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Por que 2025 se tornou o ano em que a cripto deixou de perseguir hype?

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

31 dezembro 2025 18:00 BRT
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  • Narrativas de cripto em 2025 mudaram do hype para infraestrutura que oferece utilidade e adoção no mundo real
  • Stablecoins lideraram a mudança, permitindo pagamentos eficientes, liquidação e integração institucional em larga escala
  • RWAs, IA aplicada e privacidade ganharam destaque ao resolver problemas práticos, não ao impulsionar especulação
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Em 2025, as narrativas mais influentes do setor cripto deixaram de priorizar o hype e passaram a valorizar utilidade e sistemas que entregam impacto real e mensurável. O ano marcou uma virada para sistemas prontos para produção, que aprimoram a movimentação global e a liquidação de valor.

Especialistas da SynFutures, Brickken e Cake Wallet afirmaram que stablecoins, privacidade, ativos tokenizados e IA aplicada impulsionaram a adoção com base em demanda genuína, e não mais em especulação.

O ano em que a cripto virou infraestrutura

De diversas maneiras, 2025 foi um ano expressivo. Pela primeira vez, o setor cripto atingiu esse grau de integração institucional, e usuários passaram a interagir com as infraestruturas cripto sem perceber o uso de “cripto” enquanto produto final.

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Apesar de o setor seguir marcado pela volatilidade, apenas algumas narrativas se destacaram por sua utilidade prática. Em contraste, aquelas impulsionadas pelo hype e sensacionalismo perderam força rapidamente.

Nas entrevistas à BeInCrypto, representantes do setor apontaram um diagnóstico consistente: narrativas baseadas em integração e execução se mostraram duradouras, enquanto as focadas na novidade perderam espaço gradualmente.

Mesmo diante de narrativas variadas, as stablecoins se mantiveram recorrentes como principal tema citado.

Stablecoins se tornam o principal uso da cripto

Stablecoins têm ajudado a aproximar participantes dispostos a assumir riscos daqueles mais cautelosos, que buscam exposição limitada a um mercado historicamente relacionado à volatilidade.

Ao manter seu valor atrelado a ativos como o dólar americano ou ouro, as stablecoins se posicionaram como alternativa mais estável em comparação a outros ativos digitais. Seu caráter sem fronteiras também ampliou a atratividade em relação a moedas fiduciárias.

Avanços regulatórios, incluindo a aprovação do GENIUS Act, reforçaram a confiança nas stablecoins, permitindo que sua utilidade e eficiência de infraestrutura fossem reconhecidas de forma independente.

“… As stablecoins resolveram um problema muito concreto do cotidiano: mover e liquidar dinheiro com eficiência entre países sem depender de bancos lentos, segmentados e caros”, afirmou Edwin Mata, CEO da Brickken. “Para o usuário, elas oferecem acesso a dólares e euros digitais em jurisdições onde o acesso bancário é limitado, dispendioso ou instável”, acrescentou.

O impacto foi prático, e não apenas teórico, à medida que Stripe e Visa incorporaram stablecoins em operações de liquidação e tesouraria. Paralelamente, Circle possibilitou que empresas utilizassem o USDC como capital de giro, e não como ativo especulativo.

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Com a maturidade das stablecoins como instrumentos de liquidação, foi possível expandir a adoção de ativos do mundo real (RWAs) tokenizados.

Tokenização avança além dos programas-piloto

Segundo Rachel Lin, CEO da SynFutures, os RWAs conseguiram aproximar finanças tradicionais e setor cripto. No entanto, isso ocorreu de maneira limitada.

A adoção dos RWAs foi, na prática, muito mais seletiva do que se previa anteriormente.

“… Tesourarias, fundos e produtos de rendimento tokenizados obtiveram avanços concretos por oferecerem benefícios reais: liquidação aprimorada, componibilidade e acesso mais amplo”, disse Lin à BeInCrypto. E completou: “… Contudo, 2025 também deixou claro que RWAs só prosperam onde há segurança jurídica, liquidez e emissores confiáveis. A discussão passou da experimentação para a execução, mas o processo ainda está no início.”

Os resultados são evidentes: grandes bancos e gestoras de ativos passaram a utilizar tokenização para ampliar a eficiência. Nesta semana, o JPMorgan lançou um fundo de mercado monetário tokenizado no Ethereum, superando o estágio de testes internos ou projetos-piloto.

No mesmo período, gestoras como a BlackRock expandiram ofertas de fundos tokenizados, enquanto bancos integraram stablecoins aos fluxos de tesouraria e liquidação.

Outro tema de destaque em todos os setores, especialmente no segmento cripto, foi a inteligência artificial (IA).

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Onde a IA gerou valor mensurável

O interesse inicial em IA concentrou-se no temor de que agentes autônomos substituíssem decisões humanas, um enredo que perdeu força rapidamente.

Ganhou relevância, no entanto, o foco prático em como a IA pode aprimorar a experiência do usuário ao auxiliar no entendimento de exposição a riscos e em sua gestão.

“… A IA gerou valor real ao reduzir complexidades cognitivas e operacionais — especialmente em interfaces de negociação, controles de risco e apoio a decisões. Produtos que usam IA para explicar exposição, automatizar execuções sob limites predefinidos ou evitar erros onerosos apresentaram melhorias concretas”, explicou Lin.

A ascensão dos agentes de IA também rendeu grande atenção, embora as expectativas tenham se tornado mais moderadas ao longo do ano.

O sucesso desses agentes dependeu menos da autonomia e mais de fatores como confiança, auditabilidade e limites definidos pelo usuário. Exemplos de uso em gestão de liquidez, execução automática de estratégias e otimização de tesouraria demonstraram potencial, sempre que existiam proteções claras.

À medida que a IA se integrou mais às soluções cripto, também aumentaram preocupações antigas sobre a exposição de dados.

Essa convergência transformou a privacidade de preocupação periférica para eixo central das discussões em 2025.

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Por que a privacidade não pode mais esperar

A privacidade consolidou-se como uma das principais narrativas do setor, impulsionada pela crescente percepção de como sistemas financeiros expõem informações e comportamentos dos usuários.

Como resultado, preocupações antigas sobre a visibilidade dos dados ganharam destaque. Ao mesmo tempo, a privacidade, antes vista como uma preferência restrita, passou a ser considerada um requisito estrutural.

“Uma das maiores mudanças de narrativa no setor até agora ocorreu este ano, quando as pessoas perceberam a necessidade (e demanda de mercado) por privacidade simples e acessível para seu dinheiro”, afirmou Seth for Privacy, Vice-presidente da Cake Wallet, ao BeInCrypto.

O aumento no uso do Monero, a crescente atenção da mídia internacional sobre o Zcash e uma tendência mais ampla em direção a recursos de privacidade em stablecoins e redes layer 2 intensificaram esse movimento.

“Tudo isso resolve um dos maiores desafios para quem utiliza cripto: como manter a privacidade que já existe no sistema financeiro tradicional ou no dinheiro em espécie, aliada à descentralização e ao poder da cripto?”, acrescentou Seth.

A ascensão de soluções voltadas à privacidade, ao lado de outras pautas bem-sucedidas do último ano, comprovou que a adoção de cripto depende cada vez mais exclusivamente de sua utilidade.

Com a evolução do setor, o sucesso da cripto tende a ser medido não pela quantidade de divulgação, mas pela confiabilidade de seu funcionamento.

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