O Bitcoin (BTC) apresenta sinais de restrição de oferta, com o Índice de Escassez na Binance atingindo níveis não registrados desde outubro de 2025.
A mudança ocorre enquanto carteiras de grandes investidores com pelo menos 100 BTC atingem um recorde, ao passo que a venda por investidores de longo prazo segue abaixo do pico de 2021.
Alta do Índice de Escassez reflete condições restritas
O analista Arab Chain informou que o Índice de Escassez do Bitcoin na Binance subiu para aproximadamente 5,10, o maior patamar desde outubro.
O indicador mede o equilíbrio entre oferta disponível e pressão de demanda na exchange. Uma leitura elevada sugere que a quantidade de Bitcoin disponível para negociação ficou abaixo da média histórica.
Arab Chain ressaltou que essa alteração pode indicar mudança no comportamento dos investidores. Em vez de manter BTC nas exchanges, os donos parecem transferir para armazenamento a frio ou segurá-lo visando o longo prazo.
“Estruturalmente, valores positivos elevados no índice significam que a quantidade de Bitcoin disponível para venda imediata na plataforma está relativamente limitada, o que pode aumentar a sensibilidade do preço a qualquer aumento na demanda. Nesses cenários, o preço pode se mover com mais rapidez porque a liquidez disponível não é suficiente para absorver grandes compras com facilidade”, aponta a análise divulgada.
O panorama mais amplo nas exchanges reforça essa tendência. Dados da CryptoQuant mostram que exchanges centralizadas detêm hoje cerca de 2,7 milhões de BTC, o nível mais baixo desde o fim de 2020.
Atividade de baleias de Bitcoin indica confiança
Ao mesmo tempo, dados on-chain apontam aumento na acumulação entre grandes investidores. Hoje, 20.031 carteiras têm ao menos 100 BTC, estabelecendo novo recorde. Nos preços atuais, uma carteira com 100 BTC vale ao menos US$ 7,15 milhões.
A Santiment também informou que, além do número expressivo de grandes investidores, cerca de 954 mil carteiras concentram entre 1 e 100 BTC, enquanto em torno de 57,6 milhões de endereços possuem até 1 BTC. Essa distribuição reflete ao mesmo tempo uma concentração em grandes contas e ampla participação de usuários menores.
O aumento de grandes carteiras ocorre em meio à fraqueza persistente de preço. O BTC caiu cerca de 43% do topo de outubro, mas investidores de maior porte seguem acumulando.
No lado das vendas, o analista Darkfost destacou que, ao contrário das expectativas, investidores de longo prazo (LTHs) não venderam tanto durante o ciclo de 2025. Os dados indicam que LTHs gastaram cerca de 15,1 milhões de BTC ao longo do ciclo de 2025.
O número está abaixo dos 15,3 milhões de BTC gastos no ciclo de 2021, considerado o volume mais elevado já registrado. Em ciclos anteriores, os volumes foram de 7,3 milhões e 13,6 milhões de BTC. Portanto, os níveis de 2025 são elevados, mas ainda não superam recordes anteriores.
“Esses dados contradizem alguns gráficos distorcidos por movimentações internas de certas entidades. Por exemplo, a Coinbase transferiu cerca de 800 mil BTC, grande parte categorizada como oferta LTH (removida aqui)”, afirmou Darkfost. “Como mais entidades operam no mercado, esse tipo de transferência interna também aumentou, o que parece ser uma característica estrutural deste ciclo. Na prática, LTHs provavelmente gastaram ainda menos BTC do que aparece aqui, porque a própria definição do que é considerado LTH começou a mudar.”
A presença institucional crescente no Bitcoin altera o perfil de quem é considerado investidor de longo prazo. Enquanto investidores antigos e mineradores permanecem em atividade, ETFs e tesourarias demonstram novos padrões de retenção.
Darkfost afirmou que os ETFs precisam manter “determinado nível de reservas” para atender à demanda dos investidores, enquanto empresas do tipo DAT, como a Strategy Inc., mantêm visão de longo prazo sem obrigações legais para isso.
“Com o tempo, a presença crescente dessas entidades pode reduzir a pressão de venda dos investidores de longo prazo à medida que mais participantes ingressam no mercado. É possível, portanto, que a atual definição de investidor de longo prazo possa se tornar inadequada conforme a estrutura de propriedade do Bitcoin segue mudando”, acrescentou o analista.
Com o aumento da escassez, acúmulo expressivo por grandes investidores e menor venda por parte dos investidores de longo prazo, a oferta do Bitcoin está ficando mais restrita. Se essa tendência dará suporte a uma alta nos preços dependerá de como a demanda e as condições do mercado evoluem nos próximos meses.
No momento desta reportagem, o Bitcoin apresenta valorização com um movimento positivo no mercado. Dados do BeInCrypto Markets apontam que a moeda era negociada a US$ 71.526, alta de 3% nas últimas 24 horas.