Voltar

Mercado aposta em manutenção dos juros: Banco Central em decisão crucial

sameAuthor avatar

Escrito e editado por
Lucas Espindola

13 janeiro 2026 11:30 BRT
  • 81% dos traders no Polymarket apostam que a Selic permanecerá em 15% ao ano na reunião de janeiro.
  • Apenas 17% preveem corte nos juros, enquanto menos de 1% espera alta.
  • Volume de apostas supera US$ 41,6 mil no mercado preditivo.
Promo

O mercado de apostas preditivas está dando um recado claro sobre a próxima decisão do Banco Central brasileiro. Com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 27 e 28 de janeiro, investidores e traders na plataforma Polymarket estão apostando fortemente que não haverá alteração na taxa básica de juros.

Os dados da plataforma revelam um cenário de consenso incomum: 81% dos participantes acreditam que a Selic permanecerá inalterada em 15% ao ano. Apenas 17% apostam em um corte nos juros, enquanto menos de 1% prevê uma alta. O mercado movimentou mais de US$ 41,6 mil em apostas sobre o tema.

Sponsored
Sponsored

Contexto econômico desafiador

A taxa Selic encontra-se no maior patamar em quase 20 anos, após uma série de elevações que começaram em setembro de 2024. Durante 2025, o Banco Central promoveu quatro aumentos consecutivos no primeiro semestre, levando a taxa de 12,25% para 15% ao ano, e manteve esse nível nas quatro reuniões subsequentes.

A autoridade monetária tem enfrentado um cenário complexo marcado por inflação persistente acima da meta de 3%, mesmo com sinais de desaceleração econômica. O último dado disponível mostra o IPCA acumulando alta de 4,46% em 12 meses, dentro do teto da meta contínua de 4,5%, mas ainda distante do centro.

O que dizem os especialistas

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, que consulta semanalmente instituições financeiras, os analistas de mercado mantêm a expectativa de manutenção da Selic em 15% na primeira reunião de 2026, com possíveis cortes a partir do segundo trimestre do ano.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, tem reforçado em declarações recentes que o comitê prefere aguardar mais dados antes de sinalizar qualquer movimento. Durante coletiva em dezembro, Galípolo afirmou que não há indicações prévias sobre as próximas decisões e que a estratégia é avaliar o cenário econômico com o máximo de informações disponíveis.

Sponsored
Sponsored

O comunicado da última reunião de dezembro destacou que o cenário atual permanece marcado por “elevada incerteza” tanto no plano externo quanto no interno, o que justifica a cautela na condução da política monetária.

Fatores de pressão

Diversos elementos contribuem para a manutenção dos juros em patamares elevados:

Inflação persistente: Apesar da recente desaceleração, núcleos de inflação e preços de serviços seguem pressionados. A inflação de alimentos e energia continua volatilizando o índice geral.

Incertezas externas: A política econômica dos Estados Unidos e tensões comerciais globais afetam as condições financeiras internacionais, com reflexos diretos no Brasil.

Sponsored
Sponsored

Desafios fiscais: As discussões sobre gastos públicos e sustentabilidade fiscal do governo continuam gerando ruídos nos mercados de ativos.

Dólar volátil: A moeda americana mantém oscilações que pressionam custos e inflação importada.

Impactos para a economia

A manutenção dos juros em 15% traz consequências diretas para diversos setores:

Para o sistema financeiro, significa rentabilidades atrativas em renda fixa, com títulos públicos oferecendo retornos reais elevados. Bancos continuam lucrando com operações de crédito mais caras.

Sponsored
Sponsored

Para empresas e consumidores, o crédito permanece caro, dificultando investimentos produtivos e compras financiadas. O Banco Central projeta crescimento econômico de 2% para 2025, enquanto o mercado prevê expansão de 2,25% do PIB.

O custo dessa política também recai sobre o Tesouro Nacional: cada ponto percentual adicional na Selic representa aproximadamente R$ 50 bilhões anuais em serviço da dívida pública, beneficiando principalmente detentores de títulos públicos.

O que esperar da reunião

A primeira reunião do Copom em 2026 será crucial para definir o tom da política monetária no ano. O comitê analisará indicadores recentes de inflação, atividade econômica, mercado de trabalho e cenário internacional antes de tomar sua decisão.

Caso a expectativa do mercado se confirme e a Selic seja mantida, será a quinta vez consecutiva que o Banco Central opta pela estabilidade nos juros. A ata da reunião, divulgada na terça-feira seguinte, trará os detalhes sobre o raciocínio por trás da decisão e sinais sobre os próximos passos.

O mercado de previsões tem mostrado precisão em antecipar decisões do Copom recentemente, tornando essa forte aposta de 81% um indicador relevante do sentimento dos investidores. A decisão será anunciada na noite de 28 de janeiro, ao término do segundo dia de reunião.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.

Patrocinado
Patrocinado