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Paraguai vai minerar Bitcoin com máquinas confiscadas e energia de Itaipu

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

04 março 2026 12:30 BRT
  • O Paraguai responde por 4% da mineração global de Bitcoin.
  • Os Bitcoins gerados serão vendidos antecipadamente no mercado futuro.
  • A ANDE tem 1.500 ASICs apreendidos parados em depósito.
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A estatal de energia elétrica do Paraguai vai minerar Bitcoin usando equipamentos apreendidos em operações contra mineração ilegal. A informação foi divulgada nesta terça-feira (3) pela Morphware, empresa de tecnologia focada em inteligência artificial e mineração de criptomoedas, que anunciou parceria com a Administración Nacional de Electricidad (ANDE).

O projeto piloto começa com 1.500 ASICs, sigla em inglês para circuitos integrados de aplicação específica, que são chips desenvolvidos exclusivamente para minerar Bitcoin com alta eficiência energética. Os equipamentos estão armazenados após apreensões realizadas pela própria ANDE.

Sem reserva de Bitcoin

O governo paraguaio não vai acumular os Bitcoins gerados. A estratégia é operar com hedge no mercado de futuros, ou seja, vender antecipadamente os Bitcoins a serem produzidos para travar um preço e eliminar o risco de oscilação da criptomoeda. Na prática, o país trata a operação como venda de energia elétrica em outra forma.

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O modelo difere do adotado pelo Reino do Butão, que acumulou reservas significativas de Bitcoin ao longo dos últimos anos.

Segundo Kenso Trabing, fundador da Morphware, a ideia é transformar eletricidade ociosa em receita. O Paraguai produz mais energia do que consome, em grande parte por causa de Itaipu, e historicamente vende o excedente a preço baixo.

Máquinas empilhadas até o teto

A ANDE não tem experiência operacional em mineração. O papel da Morphware é fornecer a infraestrutura técnica e a assessoria necessária para colocar o projeto em funcionamento dentro das instalações controladas pela concessionária.

País já é polo global de mineração

Dados do Hashrate Index apontam o Paraguai como responsável por 4% de toda a mineração de Bitcoin no mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Rússia e China. A posição é resultado direto do baixo custo da energia elétrica no país.

Embora a atividade seja legal no Paraguai, operações clandestinas são frequentes. Em 2024, a própria ANDE descobriu um esquema ilegal de mineração dentro de uma igreja que desviava energia da rede. No início de 2025, a empresa apreendeu 670 máquinas em uma operação e mais 200 em outra.

O acordo com a Morphware cria um caminho formal para aproveitar esse passivo acumulado e transformá-lo em receita para o Estado.

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