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Melania Trump comprou o próprio NFT, diz site

4 mins
Atualizado por Júlia V. Kurtz

EM RESUMO

  • NFT de Melania Trump foi vendido pelo preço inicial de 1.800 SOL.
  • Fundos foram fornecidos pela carteira que criou o token.
  • Escritório da ex-primeira dama afirma que compra foi feita por neófito em cripto.
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A súbita entrada de Melania Trump no universo cripto já causara estranhamento no momento em que foi anunciada e uma análise on-chain parece indicar que, realmente, onde há fumaça, há fogo.

Uma pesquisa feita no blockchain da Solana pelo Motherboard revelou que o endereço do comprador do token não fungível (NFT) de Melania Trump foi criado e financiado pelo responsável pela criação do NFT.

O token vendido fazia parte da coleção “Head of State 2022” e foi anunciada em dezembro. Ela continha um NFT que representa um chapéu usado pela ex-primeira dama durante o mandato de seu marido Donald Trump, além de uma pintura dela com o acessório, que foi usado em 2018 em um encontro com o presidente francês Emmanuel Macron.

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O preço inicial do conjunto, leiloado na Solana, foi anunciado como de 1.800 SOL, o equivalente a US$ 250.000 na época. Segundo o release de imprensa, parte dos lucros seria revertido para caridade.

O primeiro sinal de que algo estava errado naquele conjunto surgiu dias depois, quando Donald Trump, em algo que só podemos chamar de “incrível coincidência”, foi a público criticar, vejam só!, a legitimidade de NFTs.

Como era esperado, a dissonância entre o casal se tornou notícia logo em seguida e o Casal Trump ganhou publicidade grátis para a coleção.

Nada disso adiantou, entretanto, uma vez que, em janeiro, a coleção foi finalmente vendida pelos mesmos 1.800 SOL iniciais. Entretanto, devido à queda no mercado de criptomoedas ocorrida na época, este valor correspondia a US$ 170.000.

Blockchain revela identidade do comprador

Não é novidade para ninguém que um NFT seja vendido por preços absurdamente baixos em relação às expectativas. Na verdade, a grande maioria deles não consegue gerar hype o suficiente para ser vendido por uma fortuna.

Outra pergunta que ninguém se deu ao trabalho de perguntar em um primeiro momento foi a identidade do comprador do token. Isso não é estranho, uma vez que, no mundo do blockchain, anonimato é a regra e carteiras com identidades conhecidas são exceção.

Mas o blockchain também é conhecido por sua rastreabilidade e essas duas características, por mais que soem adversas, conseguem conviver juntas seguindo uma diretriz: é possível saber tudo sobre uma carteira, menos quem a possui.

Este axioma, por sua vez, muitas vezes é ignorado por quem não entende as entranhas da blockchain, o que parece ser o caso de Melania Trump e sua equipe. Uma análise da equipe do Motherboard na carteira compradora do NFT descobriu uma cadeia de eventos suspeitos.

Esta carteira foi criada no dia 25 de janeiro, o mesmo dia em que o NFT foi arrematado. O dinheiro usado para vencer o leilão foi enviado por um segundo endereço, que serviu de intermediário para transação (o Motherboard se refere a ele como “endereço X”).

Pouco antes dessa transação, o endereço X recebeu os mesmos 1.800 SOL usados para o leilão em USDC e os converteu em SOL. O remetente desse dinheiro era a mesma carteira que criou o NFT.

A trama, entretanto, não para por aí. Horas depois da venda do token, o endereço criador recebeu os fundos e o encaminhou na íntegra para o endereço X.

Explicação de Trump é insuficiente

O Motherboard encaminhou estas descobertas à equipe de Melania Trump e pediu explicações sobre a venda do NFT. A resposta foi de que eles receberam “uma proposta de alguém que não sabia mexer com criptomoedas” e a própria equipe teria se encarregado da parte operacional da transação.

A explicação, porém, é insuficiente e não dá conta de como os mesmos fundos saíram da carteira criadora do NFT e passaram por três endereços diferentes, alguns por mais de uma vez. O Motherboard insistiu para obter essas respostas, mas foi recepcionado com silêncio.

A equipe também se recusou a identificar o comprador misterioso do token. Sua identidade, entretanto, não seria relevante, se não fossem as circunstâncias estranhas assombrando este caso. A resposta de Melania Trump de que o NFT foi vendido a um neófito cripto não foi comprovada falsa, mas ela parece ter sido construída ignorando a máxima de que a blockchain é rastreável.

Lavagem de NFTs preocupa especialistas

A série de eventos relacionados aos NFTs de Melania Trump são muito semelhantes aos usados para a lavagem de NFTs. O problema começou a ganhar tração há pouco tempo e foi denunciado pela Chainalysis no início de fevereiro.

A prática é simples: criadores lançam NFTs por preços acessíveis e, depois compram o próprio token por um preço maior usando outros endereços. Isso dá a impressão de que a arte está sendo valorizada e induz outros investidores a comprarem o token na expectativa de que ele possa crescer ainda mais.

A prática é quase tão antiga quanto os próprios NFTs. Segundo a Chainalysis, ela movimentou US$ 6 milhões em 2020, mas, com a explosão do mercado no ano seguinte, esse valor saltou pra US$ 44,2 bilhões.

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Júlia V. Kurtz
Editora do BeInCrypto Brasil, a jornalista é especializada em dados e participa ativamente da comunidade de Criptoativos, Web3 e NFTs. Formada pelo Knight Center for Journalism in the Americas da Universidade do Texas, possui mais de 10 anos de experiência na cobertura de tecnologia, tendo passado por veículos como Globo, Gazeta do Povo e UOL.
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