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Nova bolsa de valores no Brasil promete chegar até 2027, mas sem criptomoedas

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

08 janeiro 2026 15:00 BRT
  • Base Exchange rompe monopólio da B3 até 2027.
  • Criptomoedas ficam de fora da plataforma.
  • Promessa de redução de custos em até 30%.
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O mercado de capitais brasileiro está prestes a passar por uma transformação histórica. Pela primeira vez em décadas, o monopólio da B3 será desafiado pela chegada de uma nova bolsa de valores: a Base Exchange, controlada pelo fundo soberano Mubadala.

Com previsão de iniciar operações até o começo de 2027, a nova plataforma promete tarifas mais justas e maior eficiência operacional. Porém, há um detalhe que chama atenção: ao contrário da B3, a Base não pretende negociar criptomoedas nem ETFs de cripto, pelo menos na fase inicial.

“Criptomoedas são ativos com fundamentos econômicos diversos, apetites distintos, e que concorrem com os ativos da bolsa na alocação de capital. Pode ser que no futuro a infraestrutura relacionada a cripto, blockchain, venha a ser usada, principalmente para a parte de depositária”, explicou Claudio Pracownik, CEO da Base Exchange, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

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Processo de aprovação

A Base Exchange já passou por todas as avaliações técnicas preliminares conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Agora, o processo depende da autorização final do Banco Central, responsável por aprovar a clearing, estrutura fundamental que garante a compensação e liquidação de todas as operações.

Segundo Pracownik, a empresa adota uma abordagem gradual porque nenhuma corretora pode se integrar à plataforma antes da aprovação completa, e as companhias abertas só podem levar propostas aos conselhos depois do aval formal dos reguladores.

Com isso, o primeiro pregão pode ocorrer no fim de 2026 ou no início de 2027.

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Modelo diferenciado

A Base aposta em um modelo operacional diferente do praticado no país. Com estrutura enxuta, tecnologia proprietária e sistemas totalmente em nuvem, a empresa promete reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência.

Entre os diferenciais, Pracownik destaca tarifas mais justas, chamadas de margem mais racionais e liberação rápida de garantias, pontos que costumam elevar o custo total das operações na B3.

A estratégia tem respaldo internacional. Em mercados onde uma segunda bolsa se instalou, houve aumento de até 25% no volume de negociação nos anos seguintes, enquanto o custo implícito das operações caiu entre 25% e 30%.

Na fase inicial, a Base Exchange oferecerá ações à vista, aluguel de ações, cotas de fundos imobiliários (FIIs), ETFs e BDRs. Produtos mais complexos, como derivativos e contratos futuros, devem ser lançados apenas depois, porque acelerar essa etapa poderia atrasar o processo de autorização.

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A decisão de deixar criptomoedas de fora reflete uma análise estratégica. Pracownik explica que os criptoativos possuem fundamentos econômicos diferentes, níveis distintos de risco e comportamento que não se alinham ao propósito central da Base.

Além disso, esses ativos competem com ações e outros instrumentos tradicionais na alocação de capital dos investidores. Ainda assim, ele reconhece que tecnologias derivadas do setor digital, como a blockchain, podem ser incorporadas futuramente, principalmente na área de depositária.

A agenda regulatória segue como um dos principais desafios. A clearing própria exige rigorosas exigências técnicas do Banco Central, considerado por Pracownik um processo natural para garantir segurança e padronização.

O BC deve produzir uma norma após consulta pública sobre ciclos de liquidação, que pode permitir operações mais eficientes no mercado brasileiro. A Base afirma já estar preparada para operar com liquidação em D+1, caso esse novo prazo seja aprovado.

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A transformação do setor não se limita à Base. A CSD BR tem planos de lançar outra bolsa no horizonte de três anos, reforçando a percepção de que o país começa a abrir espaço para um sistema mais competitivo.

Para Pracownik, o movimento é positivo, desde que os novos participantes ofereçam qualidade. Ele destaca ainda que outras bolsas poderão utilizar a clearing da Base, caso desejem acelerar sua entrada no mercado.

Pracownik acredita que o Brasil pode viver um momento mais favorável para ofertas públicas a partir do segundo semestre de 2026, caso o mercado reaja positivamente ao resultado da eleição presidencial.

Um ambiente político mais estável tende a estimular empresas a buscar capital. A Base, nesse sentido, entraria no momento em que investidores demonstram maior apetite por risco.

Com a chegada da Base Exchange, o mercado de capitais brasileiro se prepara para uma nova era de concorrência e inovação.

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