Uma operação da Polícia Federal investiga um servidor da Caixa Econômica Federal acusado de vender dados de clientes que faziam empréstimos consignados.
A chamada “Operação Data Venditionis” foi deflagrada na quinta-feira (6) e cumpriu três mandatos de busca e apreensão em Porto Alegre (RS). A suspeita é que haja pelo menos 127 vítimas localizadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Amazonas.
Segundo o jornal Zero Hora, os mandatos foram cumpridos na casa do funcionário da Caixa, localizada no bairro Menino Deus, na sede de uma financeira, que fica no centro da cidade, e na residência do proprietário, no Alto Petrópolis. Cerca de 20 agentes participaram da ação.
SponsoredA suspeita da PF é que os dados dos contratos de empréstimo eram transferidos para a financeira, assim como as informações das vítimas. A prática também lesou o banco, que teve perda de faturamento e redução da carta de crédito.
A Polícia também investiga se os dados das vítimas foram repassadas a outras pessoas ou grupos, o que pode incluir criminosos especializados em usar este tipo de informação para praticar crimes. Não se descarta a existência de outras vítimas além das 127 já descobertas.
O servidor suspeito foi afastado das funções e deverá responder a processo administrativo interno na Caixa Econômica Federal. Além disso, ele pode responder por violação de sigilo funcional e corrupção ativa e passiva.

Falhas de segurança em bancos não são novidade. Em 2020, uma vulnerabilidade descoberta no Banco do Brasil permitia a edição de links de clientes para invadir os registros de investidores.
No mercado das criptomoedas, o caso tem paralelo em exchanges centralizadas que recentemente fecharam as portas e levaram consigo não só os dados, mas os fundos dos clientes. Por outro lado, o mesmo não acontece com o crescente segmento de finanças descentralizadas (DeFi), que permitem que o usuário guarde ele próprio suas informações, sem cópias em redes bancárias que estariam vulneráveis caso ocorra qualquer tipo de invasão.