC a US$ 50 mil
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O Bitcoin (BTC) caiu mais de 40% em relação ao seu pico de outubro de 2025, próximo de US$ 126 mil, e os investidores institucionais têm papel central na recuperação por meio dos ETFs de Bitcoin. A resposta pode estar em um sinal frequentemente ignorado pela maioria dos traders.

O gráfico proprietário de correlação BTC-NASDAQ da BeInCrypto, aliado aos dados mensais de fluxo dos ETFs à vista (exchange-traded fund), mostra um padrão recorrente. Quando o Bitcoin acompanha o desempenho das ações de tecnologia (índice NASDAQ), o capital institucional acompanha por meio dos ETFs. Contudo, quando essa relação se desfaz, os recursos diminuem.

Por que Wall Street acompanha a Nasdaq antes de comprar ETFs de bitcoin

O BTC não gera rendimento. Não há relatórios de lucro, dividendos nem métricas de fluxo de caixa para os gestores tradicionais basearem seus modelos. Assim, para as instituições que distribuem recursos por ETFs à vista de Bitcoin, o ativo é tratado na mesma categoria de risco das ações de tecnologia.

Geoff Kendrick, chefe global de Pesquisa de Ativos Digitais do Standard Chartered, explicou essa relação em sessão recente do BeInCrypto Expert Council. Segundo ele, a cripto operou como uma versão robusta das ações de tecnologia em 2024, no período pré-eleitoral dos EUA. Desde então, porém, o Bitcoin passou a se comportar como um “parente mais frágil” das ações tecnológicas, com um desempenho relativo abaixo do esperado. Kendrick ainda indicou BTC formando um suporte em torno de US$ 60 mil, e admitiu a possibilidade de chegar até US$ 50 mil.

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Essa análise esclarece por que a correlação com o NASDAQ tem mais relevância do que com o S&P 500 ou Dow Jones para o Bitcoin. O NASDAQ Composite, amplamente visto como referência para ações de tecnologia dos EUA, possivelmente serve como parâmetro monitorado por mesas institucionais antes de migrar recursos para ETFs de Bitcoin.

As mesmas mesas que fazem alocações em tecnologia costumam ser responsáveis por movimentar capital para os ETFs de Bitcoin. Em seus modelos de risco, ambos são considerados ativos de alta volatilidade e sensíveis ao crescimento.

Um padrão de correlação por trás de US$ 90 bilhões em fluxos de ETF de bitcoin

Dados do SoSoValue indicam que os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA concentram atualmente mais de US$ 90 bilhões em patrimônios líquidos. A comparação mensal desses fluxos com a correlação BTC-NASDAQ destaca um padrão consistente.

No final de 2023, a correlação entrou em uma fase de alta a partir de novembro. Em poucas semanas, os primeiros ETFs à vista de Bitcoin chegaram ao mercado em janeiro de 2024, atraindo aproximadamente US$ 1,5 bilhão.

Fluxos dos ETFs de Bitcoin no início de 2024
Fluxos dos ETFs de Bitcoin no início de 2024: SoSo Value

Fevereiro e março de 2024 vieram em sequência, com entradas de US$ 6 bilhões e US$ 4,6 bilhões, respectivamente, enquanto a correlação seguia elevada com vários picos próximos a 0,81.

Correlação no início de 2024
Correlação no início de 2024: TradingView

O caso mais expressivo ocorreu em maio de 2024: a correlação atingiu o pico do ciclo em 0,93, e os ETFs registraram entradas de US$ 2,08 bilhões, após um abril negativo que teve saída de US$ 346 milhões. Quando a correlação caiu para -0,89 em junho de 2024, os aportes recuaram para somente US$ 667 milhões. Esse foi o mês de menor entrada desde o início dos ETFs, apesar dos bilionários meses anteriores e posteriores.

O padrão se manteve até o fim de 2024. Um período de cinco meses, entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, de forte correlação positiva, coincidiu com fluxos constantes de capital.

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Correlação no início de 2025
Correlação no início de 2025: TradingView

Entre setembro e janeiro, as entradas somaram mais de US$ 22 bilhões, com novembro sozinho sendo responsável por US$ 6,5 bilhões.

Fluxos dos ETFs de Bitcoin no fim de 2024
Fluxos dos ETFs de Bitcoin no fim de 2024: SoSo Value

O inverso também se confirmou: em fevereiro e março de 2025, quando houve quedas expressivas na correlação, os fluxos dos ETFs se tornaram fortemente negativos.

Fluxo de ETFs de Bitcoin no final de 2025
Fluxo de ETFs de Bitcoin no final de 2025: SoSo Value

Entre abril e julho de 2025, a faixa de correlação voltou a predominar em verde.

Correlação em meados de 2025
Correlação em meados de 2025: TradingView

Os aportes em ETFs voltaram a crescer, com o mês de julho de 2025 registrando US$ 6 bilhões.

Fluxo de ETFs de Bitcoin em meados de 2025
Fluxo de ETFs de Bitcoin em meados de 2025: SoSo Value

Esse movimento abriu caminho para a valorização do Bitcoin até o recorde histórico de outubro de 2025, próximo a US$ 126 mil.

M2 Liquidity adiciona mais uma layer à cadeia institucional

A correlação entre BTC e NASDAQ não atua de forma isolada. A base está no M2 global, indicador que mede a oferta monetária em circulação nas principais economias.

Estudo da pesquisadora macroeconômica Lyn Alden, fundadora da Lyn Alden Investment Strategy, apontou uma correlação historicamente elevada entre a cotação do Bitcoin e o M2 global. Esse padrão já havia sido destacado em 2024, reforçando a tese do fluxo monetário.

A VanEck calcula que o M2 explica aproximadamente 54% da variação de preço do Bitcoin. O mecanismo ocorre em sequência: liquidez global se amplia, as ações de tecnologia avançam, a correlação BTC-NASDAQ se fortalece e o capital institucional ingressa nos ETFs de Bitcoin.

No entanto, esse ciclo foi interrompido em meados de 2025. O M2 global cresceu mais de 10% em 12 meses, porém o Bitcoin apresentou retorno anual negativo. O elo responsável por converter a expansão do M2 em inflow para ETFs da moeda (e alta da cotação) deixou de operar quando a correlação BTC-NASDAQ entrou em território negativo prolongado entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, com menos períodos de valorização.

Correlação fraca entre 2025 e 2026
Correlação fraca entre 2025 e 2026: TradingView

Nesse período em vermelho, os resgates em ETFs foram acentuados. Em novembro de 2025, registrou-se saída de US$ 3,5 bilhões, seguida por US$ 1,1 bilhão em dezembro e US$ 1,6 bilhão em janeiro de 2026.

Fluxo de ETFs de Bitcoin no início de 2026
Fluxo de ETFs de Bitcoin no início de 2026: SoSo Value

A Fidelity projeta que a influência do M2 voltará a predominar à medida que o ciclo global de afrouxamento ganha força e o programa de aperto quantitativo (QT) do Fed chega ao fim. O questionamento é se a correlação com o NASDAQ será restabelecida para funcionar como mecanismo de transmissão.

O que os fluxos de ETF de Bitcoin e os US$ 70 mil indicam para o preço do BTC

Março de 2026 registrou US$ 1,48 bilhão em entradas de ETFs, o primeiro saldo positivo desde outubro de 2025. Em fevereiro, as saídas caíram expressivamente para US$ 207 milhões, ante US$ 1,6 bilhão em janeiro. Superficialmente, a cadeia parece estar se restabelecendo, já que a correlação voltou ao campo positivo em meados de fevereiro.

Correlação melhora
Correlação melhora: TradingView

Porém, o indicador de correlação aponta agora menos 0,19, com sinalização de “Ruptura da Correlação”. No mês anterior, o Bitcoin avançou cerca de 3,6%, enquanto a NASDAQ caiu proporção semelhante. Esse movimento inverso mantém os modelos de alocação institucional estagnados. Fases de correlação negativa, conforme demonstrado nesta análise, afastam aportes em ETFs em vez de atraí-los.

O gráfico de preços aumenta as preocupações. A estrutura diária do Bitcoin próxima de US$ 70.600 apresenta um canal ascendente, refletindo o período de consolidação ocorrido entre novembro de 2025 e início de janeiro de 2026. Naquele momento, o padrão terminou com uma ruptura que aprofundou a queda a partir de US$ 126.000. Agora, um fractal semelhante está se formando, tendo como suporte crítico o patamar de US$ 65.700.

Análise de preço do BTC
Análise de preço do BTC: TradingView

A dissociação do M2 global ainda permanece sem solução. O M2 segue crescendo mais de 10% ao ano, enquanto o Bitcoin apresenta retorno anual negativo. O NASDAQ não está em movimento de alta para absorver essa expansão, indicando que a correlação não deve se tornar positiva no curto prazo, e o modelo institucional continua inativo.

Se o canal ascendente romper abaixo de US$ 65.700, o fractal observado entre outubro e janeiro poderá se repetir. Geoff Kendrick destacou esse cenário durante a sessão do BeInCrypto Expert Council, salientando que uma estabilização mais ampla do mercado precisaria ocorrer antes que o setor de cripto iniciasse uma recuperação gradual. Sem essa estabilidade, o mesmo modelo institucional que proporcionou os movimentos de alta do Bitcoin pode sinalizar uma queda para US$ 50 mil, um patamar já apontado anteriormente por Kendrick.

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