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Alagoas: Mineração ilegal de Bitcoin desviava energia e causou prejuízo de R$ 750 mil

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Escrito e editado por
Luís De Magalhães

14 janeiro 2026 13:30 BRT
  • Fazendas clandestinas de Bitcoin usavam "gatos" de energia e água irregular do Rio São Francisco.
  • Consumo ilegal de 200 mil kWh causava instabilidade elétrica e prejuízos a moradores da região.
  • Operação gerou prejuízo de R$ 750 mil em cinco meses antes de ser desarticulada pela polícia.
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A Polícia Civil desarticulou na última sexta-feira (9) quatro fazendas clandestinas de mineração de Bitcoin no município de Porto Real do Colégio, em Alagoas. A operação revelou esquema sofisticado de furto de energia elétrica e captação irregular de água que funcionou por cinco meses antes de ser descoberto.

As fazendas clandestinas utilizavam ligações diretas e ilegais à rede de distribuição de energia, os chamados “gatos”, para alimentar equipamentos de mineração de alta performance. Essa estrutura permitia que os operadores evitassem os custos elevados de eletricidade, elemento central no negócio de mineração de criptomoedas.

Os criminosos também instalaram sistema de bombeamento irregular de água do Rio São Francisco. A água era essencial para refrigerar os ASICs (circuitos integrados de aplicação específica), equipamentos que geram calor intenso durante o processo de mineração e exigem resfriamento constante para funcionar adequadamente.

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Impacto na infraestrutura local

O consumo ilegal de energia foi estimado em cerca de 200 mil kWh — equivalente ao uso moderado de aproximadamente mil residências. Segundo o delegado Thales Araújo, diretor da Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol), essa demanda excessiva provocava instabilidade na rede elétrica regional.

O consumo era de tamanho causava picos de energia nos arredores, provocando queima de aparelhos eletrodomésticos e prejuízos significativos à população de acordo com o delegado.

As autoridades calculam que a estrutura de mineração ilegal de Bitcoin gerava prejuízo mensal de R$ 155 mil em energia furtada. Em cinco meses de operação irregular, o valor total chegou a cerca de R$ 750 mil.

“Uma operação de mineração regularizada exige alto investimento em maquinário e elevados custos de manutenção. No caso em questão, os criminosos simplesmente desviavam esses custos para o sistema público”, afirmou o delegado.

Araújo frisou que a atividade de mineração de criptomoedas não é ilegal por si só. O crime está nas condições de instalação e operação: furto de energia, captação irregular de água e ausência de regularização ambiental e tributária.

A operação foi coordenada pela Dinpol com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). As autoridades apreenderam diversos ASICs e equipamentos tecnológicos utilizados na mineração.

Investigação em andamento

As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos. Segundo a polícia, esse tipo de operação criminosa costuma estar associada a outros delitos, como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, que seguem sob apuração.

A Polícia Civil trabalha para responsabilizar criminalmente os operadores das fazendas clandestinas.

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