A adoção de cripto na América Latina não depende mais apenas das exchanges. Os neobancos agora servem como principal porta de entrada. Essas plataformas integram cripto nos aplicativos financeiros usados no cotidiano para pagamentos, reservas e transferências.
Este ranking analisa os cinco maiores neobancos da América Latina considerando escala de usuários, volume de pagamentos, variedade de produtos de cripto e uso prático até março de 2026.
O destaque não está no volume de negociações, que poucas empresas divulgam, mas em como cada plataforma entrega cripto para o público em geral.
| Posição | Neobanco | Total de usuários | Usuários ativos/engajados | Escala de pagamentos (TPV anual) | Profundidade de oferta de cripto | Ponto forte principal |
| 1 | Nubank | 131 milhões | 109 milhões | Não é foco principal (modelo empréstimos e depósitos) | 28 ativos, transferências, staking, recompensas | Ecossistema de cripto em grande escala |
| 2 | Mercado Pago | 78 milhões (usuários mensais) | 78 milhões de usuários ativos mensais | US$ 278 bilhões | Compra, venda, stablecoin (MUSD), integração com pagamentos | Maior uso de cripto no cotidiano |
| 3 | Inter & Co | 43 milhões | 25 milhões | US$ 360 bilhões | 5 grandes ativos via infraestrutura regulada | Integração financeira de padrão institucional |
| 4 | PicPay | 67 milhões | 42,7 milhões | US$ 100 bilhões | Cerca de 15 ativos de cripto, recursos de negociação | Carteira digital com alto engajamento |
| 5 | PagBank | 34 milhões | 34 milhões (uso focalizado em pagamentos) | US$ 530 bilhões | Exposição indireta via fundos e produtos | Maior infraestrutura de pagamentos |
Conheça os líderes que promovem a mudança institucional da cripto
1. Nubank: escala e integração total com cripto
O Nubank lidera por ampla diferença. O banco atende 131 milhões e já soma mais de 7 milhões de usuários de cripto.
A plataforma integra 28 ativos, recursos de staking e recompensas, oferecendo o portfólio de cripto mais amplo entre os neobancos latino-americanos. Os serviços de cripto estão integrados ao app principal de contas, e não isolados em um produto separado.
Essa abordagem é relevante. O Nubank dissemina o acesso à cripto em ampla escala, mostrando que cripto pode ser parte do sistema financeiro de varejo, não apenas nicho para entusiastas.
2. Mercado Pago: cripto por meio de pagamentos
O Mercado Pago adota uma estratégia distinta. Atua junto a cerca de 78 milhões de usuários mensais e processa US$ 278 bilhões em pagamentos ao ano.
Em vez de centrar a oferta em negociações, o serviço insere cripto nas transações diárias dos clientes. É possível comprar, vender e interagir com stablecoins como MUSD dentro do ecossistema de pagamentos.
Isso consolida o Mercado Pago como plataforma de cripto voltada à utilidade. O diferencial está em tornar cripto funcional, não apenas ativo para investimento. Essa distinção incentiva adoção por usuários comuns que não se veem como traders.
3. Inter: acesso institucional
O Inter combina serviços digitais e infraestrutura de investimento. São 43 milhões de clientes, dos quais 25 milhões estão ativos, além de forte atuação em fluxos financeiros e custódia.
A oferta de cripto é mais limitada. A plataforma permite acesso a cerca de cinco grandes ativos, sempre por meio de infraestrutura regulada.
Esse perfil privilegia conformidade e estabilidade, em vez de amplitude. Nesse caso, cripto funciona mais como extensão da área de investimentos do que ferramenta para negociações rápidas.
4. PicPay: crescimento impulsionado pelo engajamento
O PicPay atua em grande escala, com 67 milhões de cadastros e mais de 42 milhões de clientes ativos. Processa acima de US$ 100 bilhões ao ano em pagamentos.
A companhia voltou a oferecer cripto em 2025, chegando a cerca de 15 ativos. A estratégia atual foca engajamento, mirando quem já faz pagamentos e transferências peer-to-peer pelo app.
A base de usuários de cripto é menor que a do Nubank, mas o PicPay registra alto nível de uso, formando base sólida para crescimento da adoção a partir do comportamento financeiro já estabelecido.
5. PagBank: gigante dos pagamentos, cripto com alcance limitado
O PagBank fecha o ranking com 34 milhões de clientes e uma das maiores infraestruturas de pagamentos do continente, movimentando US$ 530 bilhões por ano.
A exposição à cripto segue indireta: o acesso ocorre via produtos de investimento e fundos, em vez de negociações dentro do app.
Isso restringe a adoção em comparação com concorrentes. Entretanto, a escala do PagBank pode torná-lo importante canal de distribuição caso amplie sua oferta de cripto.
O que este ranking mostra?
Os neobancos da América Latina não disputam por volume de transações. Eles concorrem em distribuição, acessibilidade e integração às finanças cotidianas.
O Nubank mostra como a escala impulsiona a adoção. O Mercado Pago evidencia como pagamentos agregam utilidade. Outras empresas posicionam cripto como camada de investimento ou ferramenta de engajamento.
Juntas, essas iniciativas refletem uma mudança mais ampla. A adoção de cripto na América Latina ocorre, cada vez mais, diretamente nos aplicativos bancários já utilizados pela população, e não apenas em exchanges independentes.