A súbita entrada de Melania Trump no universo cripto já causara estranhamento no momento em que foi anunciada e uma análise on-chain parece indicar que, realmente, onde há fumaça, há fogo.
Uma pesquisa feita no blockchain da Solana pelo Motherboard revelou que o endereço do comprador do token não fungível (NFT) de Melania Trump foi criado e financiado pelo responsável pela criação do NFT.
O token vendido fazia parte da coleção “Head of State 2022” e foi anunciada em dezembro. Ela continha um NFT que representa um chapéu usado pela ex-primeira dama durante o mandato de seu marido Donald Trump, além de uma pintura dela com o acessório, que foi usado em 2018 em um encontro com o presidente francês Emmanuel Macron.
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O preço inicial do conjunto, leiloado na Solana, foi anunciado como de 1.800 SOL, o equivalente a US$ 250.000 na época. Segundo o release de imprensa, parte dos lucros seria revertido para caridade.
O primeiro sinal de que algo estava errado naquele conjunto surgiu dias depois, quando Donald Trump, em algo que só podemos chamar de “incrível coincidência”, foi a público criticar, vejam só!, a legitimidade de NFTs.
Como era esperado, a dissonância entre o casal se tornou notícia logo em seguida e o Casal Trump ganhou publicidade grátis para a coleção.
Nada disso adiantou, entretanto, uma vez que, em janeiro, a coleção foi finalmente vendida pelos mesmos 1.800 SOL iniciais. Entretanto, devido à queda no mercado de criptomoedas ocorrida na época, este valor correspondia a US$ 170.000.
Blockchain revela identidade do comprador
Não é novidade para ninguém que um NFT seja vendido por preços absurdamente baixos em relação às expectativas. Na verdade, a grande maioria deles não consegue gerar hype o suficiente para ser vendido por uma fortuna.
Outra pergunta que ninguém se deu ao trabalho de perguntar em um primeiro momento foi a identidade do comprador do token. Isso não é estranho, uma vez que, no mundo do blockchain, anonimato é a regra e carteiras com identidades conhecidas são exceção.
Mas o blockchain também é conhecido por sua rastreabilidade e essas duas características, por mais que soem adversas, conseguem conviver juntas seguindo uma diretriz: é possível saber tudo sobre uma carteira, menos quem a possui.
Este axioma, por sua vez, muitas vezes é ignorado por quem não entende as entranhas da blockchain, o que parece ser o caso de Melania Trump e sua equipe. Uma análise da equipe do Motherboard na carteira compradora do NFT descobriu uma cadeia de eventos suspeitos.
Esta carteira foi criada no dia 25 de janeiro, o mesmo dia em que o NFT foi arrematado. O dinheiro usado para vencer o leilão foi enviado por um segundo endereço, que serviu de intermediário para transação (o Motherboard se refere a ele como “endereço X”).
Pouco antes dessa transação, o endereço X recebeu os mesmos 1.800 SOL usados para o leilão em USDC e os converteu em SOL. O remetente desse dinheiro era a mesma carteira que criou o NFT.
A trama, entretanto, não para por aí. Horas depois da venda do token, o endereço criador recebeu os fundos e o encaminhou na íntegra para o endereço X.
Explicação de Trump é insuficiente
O Motherboard encaminhou estas descobertas à equipe de Melania Trump e pediu explicações sobre a venda do NFT. A resposta foi de que eles receberam “uma proposta de alguém que não sabia mexer com criptomoedas” e a própria equipe teria se encarregado da parte operacional da transação.
A explicação, porém, é insuficiente e não dá conta de como os mesmos fundos saíram da carteira criadora do NFT e passaram por três endereços diferentes, alguns por mais de uma vez. O Motherboard insistiu para obter essas respostas, mas foi recepcionado com silêncio.
A equipe também se recusou a identificar o comprador misterioso do token. Sua identidade, entretanto, não seria relevante, se não fossem as circunstâncias estranhas assombrando este caso. A resposta de Melania Trump de que o NFT foi vendido a um neófito cripto não foi comprovada falsa, mas ela parece ter sido construída ignorando a máxima de que a blockchain é rastreável.
Lavagem de NFTs preocupa especialistas
A série de eventos relacionados aos NFTs de Melania Trump são muito semelhantes aos usados para a lavagem de NFTs. O problema começou a ganhar tração há pouco tempo e foi denunciado pela Chainalysis no início de fevereiro.
A prática é simples: criadores lançam NFTs por preços acessíveis e, depois compram o próprio token por um preço maior usando outros endereços. Isso dá a impressão de que a arte está sendo valorizada e induz outros investidores a comprarem o token na expectativa de que ele possa crescer ainda mais.
A prática é quase tão antiga quanto os próprios NFTs. Segundo a Chainalysis, ela movimentou US$ 6 milhões em 2020, mas, com a explosão do mercado no ano seguinte, esse valor saltou pra US$ 44,2 bilhões.
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