As ações da Nike (NKE) despencaram 15,5% ontem (1), após o resultado do terceiro trimestre fiscal da gigante de artigos esportivos revelar enfraquecimento dos lucros, apesar dos números principais superarem as expectativas.
A queda representou a segunda maior retração diária do papel em 25 anos, levando a NKE ao menor valor em mais de uma década, próximo de US$ 44,63.
Previsão de Cramer vira memecoin instantaneamente
Minutos após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, em 31 de março, Jim Cramer, apresentador do Mad Money da CNBC, publicou no X que o cenário parecia positivo para o papel.
Usuários das redes sociais reagiram prontamente à declaração, interpretando-a como um sinal de venda contrário, mencionando o conhecido fenômeno “Cramer Curse”.
O Inverse Cramer Tracker ETF (SJIM), lançado em 2023, foi criado com base na ideia de que apostar contra as indicações públicas de Cramer pode gerar retorno.
As respostas à publicação sobre a Nike foram tomadas por críticas, gráficos do tombo no pós-mercado e capturas de tela da queda imediata dos papéis.
A Barchart confirmou depois a dimensão do impacto, apontando que a NKE havia sofrido sua segunda maior baixa em um quarto de século.
De fato, o valor da ação da NKE recuou para níveis vistos pela última vez em outubro de 2014. No momento desta reportagem, a ação da Nike estava cotada a US$ 44,62.
Lucro acima do esperado oculta fundamentos em colapso
A Nike informou receita de US$ 11,28 bilhões, valor levemente acima das projeções, e lucro por ação de US$ 0,35, superando o consenso de US$ 0,28.
No entanto, o lucro líquido caiu 35% na comparação anual, para US$ 520 milhões. A margem bruta recuou 130 pontos-base, chegando a 40,2%, pressionada por tarifas na América do Norte e promoções agressivas.
A principal preocupação veio da orientação futura. O diretor financeiro Matt Friend sinalizou que as vendas do quarto trimestre recuariam de 2% a 4%, enquanto analistas projetavam quase 2% de alta. Já a receita na Grande China deve apresentar baixa próxima de 20% no próximo trimestre.
As vendas diretas da Nike caíram 7%, enquanto a receita digital diminuiu 9%. Os resultados da Converse desabaram 35%, atingindo US$ 264 milhões, revertendo lucro para um prejuízo operacional de US$ 40 milhões.
Reviravolta perde credibilidade
Elliott Hill, CEO que substituiu John Donahoe no fim de 2024, definiu sua gestão como uma reconstrução de longo prazo.
De todo modo, seguidas decepções trimestrais têm colocado a paciência dos investidores à prova. A concorrência de marcas como On Running, Hoka e Adidas segue enfraquecendo a posição de mercado da Nike.
Atualmente, a NKE opera cerca de 71% abaixo do pico histórico e acumula retração de aproximadamente 29% no ano.
Como a expectativa de recuperação das margens só deve ocorrer a partir do segundo trimestre do ano fiscal de 2027, o futuro é incerto para uma marca que já liderou o segmento mundial de vestuário esportivo.
O próximo balanço da Nike, referente ao quarto trimestre fiscal, está previsto para o fim de junho de 2026.