Guarda Revolucionária do Irã usa outra fonte além do Bitcoin, diz Chainalysis

  • Carteiras ligadas ao IRGC receberam mais de US$ 3 bilhões em 2025, atingindo 50% do volume do Irã no quarto trimestre.
  • Stablecoins surgem como principal via cripto do Irã, apesar do risco de congelamento por emissores.
  • Valor de US$ 3 bilhões da Chainalysis é estimativa mínima e escala real deve ser maior.
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A Guarda Revolucionária Islâmica controla “uma fatia esmagadora” de toda a economia cripto do Irã, segundo Kaitlin Martin, analista sênior de inteligência da Chainalysis.

O sistema de pedágio no Estreito de Ormuz, recém-divulgado, marca a mais recente expansão dos esforços do Irã para aumentar a integração com criptoativos. Porém, apesar do avanço do país nesse cenário, quem sustenta esse movimento são as stablecoins, e não o Bitcoin (BTC).

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Uma ala militar se torna potência em cripto

Em entrevista ao BeInCrypto, Martin disse que o Irã desenvolveu uma economia de criptomoedas “vibrante” em razão de sanções internacionais expressivas, que limitam o acesso às grandes exchanges globais.

Ela explicou que as exchanges domésticas de cripto no Irã registraram crescimento expressivo e volumes elevados de negociações nos últimos anos. Embora a adesão a cripto siga aumentando em todo o país, a Guarda Revolucionária Islâmica permanece como a principal força controlando os ativos digitais iranianos.

Martin afirmou que a Guarda Islâmica respondeu por quase 50% de toda a atividade cripto do Irã no quarto trimestre de 2025.

“… A Guarda Revolucionária Islâmica está assumindo uma parte esmagadora dessa atividade de criptomoedas como um todo”, disse.

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Martin ressaltou ainda que esse dado não mostra todo o cenário. A estimativa de US$ 3 bilhões para 2025 considera apenas dados públicos disponíveis e representa um valor mínimo.

“… Estamos realmente observando Estados-nação começando a integrar cripto em seus instrumentos e sistemas financeiros, misturando essas tecnologias com as formas tradicionais de movimentação de capital. Não é surpreendente, acompanhando essa atividade, ver volumes tão altos sendo utilizados pelo regime quando comparados à economia cripto total do Irã”, declarou à BeInCrypto.

Stablecoins ganham espaço como principal via cripto do Irã

Com o crescimento da economia cripto iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica vem recorrendo especialmente às stablecoins. Martin destacou que registros de sanções e ordens de apreensão ajudam a entender como o Irã utiliza criptoativos.

Ela apontou que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos já sancionou múltiplas carteiras associadas a integrantes ligados à Guarda. Paralelamente, o Escritório Nacional para o Combate ao Financiamento do Terrorismo de Israel apreendeu mais de 100 carteiras vinculadas, todas utilizando stablecoins.

Martin também disse que documentos regulatórios mostram o Irã empregando stablecoins em transações comerciais e compras em grande escala.

“… Sabemos de fato que o regime iraniano usa stablecoins”, afirmou.

Embora emissores possam congelar esses ativos, Martin explicou que a paridade com o dólar e a agilidade em pagamentos internacionais tornam as stablecoins uma escolha interessante para economias sob pesadas sanções, com acesso restrito à liquidez global em dólar.

“… Acredito que há espaço para o Bitcoin tanto entre integrantes do regime quanto entre iranianos comuns. Mas, ao tratarmos de cobrança de pedágios ou operações comerciais em larga escala, as stablecoins apresentam uma alternativa mais adequada”, comentou Martin.

O que acompanhar?

A movimentação monitorada da Guarda Revolucionária cresceu de US$ 2 bilhões para US$ 3 bilhões em apenas um ano. Com a cobrança de pedágio em Ormuz agora supostamente em operação, essa trajetória pode se acelerar ainda mais.

O debate estrutural é intenso: quando um grupo paramilitar sob sanções se transforma em protagonista de uma economia cripto nacional e passa a definir o preço do acesso a rotas globais de comércio em Bitcoin, a fronteira entre forças armadas e instituição financeira se torna tênue.


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