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Pedágio de Ormuz do Irã pode ser cobrado em stablecoins, não em Bitcoin

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

11 abril 2026 10:00 BRT
  • IRGC do Irã exige pedágios em cripto de petroleiros que cruzam o Estreito de Ormuz.
  • Analistas de blockchain da Chainalysis esperam que stablecoins, e não o Bitcoin, sejam o verdadeiro meio de pagamento.
  • A atividade on-chain da IRGC superou US$ 3 bilhões apenas em 2025.
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O Irã está exigindo pagamentos em criptomoedas de petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz. Hamid Hosseini, porta-voz do Sindicato dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, mencionou especificamente o Bitcoin (BTC) em uma declaração recente.

No entanto, a Chainalysis indica que as stablecoins podem ser o instrumento preferido, alinhado ao modo como a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) historicamente movimenta dinheiro.

Stablecoins se encaixam na estratégia do Irã

A Chainalysis afirma que as stablecoins e não o BTC, devem ser usadas como instrumento para cobrança de pedágio pela IRGC. A empresa destacou a preferência já documentada pelo regime por tokens atrelados ao dólar ao longo de anos de comércio ilícito.

O motivo é claro. Stablecoins atreladas ao dólar preservam valor de formas que o BTC não consegue. O rial iraniano perdeu valor expressivo em relação ao dólar, tornando a estabilidade de preço essencial para receitas comerciais em larga escala.

A volatilidade regular do Bitcoin exporia os valores arrecadados a perdas imprevisíveis entre a coleta e a conversão.

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“… O regime utilizou stablecoins porque o lastro no dólar dos Estados Unidos garante preservação de valor e oferece a liquidez necessária para uso em larga escala”, afirma o relatório. “O Bitcoin, por outro lado, passa por variações regulares de preço.”

A Chainalysis observou que a IRGC historicamente utiliza stablecoins em vendas de petróleo, aquisição de armas e financiamento de grupos intermediários. Já o Bitcoin cumpre outra função nas operações de cripto do Irã.

O relatório vincula principalmente o uso do ativo a agentes cibernéticos iranianos em campanhas de ransomware e outras atividades ilícitas. Trata-se de um uso fundamentalmente diferente do modelo de cobrança com alto volume e foco comercial.

Bilhões já circulam on-chain

A dimensão das operações em cripto já conduzidas pela IRGC reforça porque as stablecoins devem ser a escolha mais provável. A Chainalysis estima que carteiras ligadas à IRGC receberam mais de US$ 2 bilhões em 2024.

Esse valor ultrapassou US$ 3 bilhões em 2025, o que corresponde a cerca de metade do ecossistema cripto total do Irã no quarto trimestre.

Esses números representam estimativas conservadoras e incluem apenas carteiras identificadas em listas da OFAC e listas de apreensão do Escritório Nacional de Combate ao Financiamento do Terrorismo de Israel. A rede completa de empresas de fachada e carteiras intermediárias é ainda maior.

Antes do bloqueio, o Estreito de Ormuz movimentava cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, aproximadamente 20% do comércio marítimo global do produto. Com a cobrança de US$ 1 por barril, mesmo a arrecadação parcial desses volumes poderia gerar bilhões por ano. As stablecoins atendem ao ritmo e liquidez exigidos por essa escala de operações.

“… Essas remessas de petróleo podem gerar receita fundamental para o regime durante a ameaça mais grave à República Islâmica em décadas”, acrescentou a Chainalysis.

No entanto, as stablecoins trazem riscos para Teerã. Diferentemente do BTC, emissores de stablecoins podem congelar ativos em carteiras designadas. A Chainalysis destacou esse fator como ponto crucial para intervenção de reguladores e autoridades se o programa de pedágio com stablecoins avançar.

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